AGRICULTURA-BAHREIN: Gigantes de concreto sufocam fazendas

Manama, Bahrein, 10/01/2011 – Ambientalistas do Bahrein realizam uma campanha nacional para proteger o que resta do cinturão agrícola deste pequeno país do Golfo Pérsico. Das fazendas locais, 70% foram eliminadas nos últimos anos devido à esmagadora urbanização, afirmam ativistas, alertando para uma iminente crise ambiental. Este país insular de 692 quilômetros quadrados, com 1,2 milhão de habitantes, segundo o censo de novembro de 2010, desenvolveu infraestrutura inclusive sobre o mar, mas também destruiu zonas rurais e aldeias no norte para construir áreas residenciais.

“Sei que há graves problemas de moradia, já que milhares de famílias esperam há anos que o governo entregue suas casas”, disse à IPS a presidente da Sociedade Baremense Amiga do Meio Ambiente, Khawla Al Muhanadi. No entanto, converter as poucas fazendas existentes em projetos habitacionais é inaceitável, já que o país é um deserto vazio, ressaltou.

Três grandes estâncias agrícolas em Manama foram construídas há poucos meses para realizar projetos privados de moradia, enquanto outras em Sanabis e Burhama esperam pelo mesmo destino, segundo a entidade. “A maioria dessas fazendas esteve ali por mais de 150 anos, não podem ser substituídas por outra coisa”, disse Khawla. “A maioria destas terras pertence ao governo e está dentro do cinturão agrícola”, acrescentou, alertando que destruir as áreas agrícolas remanescentes poderá ser o começo do fim para a água subterrânea do Bahrein.

Em 2007, os recursos hídricos renováveis por habitante caíram para 154,5 metros cúbicos, segundo o Instituto de Recursos Mundiais. Ambientalistas pressionam os legisladores para que seja aplicada uma lei de proteção das palmeiras, aprovada em 1983, mas desde então esquecida. Khawla explicou que esta lei impõe multa de 500 dinares (US$ 1,3 mil) para quem destroi uma única dessas árvores. O Bahrein, apesar de seu pequeno tamanho, já foi chamado de país do milhão de palmeiras, que cresciam graças à riqueza hídrica subterrânea, mas esta começou a diminuir diante do rápido crescimento populacional.

O ministro de Municipalidades e Organização Urbana, Juma Al Kaabi, anunciou à imprensa uma estratégia agrícola destinada a proteger o setor e garantir a segurança alimentar. “Não é um erro do governo. Muitas mudanças afetaram o setor, como urbanização, escassez de água natural e redução do número de agricultores, que optaram por empregos mais fáceis e melhor remunerados”, disse o ministro. O Bahrein conta com 6.400 hectares de terras cultiváveis, das quais apenas 69% estão em uso. Juma apresentou um plano para utilizar o restante.

“O setor agrícola contribui com 23% do produto interno bruto, de 16,2 milhões de dinares (US$ 40,5 milhões) anuais”, explicou o ministro. Dos agricultores no Bahrein, 68% (cerca de 9.120) são estrangeiros. O pesquisador Nader Al Masri disse que, criando mais oportunidades de emprego agrícola para os baremenses e melhorando os investimentos no setor, seria possível aliviar o problema. “Os agricultores poderiam receber mais assistência para continuar em seus trabalhos e adotar métodos mais modernos de irrigação”, afirmou.

O agricultor baremense Hussain Taher quer manter seu ofício apesar do escasso apoio estatal e da pouca venda de seus produtos. “Os agricultores sofrem uma grande competição das frutas e verduras importadas. O governo deveria regular o mercado para proteger nossos interesses”, disse à IPS. “Antes, a demanda por tomates era coberta localmente, mas depois da abertura da estrada Rei Fahad, que une o país à Arábia Saudita, esta demanda é, em sua maioria, atendida com a importação”, acrescentou. Envolverde/IPS

Suad Hamada

Suad Hamada is a freelance journalist with a passion for covering gender issues. She also writes about politics, human rights and the environment. Suad lives in Muharraq, Bahrain and her work is driven by a desire for women and girls in her hometown to achieve their full rights.

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