Manila, 17/06/2010 – O que há em comum entre os protestos na Birmânia, os ataques com explosivos na Indonésia e a devastação causada pelo tufão Ketsana nas Filipinas?

Telefones celulares estão se tornando um importante meio de captação de notícias na Ásia. - Kara Santos/IPS
Na Birmânia, o uso da telefonia celular para comunicar informação crucial, tanto ao público nacional quanto internacionalmente, demonstrou ser “muito prático”, disse à IPS Mon Mon Myat, da Agence France Presse nesse país, onde os meios de comunicação estão sob rígida censura. “Filmar com um celular é muito seguro, porque as pessoas pensam que se está apenas fotografando, e não filmando. É menos perigoso para nós”, afirmou o jornalista birmanês, acrescentando que, se for necessário, é possível esconder ou eliminar o telefone celular rapidamente.
Os especialistas em meios de comunicação afirmam que os celulares estão se tornando cada vez mais uma importante ferramenta para coletar informação na Ásia. As coberturas jornalísticas por celular são usadas por importantes meios de comunicação como a rede de TV Al Jazeera, com sede no Catar. Este fenômeno fez surgir o “jornalismo móvel”, também conhecido como MoJo (em inglês).
O conceito de jornalismo móvel se refere ao uso de tecnologias da informação e de comunicação, que inclui os celulares, para publicar artigos, imagens e vídeos na Internet apenas segundos após serem captados. Esta prática é especialmente relevante para as notícias de último momento e em países onde a mídia está rigidamente controlada.
Segundo o livro “Mojo-Mobile Journalism in the Asian Region”, escrito por Stephen Quinn, professor de Jornalismo na australiana Universidade Deakin, em meados de 2009, em todo o mundo eram utilizados mais de 4,2 bilhões de celulares, 43% deles na Ásia. Segundo a União Internacional de Telecomunicações, o telefone celular é um aparelho de comunicação de crescimento mais rápido na história, com uma proporção de usuários no mundo em desenvolvimento que passou de 18%, em 1997, para 97%, em 2007.
Como os celulares são tão comuns nos países pobres, é fácil os jornalistas móveis se misturarem à multidão. Nas Filipinas, por exemplo, os telefones celulares são usados para captar imagens de desastres e situações de conflito. “Os fotógrafos estão na primeira linha. Precisam estar no lugar onde a notícia acontece, e às vezes usar celular é a melhor maneira de registrá-la, especialmente se o acesso é limitado”, disse à IPS o repórter fotográfico Jimmy Domingo, membro fundador do Centro Filipino para o Fotojornalismo.
Os jornalistas que trabalham em mídia impressa, que queiram transmitir arquivos para suas redações com rapidez, descobrem que as inovações das câmeras dos celulares facilitam o trabalho. Aparelhos como as câmeras de vídeo Flip permitem aos usuários filmar e transferir os arquivos facilmente para um computador ou divulgar os vídeos na Internet. O Flip Mino, um modelo compacto que pesa menos de 150 gramas, pode gravar vídeos de alta definição.
O popular iPhone, da multinacional norte-americana Apple Inc., também tem novas aplicações para usos jornalísticos que podem transformá-lo em uma ferramenta multimídia, para realizar informes de rádio ou podcasts. O Poddio, projetado para os jornalistas de rádio, permite gravar, editar e enviar pacotes completos de notícias pelo iPhone, o que é mais rápido do que transmiti-los por computador. Devido a todos estes avanços tecnológicos, a consultoria Datamonitor prevê que na região Ásia-Pacífico o uso de celulares aumentará de 389 milhões, em 2007, para 890 milhões, em 2012.
Em um fórum sobre meios de comunicação realizado em Manila, Quinn disse que estes avanços tornarão ainda mais rápida a difusão de notícias. “Com as capacidades tecnológicas dos artefatos modernos, os jornalistas móveis podem armar um informe no lugar dos fatos, editar e transmitir pela web, momentos depois de ocorrido o fato”, destacou. O típico equipamento de fotógrafos exige uma câmera, um tripé, um computador móvel e cabos para trabalhar. Agora, basta uma pessoa com um telefone celular.
De todo modo, os especialistas concordam que continua sendo fundamental conhecer o básico. “Não é possível utilizar os novos meios até que os velhos sejam empregados adequadamente”, disse Quinn, acrescentando ser vital que os jornalistas tenham sólida formação em habilidades de investigação e redação, bem com em conhecimentos de ética profissional.
Domingo também acredita que os fotógrafos deveriam saber primeiro como realizar coberturas utilizando câmeras padrão, e usar os celulares somente quando a situação assim exigir. “Se um fato ocorre em um lugar onde só estão disponíveis celulares, o mais importante é poder divulgar a fotografia e contar a história”, afirmou. IPS/Envolverde

