DESTAQUES: Salvar o condor, uma missão possível

QUITO, 04/05/2010 – (Tierramérica).- O condor estampado no brasão equatoriano está em risco de extinção, contra a qual lutam planos de conservação e criação em diferentes pontos do país.

Pessoal da Fundação Zoológica do Equador no exame clínico de um condor andino - Cortesia da FZE

Pessoal da Fundação Zoológica do Equador no exame clínico de um condor andino - Cortesia da FZE

A caça indiscriminada e as mudanças nos páramos andinos diminuíram drasticamente a população de condores no Equador. Especialistas alertam que, provavelmente, não restem mais de 50, quando há menos de um século eram contados aos milhares. O condor dos Andes (Vultur gryphus), a maior ave da América, que chega a 3,30 mestros de envergadura com as asas estendidas, aparece nos brasões nacionais de Equador, Bolívia, Chile e Colômbia e é símbolo na Argentina e no Peru. A outra espécie da família é o condor da Califórnia (Gymnogyps californianus), um pouco menor.

No Equador, a ineficiência estatal e as desavenças entre as organizações não governamentais impediram por anos a implementação de uma política coerente de proteção dessas majestosas aves, que têm a Cordilheira dos Andes como seu principal hábitat. A falta de alimento nos páramos, a caça e a alteração do meio ambiente pela ação humana são as principais ameaças ao condor, que faz ninho em montanhas entre três mil e cinco mil metros de altitude, regiões antes quase inacessíveis e hoje cortadas por caminhos.

O biólogo Paul Tufiño disse na televisão local, no mês passado, que em um censo realizado em 2009 pela Fundação Simbioe, que dirige, foram fotografados somente 27 animais em liberdade. “O pior é que foram encontrados apenas quatro exemplares jovens, o que significa que não será possível repor a população adulta”, afirmou. Agora, por iniciativa da Fundação Zoológica do Equador (FZE), que trabalha com outras entidades, foi adotado outro caminho: a reprodução em cativeiro para depois, após campanhas intensivas de educação da comunidade, soltá-los.

Este plano de conservação e criação começou pelo acompanhamento dos 19 condores mantidos em cativeiro no Equador. Foram feitos testes químicos – de sangue, coproparasitários, níveis hormonais, raio X – e exames físicos e genéticos. “Os estudos permitiram saber que vários exemplares têm grãos de chumbo (presente na munição de caça) alojados em seus corpos”, disse ao Terramérica o diretor-executivo da FZE, Mario García, que leva adiante o programa. “Um deles tem mais de 40 e outro três balas calibre 22, mas sobrevivem”, afirmou.

No Zoológico de Quito, cuja direção a municipalidade entregou, em 1999, à FZE, foi formado um casal reprodutor, que já gerou dois filhotes nos últimos quatro anos. García decidiu entregar um deles ao Parque Condor, local de criação e exibição de aves de rapina perto de Otavalo, 70 quilômetros ao norte de Quito, para tentar formar outro casal reprodutivo. A FZE dá assistência técnica e preparou um manual para melhorar os padrões de manejo dos cinco locais com exemplares em cativeiro: os zoológicos de Quito e da cidade de Baños, o Parque Condor, as fazendas Zuleta e Ilitío. Na busca pelo sucesso reprodutivo, “foi feita uma jaula isolada no páramo da fazenda Zuleta para um casal que promete”, disse García.

Fernando Polanco dirige a Fundação Galo Plaza Lasso, que leva o nome de seu avô, o falecido ex-presidente equatoriano (1948-1952) que também foi secretário-geral da Organização dos Estados Americanos entre 1968 e 1975 e dono da fazenda Zuleta. Também nos páramos de Zuleta, fazenda de dois mil hectares que existe desde 1690, baixou a população de condores, embora já em seu momento o ex-presidente se preocupasse com sua conservação, disse Polanco ao Terramérica. Por iniciativa familiar, eram colocados animais mortos em áreas afastadas do estabelecimento para que essas aves tivessem alimento. Mais tarde, Polanco acolheu o projeto do casal de biólogos alemães Friedeman e Heide Koster, moradores no Equador, para criar em uma área afastada da propriedade um centro de resgate de exemplares que, por diferentes motivos, eram apreendidos vivos.

Foi chamado de Cundur Huasi, a casa do condor, onde hoje vivem oito deles, alimentados e protegidos pela Fundação Galo Plaza Lasso. Assim, os condores em cativeiro começaram a atrair a visita dos que permanecem em liberdade, aos quais também é fornecido alimento. Logo haverá um regime de semiliberdade para alguns. Polanco reconhece que o trabalho de coordenação do FZE é fundamental. “Sem esta iniciativa, ainda estaríamos trabalhando isoladamente, mas hoje temos a confiança de que poderemos reproduzir condores em cativeiro e libertá-los em mais alguns anos”, disse.

Esse é o objetivo do Grupo Nacional de Trabalho sobre o Condor Andino, que compreende o Ministério do Meio Ambiente, o Departamento de Biologia da Universidade Católica do Equador e os locais com condores resgatados. O grupo mantém o Projeto de Conservação do Condor Andino, que pretende formar casais reprodutivos, acompanhar indivíduos silvestres e se esforçar na tentativa de educação da população. Os participantes estão em contato com iniciativas similares em outros países sul-americanos e não está descartada a introdução no Equador de exemplares nascidos na Argentina. “Os frutos só serão vistos em oito ou dez anos. Agora que estamos coordenados, é questão de constância”, disse García.

* O autor é correspondente da IPS.

Gonzalo Ortiz

Escritor ecuatoriano, se ha destacado también en los campos la docencia universitaria y el servicio público. Nació en Quito el 18 de octubre de 1944, hijo de Luis Alfonso Ortiz Bilbao (Quito, 1903-1988) y Lola Crespo Toral (Cuenca, 1927). Está casado, tiene una hija y dos nietas. Vicealcade de Quito (2009), fue Concejal de la ciudad por elección popular por siete años (2003-2009), siendo el candidato más votado en las dos elecciones que participó. Años antes, fue uno de los más estrechos colaboradores del Presidente Rodrigo Borja, en cuyo gobierno fue Secretario General de la Administración (1990-92), Secretario Nacional de Comunicación Social (1988-1989) y Secretario de la Presidencia (1989- 1990). Como periodista es actualmente, y desde hace 16 años, Editor General de la revista Gestión; y desde inicios de 2010 corresponsal en el Ecuador de la agencia Inter Press Service (IPS). Se inició en la carrera periodística como cronista del diario El Tiempo, a los 22 años de edad, y ha ocupado todos los cargos de medios escritos y audiovisuales desde reportero hasta director. Fue editor cultural de la revista Mensajero (1968-1975); fundador, columnista, editor económico y subdirector del diario Hoy (1981-1988); director para América Latina de la agencia de noticias Inter Pres Service (1992-1996); gerente nacional de noticias de Ecuavisa (1997-1998); director de noticias de Telesistema (1988-2000); panelista semanal de Gamavisión (2000-2001); columnista de El Comercio (1996-2001). Ha colaborado en las estrategias de comunicación de las campañas presidenciales de Rodrigo Borja (1984, 1988, 2002) y Freddy Ehlers (1998) y en las campañas para alcalde de Quito de Paco Moncayo (2000, 2004) y para alcalde de Cuenca de Fernando Cordero (1998). Ha elaborado estrategias de comunicación para organizaciones no gubernamentales y entidades privadas. Ortiz suma más de un cuarto de siglo de docencia universitaria, como profesor de pregrado de las universidades Católica del Ecuador y de las Américas y de posgrado en la Andina Simón Bolívar. Es autor de ocho libros, en temas de historia y crónica periodística, coautor de 20 libros, editor de otros seis y traductor de dos. Entre sus obras se incluye una novela, Los hijos de Daisy (Alfaguara, 2009) y un libro de ensayos Quito, historia y destino (Trama, 2006). Es Miembro Correspondiente de la Academia Nacional de Historia del Ecuador y ha recibido premios y distinciones nacionales e internacionales.

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