Atum azul em perigo, e vaza petróleo no Golfo do México

Washington, 10/06/2010 – É possível que o atum azul, que nesta época chega ao Golfo do México para desovar, encontre muito alterado um de seus locais mais importantes de reprodução. Sua sobrevivência é uma incógnita. Nas últimas quatro décadas, sua população diminuiu em 20% no oeste do Oceano Atlântico. A região está contaminada por petróleo ou dispersantes e não se sabe realmente as consequências que poderá ter para esse peixe, pois a biologia não favorece a espécie.

Um exemplar, que pode ser tão grande e rápido como um automóvel de corrida, desova apenas uma vez por ano em locais específicos. A fêmea põe os ovos a cada oito ou dez anos, tempo em que o peixe deixa o ovo e se converte em um adulto que pode chegar a pesar mais de 200 quilos. Além disso, fracassou a tentativa de proibir o seu comércio internacional, em março, quando as partes da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres rejeitaram as propostas apresentadas. Restam apenas cerca de 41 mil exemplares de atum azul no oeste do Atlântico, segundo estimativas do Pew Environment Group.

“O vazamento acontece no único lugar e no momento da desova. O desastre ocorre, talvez, no pior local e no pior momento”, disse Lee Crockett, diretor de Política Pesqueira Federal da organização. “Não creio que possamos saber as consequências reais antes de alguns anos”, quando deveriam ser jovens os que estariam nascendo agora, explicou. “Se não virmos peixes de determinada idade ou houver menos, possivelmente o atual vazamento terá afetado os ovos ou as larvas”, acrescentou.

O petróleo que vaza do poço da companhia British Petroleum e que cobrirá a área de desova no norte do Golfo do México está no limite da plataforma continental, segundo um estudo divulgado pela revista científica na Internet PLoS ONE. Especialistas da Fundação Tag-A-Giant estiveram por cinco anos etiquetando e rastreando o atum azul e o de barbatana amarela na costa da América do Norte para identificar o lugar exato de reprodução. Suas conclusões não fazem prever nada bom para o atum azul, pois pode sofrer diretamente as consequências do vazamento.

O atum azul põe seus ovos nos 15 metros superficiais e depois a corrente quente, que entra pelo Canal de Yucatán, os leva para o Oceano Atlântico pelo estreito da Flórida. Os ovos, os peixes jovens e adultos ficarão expostos ao petróleo e aos dispersantes químicos que começam a contaminar as águas superficiais dessa corrente. Os dispersantes são especialmente problemáticos porque os ovos são compostos por óleos que podem se romper com as substâncias químicas, segundo vários estudos.

Outra das conclusões do estudo, divulgado no dia 4, é que o atum azul escolhe locais específicos para desovar, ao contrário do de barbatana amarela que o faz em qualquer lugar. Isso torna possível proteger o primeiro de ser pego pelos que pescam o segundo. A captura não intencional do atum azul é um grave problema há décadas. Sua pesca está proibida desde 1982, mas os grandes barcos podem, e de fato o fazem, pescar sem querer alguns deles, assim como merlins, tubarões, aves, tartarugas e mamíferos marinhos.

Entre 300 e 500 exemplares de atum azul são capturados por ano quando as embarcações pescam os de barbatana amarela e o peixe-espada, disse o diretor de política pesqueira federal do Pew Environment Group. “Morrem quase 100%” dos que são capturados, acrescentou Crockett. A visibilidade que o vazamento de petróleo deu às espécies do Golfo do México pode ajudar para que sejam tomadas medidas no sentido de prevenir a mortal captura não intencional.

Crockett espera que o dinheiro para indenizar os pescadores pela perda de produtividade, devido à contaminação com petróleo, seja aproveitado para “realizar uma transição e mudar a forma como se pesca o atum de barbatana amarela e o peixe-espada”. Há duas formas para a pesca ser mais sustentável, afirmou. Podem ser usados aparelhos alternativos, como um que tem anzóis suspensos perto da superfície, e outros que flutuam, com no máximo dois ganchos, que são lançados com as mãos. Estes métodos servem para certas espécies e evita que o atum azul seja vítima da captura não intencional, explicou. IPS/Envolverde

Matthew O. Berger

Matthew O. Berger has covered global issues, with a focus on environment and climate, from the IPS Washington, D.C. bureau.

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