Mulheres se alistam nas Forças Armadas de Serra Leoa

Freetown, Serra Leoa, 27/09/2010 – Uma mulher ocupou seu lugar entre os soldados diante do túmulo de um camarada caído em Serra Leoa. Colocou seu fuzil AK47 sobre o ombro e disparou com os demais para o céu cinza. Nesse momento, Mariatu Sesay se converteu na primeira mulher do Exército de Serra Leoa a fazer parte de uma saudação militar de 21 armas para homenagear um soldado morto. A cena foi atípica, já que não é comum ver mulheres nesse papel. Contudo, agora é mais comum integrarem as Forças Armadas da República de Serra Leoa, graças a uma política de gênero introduzida para garantir a igualdade de oportunidades, com apoio da Women Peace and Security Network (Rede de Mulheres pela Paz e a Segurança), com sede em Acra, em Gana, e do Fundo das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).

A de Serra Leoa é uma sociedade patriarcal, onde a prática, os costumes e as leis discriminam o sexo feminino. E a situação das mulheres piorou com a guerra de 1991-1992. Um informe de 2004, da Comissão pela Verdade e a Reconciliação, relata que o papel do Exército na violação sistemática de mulheres e meninas foi uma estratégia para semear o terror.

Agora, o Exército mudou. “Estamos rompendo as barreiras que limitam nossas mulheres nas Forças Armadas”, disse ao TerraViva o chefe de Defesa, brigadeiro-general Robert Yira Koroma. O Exército introduziu padrões flexíveis para que as mulheres possam passar pelos processos físicos que implica o recrutamento. Estima-se que são 300 mulheres no Exército, em um total de 8.500 efetivos, disse o coronel Michael Samura, encarregado do pessoal militar. E avançam cada vez mais.

“Inicialmente, enviamos sete mulheres à região de Darfur no contexto das operações de manutenção de paz da Organização das Nações Unidas. Penso que isto é fenomenal, já que nunca ocorreu na história de nosso Exército”, disse Michael. Robert Yira afirmou que agora há quatro mulheres comandando seções militares.

“Instituímos um conselho para lidar com as queixas sobre assédio sexual. Também criamos outro que responde pelas promoções, para que nenhum oficial possa vitimizar nenhum soldado, especialmente as mulheres”, disse Robert Yira. O grande desafio é o recrutamento. “Uma grande proporção das mulheres neste país não tem instrução, mas o Exército não pode baixar seus padrões para absorver mais mulheres”, afirmou.

O requisito educacional é o certificado da escola primária. O do curso secundário é pedido para os postos de oficial. A brigadeira-geral Kestoria Kabia é a primeira mulher combatente com essa patente na sub-região. “Estamos tentando conseguir a maior quantidade possível de mulheres interessadas no Exército para que se integram à força, e também vemos que as que já estão alistadas trabalham em condições favoráveis e não são discriminadas”, disse ao TerraViva. Envolverde/IPS

* Este artigo foi originalmente publicado pela IPS/TerraViva com apoio do Unifem e do Dutch MDG3Fund.

Mohamed Fofanah

Mohamed Tiamieu Fofanah is a freelance journalist. He contributed articles on politics and national affairs to Awoko newspaper and several magazines in Sierra Leone. Mohamed lives in Freetown, Sierra Leone.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *