Mbandaka, R. D. Congo, 19/04/2010 – O presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, pretende que a missão de paz da Organização das Nações Unidas deixe o país em junho, apesar da insegurança reinante.
Mas as pessoas que fugiram, nos dias 4 e 5 deste mês, regressaram às suas casas em seguida, segundo Julius Bula, funcionário da prefeitura de Mbandaka. Grande parte, das pessoas que fugiram, trabalha de forma independente e são pequenos comerciantes, têm bicicleta-táxi ou são pescadores. A maioria retornou para os bairros de Basoko, Sokoselo e Ikongowasa, e encontraram o caos, a atividade econômica quase paralisada e muita insegurança, segundo fontes da Organização das Nações Unidas.
“Não tenho escolha. Meu trabalho está em Mbandaka e tive de voltar apesar da insegurança e da crise econômica”, disse à IPS John Iyokwa, que vende peixe defumado no aeroporto. Ele fugiu quando os rebeldes se aproximavam do aeroporto, onde permaneceram várias horas até serem expulsos. “Ninguém pode ficar escondido muito tempo, apesar do medo. Temos de trabalhar para viver e apagar os sinais da guerra na cidade. Inclusive os funcionários do governo reabriram as repartições porque também precisam ganhar a vida”, acrescentou Iyokwa.
“A situação humanitária na cidade é caótica. Numerosas casas foram destruídas pelos bombardeios e muitos bairros ainda estavam sem luz no final da semana. As pessoas têm fome porque os mercados foram fechados. Os pescadores nada fizeram durante a semana”, afirmou Papy Bolongo, morador no bairro de Ikongowasa. Os preços duplicaram, e até triplicaram, segundo Christine Walo, integrante de uma organização provincial.
“As pessoas que têm dinheiro compram quase tudo e estocam. Parece que se preparam para a guerra, o que aumenta a sensação de insegurança e a psicose”, disse Walo. “O governo pede que a Monuc (missão de paz da ONU neste país) abandone o país quando é o único organismo nesta província que ajuda a população civil”, acrescentou. A Monuc, com cerca de 20 mil soldados, chegou pela primeira vez à RDC em 2001, para ajudar Kinshasa a restabelecer o controle do norte e leste do país e preservar o cessar-fogo acordado entre Uganda e Ruanda.
A efetividade da missão da ONU é alvo de diversas críticas. O presidente Kabila quer que ela se retire em junho. A Monuc não conseguiu acabar com o conflito armado na RDC e seria prematura sua saída, diz um informe da ONU de novembro de 2009. “Uma vez mais soldados do Congo, com apoio da Monuc para combater os enyele, saquearam a população civil”, disse Walo. Um grupo de soldados acusados de saques e outros delitos contra a população civil foi processado por um tribunal militar no dia 8 deste mês.
O governo decidiu dar maior assistência à população local após visita a Mbandaka, no dia 6, de uma delegação liderada pelo chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Didier Etumbra, e pelo comandante em chefe da Monuc, Babacar Gaye. Kabila presidiu o encontro do conselho nacional de segurança em Mbandaka dois dias depois. O governo prevê convocar o Conselho de Ministros para tratar do assunto da segurança nesta província. IPS/Envolverde


