UE-AMÉRICA LATINA: Implementam Internet multicultural

La Granja, Espanha, 17/03/2010 – A América Latina e a União Europeia (UE) impulsionarão uma presença multicultural na Internet, especialmente em conteúdos produzidos por cidadãos e associações da sociedade civil, concluiu um encontro finalizado no dia 15, na Espanha. Este foi o principal acordo do V Fórum Ministerial América Latina e Caribe-União Europeia sobre Sociedade da Informação, realizado nos dias 14 e 15, em La Granja de San Ildefonso, localidade histórica da província de Segovia, 87 quilômetros ao norte da capital espanhola. O fórum foi organizado pela presidência espanhola atual da UE, com colaboração da Comissão Europeia e Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Da reunião participaram representantes de Brasil, Alemanha, Argentina, Áustria, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Checa, Dinamarca, Equador, El Salvador, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Grã-Bretanha, Holanda, Hungria, Itália, Malta, México, Portugal, Suécia e Uruguai, além de várias organizações internacionais. A Espanha é um exemplo que a América Latina deve considerar na hora de aplicar políticas na área digital, disse à IPS o diretor da Divisão de Desenvolvimento Produtivo e Empresarial da Cepal, Mario Cimoli.

Este país implementou um programa estatal para desenvolvimento digital que depois derivou para o setor privado, inclusive privatizando empresas públicas, como a Telefonica, algo que Cimoli considera importante para promover o desenvolvimento econômico e social. “Na América Latina precisamos não apenas incorporar a população à rede digital, mas também ensinar como usar. E, no acordo entre nossa região e a EU, deve ser aceito que nossos jogadores são diferentes e, portanto, é preciso levar isso em conta na hora de planejar e assinar acordos”, ressaltou.

Na reunião houve consenso em afirmar que as tecnologias da informação e comunicação (TIC) exigem um acesso maciço e sua adoção em todos os setores da organização econômica e social para que a sociedade aproveite ao máximo seus benefícios. O desenvolvimento destas tecnologias deve incluir a possibilidade de serem comercializadas e aplicadas em indústrias criativas, disse à IPS a assessora do Ministério de Tecnologias da Informação e das Comunicações da Colômbia, María Carolina Hoyos.

A seu ver, “é preciso gerar códigos de autocontrole nos meios de comunicação para que assumam responsabilidade social, embora tais códigos sejam promovidos pelo governo”. A “indústria digital transversal promove políticas públicas que facilitam o acesso dos cidadãos, para reduzir a imensa brecha digital”, acrescentou Hoyos. Na reunião, o secretário de Estado de Telecomunicações e para a Sociedade da Informação da Espanha, Francisco Ros, afirmou que este país foi o primeiro a determinar por lei que os cidadãos têm pleno direito de ter acesso às informações do Estado e dos governos.

Além de instaurar a tramitação digital do documento de identidade, esta nação se prepara para colocar toda informação administrativa na Internet à disposição dos cidadãos. Para Ros, a presença multicultural representa um grande intercâmbio de ideias, opiniões, notícias e atividades entre pessoas de diversos países e regiões. Nisto tem papel primordial a expansão da banda larga, para avançar no acesso universal a essa tecnologia, afirmou. As administrações públicas devem criar as regras do jogo desta indústria e garantir que seus benefícios sejam divididos entre todos os cidadãos, de modo a reduzir a brecha digital. Também devem ser tomadas medidas e ações claras para resguardar a segurança e a privacidade na rede, acrescentou Ros.

O diretor de Governo Eletrônico do governo brasileiro, João Batista Ferri de Oliveira, informou que o Brasil já está gestionando um processo de acesso público à informação via Internet, e analisando quais informações deve tornar disponíveis. Atualmente, já estão disponíveis dados gerais do governo, o que está fazendo nascer com força a “democracia eletrônica”, disse Ferri. Um aspecto importante, destacou, é a integração e a interação entre cidadãos e governo, além de contar com agendas digitais e sincronização de canais eletrônicos, pois “sem mostrar avanços concretos não se consegue apoio político”. Do que já foi feito no Brasil, destacou a instalação de laboratórios digitais em 50 mil escolas, a maioria urbana, em processo de expansão para fora das cidades.

Hoyos destacou que o mercado global de conteúdos digitais mobiliza anualmente US$ 250 milhões, com taxa de crescimento mundial de 6% ao ano, proporção que aumenta para 8% no caso da América Latina. Sobre o desenvolvimento tecnológico, Sverre Munck, vice-presidente executivo da Schibsted, empresa norueguesa com presença na UE e em vários países da América Latina e do Caribe, disse que o computador está “matando” os jornais impressos, mas que agora está começando a morrer “vítima dos telefones celulares”. Isto reflete que o desenvolvimento tecnológico não só é impossível de ser detido como também é imprevisível, afirmou.

Sobre os processos econômicos e sociais, o presidente da consultoria privada Analistas Financeiros Internacionais, Emilio Ontiveros Baeza, disse que “é importante a América Latina ter em conta o processo de integração europeia”. Ontiveros deu como exemplo a implantação do euro, moeda comum desta região, pois “sem ela a crise global seria mais sentida e com ela será possível ir adiante mais cedo do que tarde”. IPS/Envolverde

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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