ÁFRICA DO SUL: Estudo ambiental em bacia compartilhada

Parys, África do Su, 04/11/2010 – É habitual ver meninas e meninos no Rio Vaal, fora desta cidade do centro da África do Sul, em uma tarde quente.

Crianças colaboram com um estudo de qualidade de água para gerar consciência sobre a importância do recurso. - Tinus de Jager/IPS

Crianças colaboram com um estudo de qualidade de água para gerar consciência sobre a importância do recurso. - Tinus de Jager/IPS

Entretanto, vários deles não estão nadando, mas recolhendo amostras para um estudo de qualidade da água. A Comissão da Bacia do Rio Orange-Senqu (Orasecom), que inclui o Vaal, começou uma pesquisa de três meses para medir o impacto ambiental da indústria e o estado geral do ecossistema, coletando amostras de 60 pontos diferentes desse sistema hídrico, chave para o Sul da África. Os resultados serão compartilhados entre os quatro países que dividem a bacia: Botswana, Lesoto, Namíbia e África do Sul.

O estudo terá a colaboração de cinco equipes de meninos e meninas em idade escolar, que foram colocados em diferentes pontos do Rio, munidos de planilhas e ferramentas para retirar amostras e identificar plantas e animais. O grupo de Parys se dirigiu às margens do Vaal. Os alunos gritaram com assombro, ou horror, ao descobrirem um movediço verme quironómido.

A Orasecom assessora há dez anos os Estados-partes sobre as melhores práticas para aproveitar os recursos que compartilham. Todos usam água dos rios Orange e Vaal. O objetivo deve ser o de todos dividirem os benefícios do recurso, disse Peter Pike, do Ministério de Assuntos de Água da África do Sul, o que exige confiança mútua. O estudo sobre a saúde da Bacia é o primeiro passo nesse sentido. “Estamos na fase de compartilhar informação real para que a Orasecom possa auxiliar os países no sentido de poderem decidir juntos o que fazer”, explicou.

Os quatro países da bacia têm diferentes graus de desenvolvimento, mas a gestão efetiva do recurso depende de terem uma mesma visão sobre seu uso. “Trata-se de ter um equilíbrio. Temos de usar a água para melhorar o desenvolvimento, e também manter o recurso. O estudo de qualidade não resolverá esse assunto, mas é um elo da cadeia para resolver problemas de longo prazo”, disse Peter. “Há mais confiança entre os quatro membros e creio que o estudo da bacia é um indício disso”, ressaltou.

Há pesquisas sobre a quantidade de água disponível na África austral, mas este estudo dará informação detalhada sobre a qualidade da bacia do Orange-Senqu, disse Lanka Thamae, secretário-executivo da Orasecom. “A qualidade da água sempre foi um pouco desprezada, e, no entanto, é um elemento essencial e importante para todos os países”, insistiu.

Especialistas analisarão os dados das amostras, compartilharão os resultados e assim se terá uma ideia do que é necessário nas diferentes partes do sistema. Os quatro países terão possibilidade de estabelecer objetivos comuns. Como em Parys, meninos e meninas residentes às margens dos rios ajudam a coletar amostras em outros pontos e farão sua própria análise sobre as condições ambientais da bacia.

A informação obtida pelas crianças servirá para o estudo, mas sua participação tem mais a ver com um objetivo educativo, disse Gavin Quibell, responsável pela pesquisa. “Se os levarmos ao rio, talvez consigamos que seus pais, irmãos e irmãs se conscientizem sobre a situação. Não poderão resolver os problemas de contaminação, mas saberão qual é a situação e isso melhorará o conhecimento desta geração e da próxima”, acrescentou. Os resultados do estudo serão conhecidos no primeiro semestre de 2011. Envolverde/IPS

Tinus de Jager

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