MUDANÇA CLIMÁTICA: Brasil defende seu etanol em Copenhague

Copenhague, 10/12/2009 – Os combustíveis orgânicos são a única alternativa real aos de origem fósseis, que contribuem com o aquecimento do planeta, segundo a delegação brasileira na 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15). O Brasil, principal produtor e exportador mundial de etanol, está muito ativo na conferência de Copenhague, que até o próximo dia 18 tenta acordar um novo tratado para a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. O novo acordo deve dar continuidade ao Protocolo de Kyoto, adotado em 1997 e cujas metas vencem em 2012.

Há três décadas, quando o Brasil embarcou no programa de etanol, calcula-se que evitou a emissão na atmosfera de aproximadamente 800 milhões de toneladas de dióxido de carbono, o principal gás-estufa. O etanol é um álcool produzido a partir de cana-de-açúcar, milho e outros cultivos e que é utilizado como combustível alternativo as derivados dos fósseis: petróleo, carvão e gás natural.

Os delegados brasileiros se esforçam para demonstrar na COP-15 que a produção de combustível agrícola tem impactos positivos adicionais à própria redução da emissão de gases contaminantes. Insistem em afirmar que também combate a pobreza e citam como exemplo o plano do governo para fomento das microdestilarias, destinado a proporcionar renda adicional às famílias rurais.

Entretanto, os biocombustíveis são alvo de fortes críticas nos últimos anos por ocuparem terras e recursos destinados à produção de alimentos. Por isso, a União Europeia se afastou em 2008 do compromisso de incorporar uma cota obrigatória de 10% de biocombustível em todos os meios de transporte até 2020. Inclusive no Brasil, organizações ecologista indicam que a produção desses combustíveis é um dos motivos-chave do desmatamento constante da bacia amazônica. “Fala-se que os biocombustíveis provocam o desmatamento amazônico, mas as áreas de produção de etanol estão a três mil quilômetros da Amazônia”, disse José Migues, do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Migues se refere à mudança indireta do uso do solo, um conceito que descreve as consequências que gera a produção de biocombustíveis, que empurra as atividades humanas cada vez mais para as florestas amazônicas. Na região de São Paulo, onde se concentra a produção de etanol, houve uma significativa queda da atividade pecuária e na produção agrícola. “Mas, é justo dizer que todas estas atividades estão sendo levadas para a Amazônia?”, perguntou Thelma Krug, também representante do ministério. “Há muita margem para a agricultura e a pecuária serem mais eficientes no Brasil”, acrescentou.

A expansão da indústria do etanol ameaça provocar um deslocamento produtivo maior. O Brasil tem mais de seis milhões de hectares plantados com cana-de-açúcar, mas Krug diz que se planeja “64 milhões de hectares para expandir a produção”, e explicou que o governo utilizará satélites para controlar a perda de cobertura floretal.

Quanto aos temas de segurança alimentar vinculados à produção de biocombustíveis, André Correa do Lago, diretor-geral do Departamento de Energia da Chancelaria, negou pura e simplesmente que os biocombustíveis foram o motivo da alta nos preços dos alimentos em 2008. “A segurança alimentar é uma das principais preocupações de nosso governo. Os biocombustíveis, como qualquer outra empresa humana, podem ser aperfeiçoados. Assim, não deveríamos usar o pior caso como ponto de referencia geral”, afirmou.

O governo considera legislar de forma específica para impedir a queima de biomassa, que responde por uma grande quantidade de emissões de gases-estufa. Embora reconheçam que “os biocombustíveis não são uma solução mágica”, as autoridades brasileiras insistem em dizer que são a melhor opção para os países em desenvolvimento e essa é sua proposta principal em Copenhague. (IPS/Envolverde)

Claudia Ciobanu

Claudia Ciobanu covers Central and Eastern Europe for IPS. Romanian, she is currently based in Prague, Czech Republic. She is particularly interested in environmental issues and social activism in post-socialist countries.

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