Washington, 23/04/2010 – A economia mundial se recupera mais rápido do que o previsto graças ao crescimento das nações em desenvolvimento, afirma o último informe do Fundo Monetário Internacional. Este organismo prevê que as nações em desenvolvimento e emergentes crescerão 6,3% este ano e 6,5% em 2011, crescimento significativo em relação aos 2,4% de 2009, quando a economia mundial ficou instável após a crise financeira iniciada em setembro de 2008. Foi a pior crise mundial desde 1929, que também nasceu nos Estados Unidos e se espalhou para todo o mundo.
Por outro lado, o crescimento das nações ricas, cuja economia caiu, em média, 3,2% no ano passado, será um terço do apresentado pelos países em desenvolvimento. Melhorará em 2,3% este ano e 2,4% em 2011, segundo o documento “Perspectiva da economia mundial”, divulgado no dia 21 pelo Fundo Monetário Internacional. A recuperação da União Europeia (UE) será especialmente lenta. A confiança caiu após os graves problemas de endividamento da Grécia e de outros países do sul desse bloco de 27 nações. O crescimento da UE será, na média, de 1% esse ano e 1,5% em 2011.
A conjuntura atual é mais animadora do que era há três meses. Na ocasião, o crescimento da economia mundial foi estimado em 3,9% este ano. Mas agora a previsão é que será de 4,25%, após a contração de 0,5% em 2009. “Evitou-se uma depressão mundial”, disse o diretor do departamento de pesquisa do FMI, Olivier Blanchard. “A economia mundial se recupera e o faz melhor do que o previsto”. As perspectivas de longo prazo são “insolitamente incertas”, ressaltou.
O FMI se preocupa, em especial, com o aumento da dívida pública, em particular dos países ricos, devido ao esforço dos governos para estimular suas economias quando escassearam os créditos privados após o início da crise financeira. O documento foi divulgado antes de uma das reuniões conjuntas do FMI e do Banco Mundial, marcada para os dias 24 e 25, em Washington. As nações ricas deverão manter seus programas de estímulo à economia, mas se verão cada vez mais pressionadas para reduzir seus orçamentos e dar outros passos para reduzir sua crescente dívida, segundo o FMI.
Em países como a Grécia, onde a dívida superou o limite de crise, é mais do que urgente tomar medidas para reduzi-la. “O risco no curto prazo é que, se não for controlada, as preocupações do mercado quanto à solvência e liquidez soberana da Grécia podem levar a uma verdadeira crise de endividamento e ao contágio”, alerta o informe. Os governos europeus também devem se concentrar em combater o desemprego, que será, em média, de 10,5% este ano e no próximo. Na Grécia, girará em torno de 9,4% este ano caindo para 8,3% em 2011.
O informe ressalta que as nações em desenvolvimento da Ásia, especialmente China e Índia, lideram a recuperação mundial. A economia chinesa crescerá 10% este ano e no próximo, enquanto a Índia terá alta de 8,8% este ano e 8,4% em 2011, segundo o informe. O crescimento econômico das nações em desenvolvimento da Ásia será, em média, de 8,7% nos dois anos, acima dos 6,6% de 2009. Indonésia e Vietnã encabeçarão o crescimento na Ásia sul-ocidental com 6% este ano, e será ligeiramente superior em 2011.
A África subsaariana também se recupera relativamente bem da crise financeira, segundo o FMI, que prevê um crescimento de 4,7% este ano para a região e de quase 6% em 2011, acima dos 2,1% de 2009. Diante da possibilidade de um aumento da demanda energética mundial, o crescimento dos países petroleiros da África, especialmente Angola e Nigéria, poderá superar os 7% nos próximos dois anos.
Os países com menor renda também devem ir bem. Etiópia, Uganda e Tanzânia, por exemplo, poderiam manter crescimento anual superior a 6%. A África do Sul, cuja economia caiu quase 2% em 2009, poderá crescer 2,6% este ano e 3,7% em 2011. O crescimento econômico duplicará nas nações do Oriente Médio e do norte da África, passando de 2,4% este ano para 4,8% no próximo, apesar de uma grande variação de um país para outro, segundo o FMI.
Por seu lado, nos países exportadores de petróleo a previsão é de crescimento de 18,5% no Catar para esse ano, enquanto nos Emirados Árabes Unidos será muito menor, 1,25%, devido à contração do valor das propriedades. O crescimento da economia iraniana será de 3% este ano e 3,2% em 2011, apesar de poder sofrer uma pressão substancial devido às sanções promovidas pelos Estados Unidos por causa de seu suposto programa nuclear.
O Iraque registrará crescimento de 7% nos dois anos, enquanto Egito e Síria crescerão 5% este ano e 5,5% em 2011, diz o FMI. As ex-repúblicas soviéticas, cuja economia caiu 6,6% em 2009, se recuperarão a um ritmo moderado de 4% este ano e 3,5% em 2011. O Turquemenistão, rico em gás, terá o maior crescimento da região, cerca de 12%. A Rússia, cuja economia caiu quase 8% no ano passado, se recuperará quase totalmente em 2011, diz o informe do FMI.
A economia da América Latina e do Caribe, que caiu quase 2% em 2009, crescerá 4% nos dois anos. As previsões para o Peru são as melhores, com alta de 6,3% este ano, seguido do Uruguai com 5,7%, e da potência regional, Brasil, com 5,5%. A economia venezuelana, que caiu 3,3% no ano passado, manterá a tendência e baixará 2,6% este ano, antes de aumentar 0,4% em 2011. No México, a economia, estreitamente vinculada à dos Estados Unidos, crescerá 4,2% esse ano e 4,5% em 2011, após cair 6,5% em 2009. IPS/Envolverde

