SAÚDE: Novas luzes sobre as causas da pneumonia

Washington, 15/09/2009 – a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nova luz sobre as principais causas da pneumonia, fornecendo, pela primeira vez, informação sobre seus efeitos por país. O estudo, divulgado na edição da semana passada da revista britânica The Lancet, conclui que as infecções com Streptococcus pneumoniae e Haemonophilus influenze tipo B (Hib) matam anualmente no mundo cerca de 1,2 milhão de crianças menores de 5 anos. A elevada mortalidade da pneumonia entre a população infantil é um problema de saúde pública que pode ser evitado, segundo especialistas médicos.

“A parte importante das descobertas é que esta é a primeira vez que fornecemos números específicos por país”, disse à IPS Kate O’Brien, professora-adjunta de saúde internacional na Escola Bloomberg de Saúde Pública, da Universidade Johns Hopkins. “Isto dá uma oportunidade às nações para dirigirem suas políticas com base nas evidências”, acrescentou a principal autora da pesquisa sobre a pneumonia. Existem vacinas que podem proteger do Streptococcus pneumoniae e do Hib, mas sua distribuição no mundo em desenvolvimento não alcança os registros necessários para impedir essa elevada quantidade de mortes infantis em razão dessa enfermidade. A vacina do Hib está disponível há muito pouco tempo nos países pobres, e a vacina do Streptococcus pneumoniae atualmente não é parte dos programas nacionais de imunização em boa parte do mundo em desenvolvimento.

O estudo da OMS revela que em 2000 havia cerca de 14,5 milhões de casos de enfermidade pneumocócica em todo o mundo, que 826 mil menores de 5 anos morreram em razão dessa doença e que 95% dessas mortes foram atribuídas à pneumonia. Cinqüenta e um por cento dos casos pneumocócicos foram registrados na Ásia. Isto se deve amplamente à grande quantidade de população e ao limitado uso das vacinas. E 54% das mortes aconteceram na África, pela falta de vacinas, uma elevada proporção de infecções com HIV (vírus da deficiência imunológica humana, causador da aids) e pela carência de cuidados médicos básicos.

As maiores proporções de casos pneumocócicos mundiais foram registrados na Índia (27%), China (12%), Nigéria (5%), Paquistão (5%), Bangladesh (4%), Indonésia (3%), Etiópia (3%), República Democrática do Congo (3%), Quênia (2%) e Filipinas (2%). Os casos na África e na Ásia contribuíram com 66% do total mundial. Há algum tempo a imunização contra a pneumonia se tornou uma medida padrão em alguns países de renda alta e média-alta, mas atualmente não existe nenhuma nação africana que realize vacinações de rotina.

Em agosto de 2008, 24 países de renda alta e dois de renda média-alta utilizavam habitualmente a vacina pneumocócica, mas estas 26 nações somente representam menos de 0,2% das mortes infantis mundiais por pneumonia. A tendência em matéria de vacinação pneumocócica infantil pode estar mudando no mundo em desenvolvimento, devido à Aliança Global para Vacinas e Imunizações (Gavi). Esta entidade conta com financiamento da Fundação Bill e Melinda Gates, bem como de vários doadores públicos e privados, e oferece aos países pobres vacinas pneumocócicas a 15 centavos de dólar a dose.

Onze países, sendo oito da África e Ásia, receberam a aprovação para contar com apoio da Gavi para introduzir uma vacina contra a pneumonia. “Se estender-se plenamente pelos países aptos a receber ajuda da Gavi, a vacina pneumocócica poderá salvar as vidas de mais de 440 mil crianças até 2015. Incentivamos todos os países em desenvolvimento a se candidatarem e este apoio, como importante primeiro passo para salvar as vidas das crianças”, disse Julian Lob-Levyt, presidente da Gavi.

As conclusões da OMS incluíram dados sobre o Hib e revelaram que este causou cerca de 8,1 milhões de enfermidades serias em todo o mundo e 371 mil mortes infantis em 2000. Seguindo um padrão semelhante ao da doença pneumocócica, os países com maior quantidade de mortes por Hib em 2000 foram os da Ásia e África. Entre eles Índia (72 mkl), Nigéria (34 mil), Etiópia (24 mil), República Democrática do Congo (22 mil ), China (19 mil), Afeganistão (14 mil), Paquistão (13 mil), Bangladesh (12 mil), Angola (nove mil) e Níger (oito mil). Durante quase 20 anos houve vacinas disponíveis contra o Hib, eliminando efetivamente essas infecções nos países onde foram administradas, mas, uma substancial variação regional em seu uso causou mais portes por Hib na Ásia e África.

“A prevenção de casos e mortes pneumocócicas e por Hib pode-se conseguir de modo iminente, mas as nações devem demonstrar a vontade política de priorizar a prevenção”, afirmou Orin Levine, diretor-executivo do PneumoADIP, da Escola Bloomberg de Saúde Pública, da Universidade Johns Hopkins. “Junto com a ajuda financeira que agora está disponível através da Gavi, estas conclusões dão aos países a informação que precisam e deveriam proporcionar um mandato para que os políticos locais e regionais priorizem os investimentos em prevenção da pneumonia”, disse Levine.

“Estas estimativas fornecem o ele que faltava para os políticos do país que buscam uma justificativa para os investimentos em vacinas que salvam vidas”, disse Anne Schuchat, diretora do Centro Nacional para o Controle e a Prevenção de Doenças. “Uma das coisas realmente importantes para os países é que compreendam qual é o peso da doença. Alguns países nos disseram que realmente ajuda ter números que possamos mostrar-lhes. Isto os ajuda a seguir um enfoque rentável em relação à saúde preventiva e a realizar análises da relação custo-benefício”, afirmou Kate O’Brien. IPS/Envolverde

Eli Clifton

Eli Clifton is a national security reporter for ThinkProgress.org. Eli holds a bachelor's degree from Bates College and a master's degree in international political economy from the London School of Economics. He previously reported on U.S. foreign policy for IPS, where he served as deputy Washington, D.C. bureau chief. His work has appeared on PBS/Frontline's Tehran Bureau, the South China Morning Post, Right Web, Asia Times, LobeLog.com, and ForeignPolicy.com. Website: http://thinkprogress.org/author/eclifton Blog: http://thinkprogress.org/security/issue/

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *