Mulheres do Zimbábue lavram a própria sorte

Bulawayo, Zimbábue, 22/10/2010 – Sithabile Ruswa, de 41 anos, é uma das tantas zimbabuenses que estão assumindo tarefas antes reservadas aos homens.

Alguns dos produtos de Sithabile Ruswa. - Ignatius Banda/IPS

Alguns dos produtos de Sithabile Ruswa. - Ignatius Banda/IPS

Como milhões de outras mulheres neste país da África austral, Sithabile não tinha oportunidades de acesso ao mercado de trabalho formal, e por isso decidiu assumir por conta própria uma ocupação considerada “do universo masculino”.

Sithabile trabalha com metal, fabricando panelas, bandejas, castiçais, pás e todo tipo de utensílios de cozinha que vende em Bulawayo, cidade de dois milhões de habitantes.

Após instalar uma oficina no quintal dos fundos de sua casa e contando com ajuda de familiares, iniciou um pequeno, mas próspero negócio, apesar das muitas dificuldades. Este é um país onde as mulheres ainda têm pouco acesso a capital e a apoio formal de instituições financeiras.

“Meu último marido me ensinou como fazer estas panela, apoiou fabricando e consertando algumas”, disse Sithabile, que também deve cuidar de seus filhos em sua pequena casa no subúrbio de Mabutweni.

“Foi difícil no começo, mas agora domino o negócio. Meus filhos trabalham como meus assistentes. Vão pelos povoados e pelo distrito central de negócios vendendo as panelas”, explicou.

O preconceito contra mulheres que ingressam no mundo dos negócios foram refletidos na conversa que a IPS manteve com Gillian Msakwa, estabelecido fabricante de móveis de aço na cidade.

Apesar de admitir que mulheres como Sithabile deveriam receber apoio, disse que havia “preocupação” pelo fato de assumirem ocupações “que exigem muito fisicamente” delas.

Afirmou que seria mais adequado se dedicarem a tarefas relacionadas com sua missão de ser “coluna da família”. No entanto, reconheceu que os homens deveriam mudar sua mentalidade e romper estereótipos de gênero.

O governo de unidade nacional, em meio a uma dura crise política e econômica, não oferece oportunidades concretas de trabalho formal, especialmente para as mulheres.

“Estou feliz de enviar meus filhos para a escola. Nunca pensei em uma vida além disso”, contou Sithabile.

Como muitas mulheres que dirigem seus próprios negócios no quintal de suas casas, Sithabile não tem muitas possibilidades de expansão, apesar da firme demanda por seus produtos baratos.

Para fabricá-los, Sithabile consegue materiais de fábricas e fundições. Vende suas panelas por US$ 4, as bandejas por US$ 3 e castiçais por US$ 1.

Uma panela do mesmo tamanho custa US$ 10 no comércio varejista. Em um país onde a renda da população diminuiu, os produtos de Sithabile são uma alternativa barata e prática.

“Nunca pensei em expandir. Seria bom se conseguisse uma pequena fábrica onde pudesse produzir mais”, disse.

Jennifer Tizirai, consultora do Ministério de Desenvolvimento de Pequenas Empresas e Cooperativas, garantiu que essa pasta oferece apoio às pequenas empreendedoras.

Contudo, “vimos que poucas mulheres pedem ajuda em finanças ou assessoria sobre como manter suas operações. No fim das contas, ficam estagnadas sem aproveitar totalmente seu pleno potencial”, disse.

No entanto, Sithabile garante que nunca ouviu falar de uma entidade dedicada a ajudar as empreendedoras como ela.

“São as mulheres cultas e ricas que têm acesso à assistência financeira, porque sabem aonde ir, enquanto nós temos de nos contentar em conseguir um pouco de dinheiro para comprar pão”, afirmou, expressando o que é uma queixa comum entre as trabalhadoras informais de Bulawayo.

Muitos pequenos negócios como o dela foram arruinados em 2005 pelo governo da União Nacional Africana de Zimbábue – Frente Patriótica (ZANU-PF), que tomou medidas contra os trabalhadores informais, aos quais considerava simpatizantes da oposição.

Sithabile está agradecida por poder seguir adiante de forma ininterrupta desde aquele ano de conflitos.

“Não tive nenhum problema com as autoridades, apesar de algumas pessoas se queixarem do barulho que fazemos com o metal”, afirmou. Envolverde/IPS

Ignatius Banda

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