Xieng Ngeun, Laos, 08/07/2010 – Apenas 13,4% dos 6,3 milhões de habitantes do Laos têm acesso a água encanada.

A água encanada facilitou a vida desta criança, que já não tem que esperar que seja trazida de longe por seus pais. - Vannaphone Sitthirath/IPS
Com crédito inicial de US$ 250 mil do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), mais contribuições da comunidade local e da estatal Empresa de Fornecimento de Água de Luang Prabang, o projeto agora beneficia mais de 60% dos 11 mil habitantes do distrito e cobre nove das 16 aldeias. Esta é apenas a primeira fase, que começou em 2005. No ano passado, teve início a segunda, com outra ajuda da ONU-Habitat de US$ 159,951 mil para atender mais seis aldeias. O prazo para ser completada é 2011, e espera-se que todas as aldeias tenham água encanada em 2012.
“É um projeto de baixo custo, já que a participação dos habitantes ajuda a reduzi-lo”, explicou Somphone Chanthalideth, chefe da Empresa de Fornecimento de Água de Xieng Ngeun. “Não temos de gastar muito em máquinas para fazer as escavações”, pois os moradores são voluntários para abrir valetas, como a agricultora Keum Sirikoun, de 63 anos. “Demoramos menos de uma semana para terminá-las”, contou a mulher, acrescentando que “desfrutaram” ter trabalhado com seus vizinhos, e garantiu que desde então se sentem “muito felizes” com os resultados.
O que dá mais importância ao projeto é que começou praticamente do zero. Os moradores, antes, gastavam várias horas para ir buscar água em locais distantes de suas casas. Avi Sarkar, chefe-assessor técnico para o sudeste da Ásia da Seção de Água e Saneamento da ONU-Habitat, recorda que “antes não havia água nem serviços de saneamento em Xieng Ngeun, nada funcionava, e todo o sistema tinha sido abandonado”. Agora que mais da metade dos moradores de Xieng Ngeun conta com água encanada em suas casas, as ocorrências de diarreia e outras doenças diminuíram.
O projeto ajudou em grande parte no desenvolvimento social e econômico do distrito, afirmou Somphone. De fato, nota-se uma grande atividade neste lugar, em comparação com outras áreas que se deve atravessar para chegar à capital, Vientiane, a 363 quilômetros. Somphone destacou que, após a instalação do encanamento, começaram a funcionar “duas centrais de tratamento de água, uma fábrica de gelo, comércios, restaurantes e pensões”. Além disso, o projeto ajudou sua empresa a melhorar suas capacidades e seus conhecimentos.
“Cada projeto será administrado por habitantes do lugar, e creio que é muito importante incentivar a capacidade local”, afirmou Avi, demonstrando felicidade. “O foco principal está na capacidade de desenvolvimento dos engenheiros locais, e há muito conhecimento técnico e experiência no Laos”, destacou. Até agora, os moradores continuam maravilhados pelo grau de envolvimento que mostraram em relação ao projeto. Trabalharam cada aspecto junto com as autoridades distritais e a empresa estatal fornecedora de água, incluindo a política de preços. “Antes de obter aprovação orçamentária, necessitamos de várias assinaturas do comitê diretor”, explicou.
Os moradores também administram um fundo que permite pagar as cotas de construção e instalações. Muitos acreditam que isto garante que o projeto seja menos vulnerável a casos de corrupção. “Quando a comunidade participa, existe maior consciência da iniciativa de desenvolvimento, o sistema se torna mais transparente e há mais responsabilidade, porque todos sabem o que acontece. E a participação da comunidade ajuda, para que o projeto alcance seus objetivos”, disse Avi.
“O enfoque comunitário é genial. A participação é um fator fundamental para o sucesso”, acrescentou Avi. Keum parece concordar. Ela considera que o governo não poderia ter feito tudo sozinho. “Deveria ser feito por nós, porque somos nós que queremos a água”, destacou. IPS/Envolverde

