Lusaka, 30/03/2010 – Após dar à luz em uma clínica rural, o grande medo da zambiana Bupe Mwamba, portadora do vírus HIV, causador da aids, era que seu bebê também estivesse infectado Mwamba, de 22 anos, foi à consulta médica antes do parto, e aí soube que havia uma possibilidade de sua filha ser HIV negativo. Mas isso não a fez ter menos medo. “É um momento de reflexão sobre o futuro de minha filha e de como enfrentará o fato de ser HIV positiva”, disse.
No centro de saúde na área rural de Chipulukuso, em Ndola, na Província do Cinturão de Cobre, quando se faz um exame de HIV, as amostras de sangue são enviadas a um hospital regional para serem examinadas. Os resultados demoram cerca de dez semanas para serem transmitidos ao centro rural. Para um recém-nascido, isso é uma perda de tempo muito valioso. Se o bebê é HIV positivo, esse tempo poderia ser aproveitado para aplicar tratamento antirretroviral. Porém, Mwamba não teve de esperar tanto para saber a situação de seu bebê.
Por causa da demora no envio e recebimento dos resultados dos exames, o Ministério da Saúde testa um serviço de mensagens de texto que transmite os resultados desses testes em crianças menores de 18 meses ao centros de saúde no prazo de três a cinco dias. A mostra de sangue retirada da filha de Mwamba e as de outros centros rurais foram enviadas ao Hospital Arthur Davison de Ndla, o mais importante da província, onde são feitos os exames de HIV.
Os resultados de testes praticados para bebês são enviados aos centros de saúde por meio de uma máquina que recebe informação na forma de curtas mensagens de texto. Depois isso, o resultado é impresso e o médico pode transmitir o diagnóstico ao paciente. O diretor de Saúde Pública do Ministério da Saúde, Victor Mukonka, se mostra otimista quanto à diminuição em 50% da mortalidade de bebês, após o programa ser implementado em todo o país. Mukonka explicou que a demora em administrar antirretrovirais em menores de 18 anos contribui com a alta proporção de mortes dessa população infantil em Zâmbia.
O projeto das mensagens de texto começou em janeiro em centros de saúde selecionados, localizados nas áreas rurais da Província do Cinturão de Cobre, bem como da Central e da Norte, acrescentou. “Estamos tomando por objetivo dez centros de saúde do projeto-piloto, que serão avaliados após seis meses”, disse Mukonka. A presidente da Media Network on Child Rights and Development (Rede de Mídia Direitos Infantis e Desenvolvimento), Felistus Chipako, disse que é positiva a decisão do Ministério de introduzir as mensagens de texto para abordar o HIV pediátrico.
Segundo Chipako, no passado recente, o país se esforçou para enfrentar a mortalidade infantil, que é uma das mais altas da África subsaariana. A Pesquisa 2008 de Saúde Demográfica mostrou que morriam 119 menores de cinco anos para cada mil nascidos vivos. Chipako afirmou que esta medida ajudará a tratar as crianças com HIV positivo mais rapidamente. “O sistema também exige que se ofereça orientação às mães sobre como lidar com o assunto quando recebem o resultado”, acrescentou. Porém, Mwamba disse que o novo método de receber os resultados é emocionante e espera que o serviço funcione rapidamente.
Mwamba recebeu alta um dia após o parto e marcou consulta com seu bebê no hospital para uma semana depois. Quando voltou, também soube o resultado do exame de sua filha: HIV negativo. “Estou aliviada”, disse. No entanto, no hospital disseram para fazer um segundo exame quando a criança tiver três meses e outro aos seis e, finalmente, um terceiro aos 18 meses. Isto é feito para garantir que a menina seja verdadeiramente negativa, já que Mwamba a amamenta. “Sou otimista quando ao projeto funcionar se o pessoal da saúde continuar comprometido com ele”, afirmou. IPS/Envolverde

