Bangcoc, 12/04/2010 – Para defensores da liberdade de imprensa, não foi uma surpresa o governo da Tailândia censurar meios de comunicação da oposição. O que mais os alarmou foi o fechamento de sites independentes. “Há uma ideia equivocada de que apoiamos os camisas vermelhas”, disse Chiranuch Premchaiporn, diretora do site de notícias independente Prachatai.com, ouvida pela IPS. Se autodenominam camisas vermelhas os simpatizantes da opositora Frente Unida pela Democracia Contra a Ditadura, pela cor que usam em seus protestos. Há quatro semanas exigem que o governo do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva convoque novas eleições. Os camisas vermelhas são partidários do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, derrubado por um golpe militar em 2006.
“Tenho de dizer novamente que somos uma organização jornalística independente que não toma partido de ninguém em particular”, destacou Chiranuch. O Prachatai.com (que significa povo livre) é um dos 36 sites bloqueados pelo governo desde o dia 8. A maioria era porta-voz de grupos da oposição. “Continuaremos seguindo os acontecimentos, e espero que o governo nos julgue adequadamente. Fazemos apenas nosso trabalho de informar o público sobre o que está ocorrendo”, disse Chiranuch, que está em liberdade sob fiança após ter sido acusada de “lesa majestade” por comentários divulgados no fórum do Prachatai.com em 2009. A versão em inglês do site, Prachatai.org, continuava no ar até o dia 10.
Entre os meios censurados estão a People’s TV, emissora via satélite de oposição, bem como rádios comunitárias, sites, canais no YouTube e páginas no Facebooc e o Hi5 dos camisas vermelhas. No dia 9, manifestantes derrubaram uma barricada do exército na sede da emissora de TV via satélite Thaicom Pcl, e a recolocaram no ar. Os militares lançaram água e gás lacrimogêneo contra os milhares de opositores que desafiaram o estado de emergência, mas não puderam contê-los, e optaram por se retirar.
O ativista Supinya Klangnarong disse que o fechamento de sites independentes é algo “simplesmente errado”. E “este governo se preocupa muito”, acrescentou Supinya, chefe da não governamental Tahi Netizens Network. ‘Ficou tão medroso que tende a exagerar e ver a Internet como uma inimiga, quando não o é. A Internet é um espaço para se discutir diferentes visões”, ressaltou. O governo espera que os protestos percam força com o fechamento de alguns meios de comunicação dos camisas vermelhas.
Sathit Wongnongtoey, funcionário do governo encarregado de fechar os meios de comunicação, argumentou que “estes distorcem os fatos e têm a missão de provocar instabilidade”. O antropólogo tailandês Yukti Mukdawijitra considerou improvável que a censura seja permanente. Apesar disso, disse que com tais medidas o governo mostra seu calcanhar de Aquiles. “Creio que mostra que o governo não pode tranquilizar os manifestantes e, portanto, tenta passar uma imagem de controle fazendo algo mais, isto é, proibindo os meios de comunicação da oposição”, disse Yukti, vice-reitor e diretor de programas de pós-graduação do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade de Thammasat.
Supinya concorda: “Este governo é muito inseguro e acredita que fechar sites da oposição o ajudará a lidar com a situação”. Entretanto, alerta que fechar essas mídias, deixando apenas os sites oficialistas, desagradará o público. “A televisão está agora quase toda a favor do governo”, disse. A Associação de Jornalistas Tailandeses questionou o “duplo discurso” da administração de Vejjajiva. “O governo continua usando rádios e canais de televisão estatais para apresentar informação parcial”, disse em uma declaração.
“O governo também permitiu que outras emissoras de rádio e outros canais de televisão via satélite apresentassem conteúdo similar ao dos meios estatais, o que pode causar mais fissuras na sociedade”, alertou a Associação. Chiranuch, por seu lado, disse estar preocupada porque, com o fechamento do Prachatai, o público não terá acesso a informação independente e alternativa, o que pode causar mais confusão e temor. “Pode ser atemorizante tanto para os manifestantes quanto para o público em geral não ter acesso a informação confiável”, afirmou. IPS/Envolverde
* Este artigo foi escrito para o Asia Media Forum coordenado pela IPS.

