Maputo, Moçambique, 26/01/2011 – O alerta por inundações em Moçambique aumentou para o nível amarelo esta semana, enquanto os serviços de resposta a desastres se mobilizam para o que temem que seja a pior catástrofe desde 2000.

A trabalhadora voluntária Arlinda Cunah escuta notícias sobre as inundações em seu rádio a energia solar. - Tomas de Mul/IRIN
Habitantes da bacia do Rio Limpopo, no Sul, começaram a se deslocar para lugares mais seguros depois dos alertas de que aproximadamente sete mil pessoas poderão ser afetadas se o Rio subir dois metros. “Se continuar chovendo, as águas inundarão Moçambique”, disse à IPS o diretor do Centro Operacional de Emergência Nacional (Cenoe), Dulce Chilundo, reconhecendo que, “provavelmente”, a situação assemelhe-se à catástrofe de 2000, que matou cerca de 700 pessoas e deixou prejuízos de US$ 419 milhões.
Seis anos depois dessas inundações, foi criado o Cenoe, com a missão de coordenar a resposta nas primeiras 72 horas de uma emergência, com US$ 3,7 milhões à disposição imediatamente. Uma dezena de pessoas já morreram em razão das atuais chuvas, mas nenhuma diretamente por inundações, disse Dulce. “É muito cedo para dizer” se as inundações em nível nacional afetarão os 1,3 milhão de pessoas em risco, segundo João Ribeiro, secretário-geral do Instituto Nacional de Administração de Desastres (INGC). “A temporada de chuvas não mudou. Chegará ao seu momento máximo em fevereiro”, afirmou.
A combinação das chuvas locais com os rios cujas águas aumentam desde outros países faz crescer a preocupação. A represa de Cahora Bassa está com 60% de sua capacidade. O Rio Zambezi, que a alimenta, se nutre em outros cinco países em seu percurso de 2.700 quilômetros. Se a represa de Kariba, rio acima, tiver suas comportas abertas, as autoridades de Moçambique poderão ser obrigadas a fazer o mesmo em Cahora Bassa.
Como prevenção, o INGC levou 24 mil famílias da Bacia do Zambezi para áreas mais altas, nos últimos quatro anos. Mas, ainda há fazendas em terras baixas que correm risco. “O nível do Rio já é de 6,2 metros, mas não foi necessária uma intervenção porque todas as famílias estão em lugares mais altos”, disse João Ribeiro.
As precauções diminuíram a vulnerabilidade de Moçambique diante de eventuais inundações, e os trabalhadores de resposta a desastres, caracterizados por seus jalecos cor de laranja, estão tranquilos no momento. “As diferentes seções estão preparadas para o desafio”, assegurou Dulce. Envolverde/IPS

