Unidades especiais salvam bebês

Bhubaneswar, Índia, 17/08/2010 – A indiana Banita Behera sentiu um nó na garganta quando viu pela primeira vez suas gêmeas prematuras. Uma pesava 500 gramas e a outra 700.

Uma unidade especial ajudou a salvar a filha de Banita, que nasceu com apenas 500 gramas. - Manipadma Jena/IPS

Uma unidade especial ajudou a salvar a filha de Banita, que nasceu com apenas 500 gramas. - Manipadma Jena/IPS

Entretanto, pareciam aferrar-se à vida com seus punhos apertados. “Há esperança”, disse o médico. Considera-se que 2,5 quilos é o limite de baixo peso para recém-nascidos. As filhas de Banita foram enviadas à Unidade de Cuidados para Recém-Nascidos Enfermos, do Hospital Capital de Bhubaneswar, no Estado de Orissa.

A menina de 500 gramas “era tão pequena que seus órgãos vitais não podiam funcionar adequadamente. Seus pulmões não retinham o oxigênio e tampouco tinha forças para mamar”, recordou a enfermeira Saudamini Tripathy. Seus 14 anos de experiência indicavam que as chances deste bebê sobreviver eram praticamente nulas. Porém, foi a menor que sobreviveu para chegar a tempo à Unidade de Cuidados. Sua irmã não conseguiu.

Banita, de 25 anos, não é a única mulher indiana a sofrer a morte de um recém-nascido por falta de cuidados médicos adequados em áreas remotas. Por ano, cerca de um milhão de crianças morrem na Índia em suas primeiras quatro semanas de vida. Estas mortes neonatais representam dois terços de todos os falecimentos de bebês no país, segundo o Sistema de Registro de Amostragens de 2008, elaborado pelo Ministério de Assuntos Internos.

Aproximadamente dois terços destas mortes se concentram em cinco Estados: Madhya Pradesh, Uttar Pradesh, Rajastão, Andhra Pradesh e Orissa. A maioria deles tem muita população, escasso desenvolvimento e abrigam comunidades autóctones que vivem em áreas inacessíveis.

“O baixo peso ao nascer, combinado com uma desordem respiratória severa devido a infecções ou ao excesso de água nos pulmões (que afetava a filha de Banita que sobreviveu), causa cerca de 70% das mortes neonatais em Orissa”, disse o pediatra Chhayakanta Gouda, do hospital do distrito de Koraput, onde vivem muitas das comunidades indígenas do Estado. Outras causas de morte são asfixia ao nascer ou devido a um trabalho de parto prolongado, septicemia e icterícia, acrescentou.

São cerca de 200 Unidades de Cuidados para Recém-Nascidos Enfermos nos cinco Estados onde a mortalidade de bebês é mais alta. Os avanços são lentos. Entre 2004 e 2008, a quantidade de mortes de recém-nascidos caiu apenas de 37 para 36 para mil nascidos vivos. Unidades como a de Bhubaneswar contam com equipamentos de oxigênio, calefação, controladores de apneia e outros aparelhos. Nos berçários, minuciosamente desinfectados, a temperatura é mantida em 36 graus. Há um enfermeiro para cada três pacientes e em cada unidade ensina-se às mães como amamentar seus bebês com baixo peso.

As mães mais pobres, como Banita, têm acesso a essas unidades pelo equivalente a apenas US$ 0,25, em lugar dos US$ 40 pagos pelas demais, em centros subsidiados pelo governo. Aumentar o número destas unidades é o mais recente esforço do governo indiano para reduzir a mortalidade infantil (mortes antes de um ano de vida por mil nascidos vivos), para cumprir suas próprias metas e alcançar um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, de reduzir em dois terços esse número até 2015, em relação a 1990.

Atualmente, essa mortalidade na Índia é de 53 por mil nascimentos vivos. O governo quer reduzi-la para 28/1000 até 2012. O Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas de 2009 colocou a Índia em 134º lugar em mortalidade infantil entre 182 países. Os altos custos conspiram contra a instalação de mais dessas unidades, segundo os funcionários. Uma com oito a 16 berços custa de US$ 10 mil a US$ 20 mil.

Estas unidades dão bons resultados. De março a setembro do ano passado, sobreviveram 90% dos 448 recém-nascidos em estado crítico admitidos na Unidade de Bhubaneswar. Na área predominantemente indígena de Mayurbhanj, em Orissa, essas unidades salvaram 85% dos 3.500 bebês admitidos entre 2007 e 2009, segundo o governo estadual. As Unidades são parte fundamental de uma estratégia mais ampla chamada Manejo Integrado de Enfermidades Neonatais e Infantis.

Neste programa baseado na comunidade, na família e nos hospitais, trabalhadores da sociedade civil são treinados em técnicas de ressuscitação, manejo da hipotermia e prevenção de infecções. Também é incentivada a amamentação. Os dois programas integram a Missão Nacional de Saúde Rural do governo federal, que pretende abrir novos centros de atenção primária à saúde, acessíveis, baratos e efetivos.

“Toda criança que não chore nem se alimente de sua mãe logo ao nascer e que pese menos de 2,5 quilos precisa de cuidados médicos especiais. Essa é a única maneira de garantir sua sobrevivência”, disse Nirmala Dei, chefe de pediatria no Hospital Capital de Bhubaneswar. “Minha filha nunca teria sobrevivido sem os cuidados das ‘didis’, irmãs mais velhas”, como são chamadas as enfermeiras, disse Banita entre lágrimas de gratidão. No final de julho, a menina pesava 870 gramas e chorava querendo mamar. Banita e as enfermeiras procuram por um nome para lhe dar. Até agora, “campeã” é o mais votado. Envolverde/IPS

Manipadma Jena

Manipadma Jena is an independent development journalist and communications consultant who works out of Bhubaneswar in eastern India. She specialises in environment, climate change, biodiversity, indigenous people and the MDG themes broadly.

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