ETIÓPIA: Menos mortes maternas no campo

Addis Abeba, Etiópia, 15/12/2010 – Com apenas 23 anos, a etíope Nigist Abebe ajuda a salvar da morte grávidas e parturientes de zonas rurais deste país.

Há cinco anos, Nigist Abebe tinha dificuldades para ganhar a confiança das mães. - Omer Redi Ahmer

Há cinco anos, Nigist Abebe tinha dificuldades para ganhar a confiança das mães. - Omer Redi Ahmer

Começou seu trabalho há cinco anos, com apenas 18 anos. Nesse período, Abebe se firmou no trabalho como mais uma das 34 mil funcionárias do programa de saúde rural. Uma de suas funções mais importantes em Dengo Furda, a aldeia onde nasceu e se criou, é apoiar as mulheres grávidas.

“Aconselho as mães da aldeia em saúde materna e infantil, lhes dou a medicação adequada, as preparo para o parto. Em geral, as incentivo a usarem os serviços gratuitos de saúde que salvam suas vidas”, disse à IPS.

Quando Abebe começou seu trabalho morriam seis mulheres por ano em Dengo Furda, parte da área de Shoa Oriental no centro do país, acompanhando a média nacional. Hoje, nota-se clara melhora, assegura. “No ano passado tivemos apenas duas mortes”, afirmou.

Estima-se que 94% das mães etíopes dão à luz em suas casas. Em 2005, quando começou o programa de extensão sanitária, faleciam 720 mães em cada cem mil nascimentos vivos.

Apenas terminou o décimo grau, há seis anos, Abebe se candidatou para capacitação de um ano para poder trabalhar na saúde. Seus amigos lhe disseram que era uma boa oportunidade profissional.

Estudou em um instituto de capacitação técnica e vocacional, onde teve 16 matérias relativas a malaria, HIV e saúde materna e infantil. Abebe se formou em 2005 e se converteu em uma das três novas funcionárias de extensão de saúde que atendem dois mil domicílios de Dengo Furda.

Em 2009, foi recrutada para uma capacitação adicional de um mês sobre cuidados pré e pós-natal e parto seguro, organizada pelo departamento de saúde do distrito. Agora atende todas as grávidas da aldeia. Se elas não vão consultá-la, a própria Abebe vai ao encontro delas, alertada por voluntários.

Antes de se formar em 2009, ajudava as mulheres no trabalho de parte sem conhecimentos adequados sobre segurança, medicação apropriada e sinais de alerta sobre potenciais complicações. “Não conhecíamos os procedimentos. Agora me sinto mais segura no serviço que presto a essas mães e sei quando algo está além da minha capacidade”, disse. Por exemplo, administra misoprostol para controlar as hemorragias dos partos, que causam 22% das mortes maternas na Etiópia.

As mulheres com maior risco de sangramento são as menores de 18 anos e as que têm muitos filhos seguidos, afirmou Nigist. Quando se encontra com uma mãe que apresenta sintomas de complicações mais sérias, Abebe a envia a um centro de saúde melhor equipado que fica a 10 quilômetros. Ali, obstetras qualificados podem ajudar a tornar o parto seguro.

Abebe e suas colegas de outros postos de saúde examinam cada grávida e decidem se o parto deve ser feito em outro centro, com base nesses sinais.

Após o nascimento, quem trabalha nos serviços de extensão visita a mãe e o bebê em sua casa, assegurando que seja cumprido o programa de vacinação e controlando a nutrição do recém-nascido. Embora em Shjoa Oriental, onde Abebe trabalha, não haja estatísticas disponíveis sobre mortes maternas, acredita-se que o programa reduziu a proporção.

“Não posso dizer exatamente a magnitude da redução, mas posso afirmar, sem dúvida, que as mortes maternas diminuíram, disse Diriba Degefa, titular do departamento de saúde da região. Com 1,3 milhão de habitantes, Shoa Oriental passou de 12 para 52 centros de saúde em cinco anos, localizados em seus 13 distritos. Quando estiverem terminados outros quatro em construção, se poderá cumprir o objetivo do governo de ter um centro de saúde para cada 25 mil pessoas até junho de 2011.

Em toda a região também foram instalados cerca de 300 postos de cuidados primários com dois trabalhadores sanitários. Cada posto atende cinco mil pessoas, e há grupos de cinco postos ligados a um centro de saúde para onde enviam pacientes e do qual recebem supervisão administrativa.

Quando apareceram os trabalhadores de extensão de saúde, os moradores de Dengo Furda e do distrito de Boset não acreditavam que tivessem as habilidades nem o conhecimento necessários para melhorar a saúde materna. Mas a experiência dos últimos cinco anos mudou essa percepção. Ababe gosta do que faz e seu principal desejo é continuar se aperfeiçoando. “Salvar as vidas de mães e crianças é realmente gratificante”, afirmou. Envolverde/IPS

Omer Redi

Omer Redi is an Ethiopia correspondent for IPS. He writes about various issues in Ethiopia and covers international conferences that take place in Addis Ababa as well as the numerous regional and Africa-wide organisations in the capital.

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