REPORTAGEM: O regresso das tartarugas gigantes

QUITO, 06/07/2010 – (Tierramérica).- Um plano de restauração ecológica no Equador conduz com sucesso o retorno de 39 tartarugas gigantes de Galápagos ao seu hábitat.

O Solitário Jorge em cativeiro - Cortesia de Joe Flanagan/Zoológico de Houston/EUA

O Solitário Jorge em cativeiro - Cortesia de Joe Flanagan/Zoológico de Houston/EUA

Avança a histórica reintrodução de tartarugas gigantes na Ilha Pinta, onde não restava um único dos famosos quelônios que deram seu nome ao Arquipélago de Galápagos, segundo especialistas encarregados do projeto. “As tartarugas estão se adaptando muito bem ao seu novo hábitat e estão se movimentando em um raio de, aproximadamente, 1,5 quilômetro a partir do local onde foram soltas”, afirmou o biólogo Washington Tapia, do Parque Nacional Galápagos (PNG), encarregado da experiência em Pinta, que tem cerca de 60 quilômetros quadrados.

Tapia explicou, via e-mail ao Terramérica, que o grupo de estudantes que trabalha no local registra os movimentos das tartarugas, suas atividades, dados sobre as condições ambientais e os efeitos que causam na vegetação e no ecossistema em geral. Para isso, realizam um acompanhamento via satélite com uso de GPS, e por ondas de rádio de alta frequência (VHF). Também mantêm um blog, onde colocam curtos relatórios sobre suas experiências. O Ministério do Meio Ambiente do Equador supervisiona todo o plano.

A soltura das tartarugas foi manejada por uma equipe de guardas florestais, biólogos, herpetólogos, botânicos e veterinários do PNG, do Zoológico de Houston e da Faculdade de Ciências Ambientais e Florestais da Universidade do Estado de Nova York, ambos nos Estados Unidos. Tapia ressaltou que se trata de um “projeto de longo prazo e alto custo, que começou há 30 anos, quando o PNG iniciou a eliminação das cabras”.

Só nos últimos dois anos, com a seleção e preparação das tartarugas para serem soltas, “incluindo a permanência dos estudantes na Ilha até o final deste mês”, abastecimento e logística, o custo “chega a cerca de US$ 350 mil”, acrescentou. A operação é financiada pelo não governamental Galapagos Conservancy, cujos sócios doam dinheiro para projetos no Arquipélago, bem como por empresas privadas e pelo governo de Rafael Correa.

Jorge, o Solitário

A particularidade de as aves emberizínias (Emberizidae) terem bicos diferentes e as tartarugas serem diferentes, dependendo da alimentação disponível em cada ilha, fez com que, em 1835, o jovem Charles Darwin (1809-1882) começasse a elaborar, quando visitou Galápagos, sua teoria da evolução das espécies por meio da seleção natural. Estas tartarugas diferem na estrutura e comprimento do pescoço e das patas e na forma de sua carcaça. Seu corpo, ao longo de milhares de anos, passou por adaptações de acordo com o consumo de vegetação rasteira ou dos ramos mais baixos dos cactus.

Quando piratas e baleeiros, nos séculos 18 e 19, começaram a matá-las para obter óleo e levá-las como reservas alimentares, a sobrevivência de algumas destas subespécies ficou crítica. Tamanha foi a depredação que, no começo do Século 20, não restavam tartarugas em Pinta, uma das ilhas desabitadas mais a nordeste de Galápagos, o Arquipélago situado no Oceano Pacífico a quase mil quilômetros da costa. Segundo os biólogos, há dois séculos havia entre cinco mil e dez mil exemplares apenas nessa ilha.

Para surpresa de todos, em 1971, foi descoberto em Pinta um exemplar macho vivo, embora em condições muito ruins, pois as plantas que consumia eram exterminadas pelas cabras, que haviam se reproduzido até 40 mil, a partir de apenas três exemplares deixados ali ilegalmente em 1951. Foi levado para a estação biológica da não governamental Fundação Charles Darwin (FCD), na vizinha Ilha Santa Cruz. O imenso quelônio, da subespécie Geochelone elephantopus abingdoni, conhecido como Jorge Solitário, por não ter encontrado uma fêmea da mesma espécie, é uma das atrações para biólogos e turistas.

Tempo de Restauração

A FCD começou, em 1965, a criação em cativeiro de subespécies de tartarugas ameaçadas, e na década de 70 uniu-se ao PNG para acabar com os animais alheios ao lugar. Por meio da caça terrestre e aérea conseguiram isso com as cabras em quase todas as ilhas. Em Pinta, a tarefa terminou em 2003. “As cabras selvagens são exterminadas para que as Ilhas Galápagos não morram”, justificou Sylvia Harcourt-Carrasco, membro da direção da FCD, ao ser consultada pelo Terramérica.

Com seus hábitos alimentares, mamíferos e espécies inofensivas, como cabras, burros, cães e gatos, ameaçam o frágil ecossistema do Arquipélago, declarado patrimônio natural da humanidade em 1978 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Após a erradicação das cabras, a vegetação em Pinta se recuperou rapidamente. O passo seguinte, para uma restauração completa e balanceada, era a presença das tartarugas gigantes. Então, recorreu-se às espécies híbridas que o PNG tem em criadouros, em alguns casos há 40 anos. Em lugar de continuarem em cativeiro por décadas – as galápagos podem viver mais de 150 anos – foi decidido que 39 delas fossem as novas colonizadoras.

Oito meses antes de serem soltas, começou um cuidadoso acompanhamento de sua saúde e alimentação. Foram vacinadas, medicadas contra parasitas, medidas e pesadas, considerando que muitas passavam dos 90 quilos e algumas dos 200 quilos. Também foram esterilizadas, “pois não devem ter descendência por serem produto de cruzamentos com subespécies diferentes das originais”, explicou Tapia.

Os quelônios, transportados em um barco do PNG, chegaram a Pinta no dia 19 de maio e foram levados por guardas florestais, que haviam ficado em quarentena e usavam roupas esterilizadas, para uma área de média altitude e repleta de vegetação, onde foram soltos. Calcula-se que, por sua condição de adultas, as tartarugas soltas consumam cada uma vários quilos de vegetação”, disse Tapia. “Com isso e seus movimentos, espera-se que moldem o ecossistema para criar espaços abertos, permitindo o desenvolvimento de outros processos ecológicos, como local para aves fazerem seus ninhos, reprodução de invertebrados e dispersão de sementes”, ressaltou.

“Isso é o que está acontecendo, com sucesso, em Española, onde foram reintroduzidas tartarugas em anos anteriores”, disse, por sua vez, Harcourt-Carrasco. Mais adiante, e após cuidadosas medições, está prevista a repovoação de Pinta, com tartarugas originárias de Española que sejam capazes de se reproduzir, pois são as mais parecidas com Jorge em termos genéticos. Porém, ainda não se sabe se o solitário quelônio poderá voltar ao seu lugar de nascimento.

* O autor é correspondente da IPS.

Gonzalo Ortiz

Escritor ecuatoriano, se ha destacado también en los campos la docencia universitaria y el servicio público. Nació en Quito el 18 de octubre de 1944, hijo de Luis Alfonso Ortiz Bilbao (Quito, 1903-1988) y Lola Crespo Toral (Cuenca, 1927). Está casado, tiene una hija y dos nietas. Vicealcade de Quito (2009), fue Concejal de la ciudad por elección popular por siete años (2003-2009), siendo el candidato más votado en las dos elecciones que participó. Años antes, fue uno de los más estrechos colaboradores del Presidente Rodrigo Borja, en cuyo gobierno fue Secretario General de la Administración (1990-92), Secretario Nacional de Comunicación Social (1988-1989) y Secretario de la Presidencia (1989- 1990). Como periodista es actualmente, y desde hace 16 años, Editor General de la revista Gestión; y desde inicios de 2010 corresponsal en el Ecuador de la agencia Inter Press Service (IPS). Se inició en la carrera periodística como cronista del diario El Tiempo, a los 22 años de edad, y ha ocupado todos los cargos de medios escritos y audiovisuales desde reportero hasta director. Fue editor cultural de la revista Mensajero (1968-1975); fundador, columnista, editor económico y subdirector del diario Hoy (1981-1988); director para América Latina de la agencia de noticias Inter Pres Service (1992-1996); gerente nacional de noticias de Ecuavisa (1997-1998); director de noticias de Telesistema (1988-2000); panelista semanal de Gamavisión (2000-2001); columnista de El Comercio (1996-2001). Ha colaborado en las estrategias de comunicación de las campañas presidenciales de Rodrigo Borja (1984, 1988, 2002) y Freddy Ehlers (1998) y en las campañas para alcalde de Quito de Paco Moncayo (2000, 2004) y para alcalde de Cuenca de Fernando Cordero (1998). Ha elaborado estrategias de comunicación para organizaciones no gubernamentales y entidades privadas. Ortiz suma más de un cuarto de siglo de docencia universitaria, como profesor de pregrado de las universidades Católica del Ecuador y de las Américas y de posgrado en la Andina Simón Bolívar. Es autor de ocho libros, en temas de historia y crónica periodística, coautor de 20 libros, editor de otros seis y traductor de dos. Entre sus obras se incluye una novela, Los hijos de Daisy (Alfaguara, 2009) y un libro de ensayos Quito, historia y destino (Trama, 2006). Es Miembro Correspondiente de la Academia Nacional de Historia del Ecuador y ha recibido premios y distinciones nacionales e internacionales.

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