Istambul, 05/10/2009 – A abertura oficial das reuniões anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional está prevista para amaná, mas as atividades políticas e a tensão já assumiram o controle da vida diária nesta cidade turca. Istambul, a segunda cidade do país com 12 milhões de habitantes, está sob forte vigilância policial. A área onde fica o novo Centro de Congressos Harbiye, inaugurado há duas semanas para o encontro, está cercado por milhares de policiais.
Várias manifestações de grupos contrários à globalização aconteceram desde quarta-feira, e espera-se que aumentem em número e intensidade conforme forem chegando os funcionários internacionais. Grandes corporações e instituições já alertaram seu pessoal sobre possíveis casos de violência, bem como sobre os lugares e os horários a serem evitados. Entretanto, Istambul não é Pittsburgh. O governo turco quer manter a ordem sem distorcer o encontro, de cujo prestígio depende para melhorar sua imagem internacional. Portanto, é pouco provável que a praça Taksim se pareça com um campo de guerra, como ocorreu na cidade norte-americana, que acaba de sediar a cúpula do Grupo dos 20.
Mais invasivas do que do que as forças da ordem são as ondas hertz. A radio local e as emissoras de televisão transmitem sem cessar entrevistas com funcionários do governo, acadêmicos e comentaristas. “Estou deprimido. Sabemos que a economia não vai bem. Então, por que continuam repetindo isso?”, disse o taxista Mitthat. Manter a opinião pública consciente da possibilidade de a crise se estender foi o que o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, tinha em mente quando deu uma entrevista coletiva na sexta-feira.
Zoellick exortou os países que integram a instituição a mostrarem cautela quando reconstruírem suas economias. “É muito cedo para declarar o êxito da derrota da crise”, afirmou. Sua principal preocupação parece ser que o prematuro otimismo de certos governos leve a uma redução das regulamentações financeiras, reativando a crise, o que, segundo o Banco Mundial, pode ser fatal. Os países ricos, na lógica de Zoellick, devem manter e até mesmo aumentar seu compromisso com o resgate das nações mais pobres, colocando à disposição fundos adicionais.
Zoellick espera que o Banco Internacional de Reconstrução e desenvolvimento (BIRD) avance lentamente para atingir esses objetivos. Desde sua criação em 1944, dedica-se a combater a pobreza em países de renda média e pequena, promovendo o desenvolvimento sustentável através de empréstimos, garantias, administração de riscos e serviços de analises e de aconselhamento. Está estruturado como uma cooperativa, e é propriedade e operado para o beneficio de 186 Estados-membros.
O BIRD coleta a maior parte de seus fundos dos mercados financeiros mundiais, e se converteu em um dos principais prestamistas desde seu primeiro acordo em 1947. As rendas que gerou ao longo dos anos lhe permitiram financiar atividades de desenvolvimento. “O BIRD está muito bem capitalizado”, disse Zoellick. “Tem à sua disposição US$ 33 bilhões para o ano fiscal 2008-2009 e projeta usar US$ 40 bilhões no período 2009-2010”, ressaltou.
“Antecipamos que em alguns países haverá um debate sobre o uso destes recursos, como no Congresso norte-americano, que espera ver reformas de nossa parte”, acrescentou Zoellick. “O Banco Mundial terá de fazer a sua parte. As instituições do Banco terão de mudar”, acrescentou. Em referencia às preocupações com os países africanos de baixa renda, cujos fornecimentos de alimentos diminuíram depois da queda nas exportações, Zoellick confirmou que o Banco Mundial aumentou sua ajuda às nações pobres desse continente, como a Libéria, em 25% este ano.
No entanto, admitiu que ainda existe rigidez na hora de usar os fundos para questões urgentes, devido aos convênios que regulam a ajuda. “O Banco e o G-20 terão de encontrar vias para liberar os fundos de forma mais rápida e flexível”, afirmou Zoellick. Ao falar dos grandes desafios que a economia enfrentará em 2010, alertou os governos sobre o perigo de uma volta da recessão. Isto pode ocorrer se a recuperação demorar, ou tiver diferentes velocidades em diferentes setores, ou pelasdiscrepâncias entre os países, ressaltou.
Em resposta às preocupações sobre o crescente desemprego, Zoellick disse acreditar que ajudando as companhias privadas a reestruturarem suas dívidas, e com a criação de uma rede de segurança para os setores mais vulneráveis da população, deve minimizar o risco de enfrentar miséria e instabilidade social. O Banco Mundial destinou US$ 4,9 bilhões entre 2008 e 2009 para estes esforços, com o objetivo de estimular os mercados internos. IPS/Envolverde

