Windhoek, Namíbia, 09/11/2010 – A empresa estatal de energia da Namíbia anunciou que avançam os planos para construir uma série de hidrelétricas na parte baixa do Rio Orange para enfrentar a crescente demanda. O diretor da NamPower, Paulinus Shilamba, disse à IPS que está sendo finalizado o estudo de um projeto apresentado pela empresa sul-africana Clarkson Power, com a qual assinaram, no ano passado, um memorando de entendimento.
O projeto de Energia Hidrelétrica do Baixo Orange incluirá nove represas que vão gear entre 90 e 120 megawatts. A NamPower espera produzir 45 megawatts com as duas primeiras centrais, contou Paulinus. “Vamos desenvolver o projeto em duas etapas, e essas duas centrais serão construídas em 2013”, afirmou.
O programa prevê que a água seja desviada ao longo de 70 quilômetros de túneis subterrâneos e cinco quilômetros de canais para fazer funcionar as turbinas e produzir eletricidade, disse o site Engineering News, ao comentar o anúncio de licitação. A Namíbia necessita de 477 megawatts de energia nos períodos de maior consumo, disse Paulinus. Agora, “importamos de países vizinhos metade dessa quantidade. Precisamos de mais energia porque a economia está crescendo com as novas minas que precisam de muita eletricidade”, explicou.
O projeto “exigirá um grande investimento que começará a dar frutos dentro de 20 a 30 anos. É melhor investir em uma represa porque ao longo do tempo os gastos são mínimos. Atualmente, gastamos milhões e milhões de dólares ao ano importando eletricidade”, ressaltou Paulinus. “Em Ruacana, a grande represa do Rio Kunene, no Norte do país, só pagamos a manutenção, reparos e dividendos. Não é nada caro”, acrescentou.
O projeto não terá consequências negativas para o rio, disse à IPS Lenka Thamae, secretário-executivo da Comissão da Bacia do Rio Orange-Senqu (Orasecom). Os outros três países que compartilham esse sistema hídrico – África do Sul, Botsuana e Lesoto – foram consultados sobre os planos de desenvolvimento. O uso que se fizer na parte alta do rio não afetará a geração de energia nas novas hidrelétricas, disse Lenka.
“A quantidade de água e o caudal dependem do funcionamento das represas da parte alta do rio. Costuma-se trabalhar em conjunto quando há projetos de geração elétrica na parte baixa”, acrescentou Lenka. De fato, “a presença de centrais rio acima garante mais água do que quando não há nada porque concentram e armazenam o recurso. O sistema regulador é muito melhor. Pode haver problemas se a água for usada para irrigação, mas não é o caso, a maioria dos rios da parte alta é usada para a geração de energia”, explicou.
A Orasecom encomendou um estudo sobre as situações que podem ocorrer em matéria de disponibilidade de água devido ao aquecimento global. “Queremos saber como a mudança climática afetará os rios, quais partes terão mais ou menos chuvas antes de poder assessorar os países-membros. Nos preocupa muito uma escassez por que é um rio muito usado com fins industriais”, acrescentou. Envolverde/IPS

