Grupo IBSA condiciona zona de exclusão aérea

Nova Délhi, Índia, 11/03/2011 – A Índia obteve apoio, esta semana, do Brasil e da África do Sul em sua posição de que a criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia deve ser discutida em âmbitos multilaterais como a Liga Árabe.

A última conferência da Liga Árabe celebrada na Líbia, em março de 2010. - UN Photo/Evan Schneider

A última conferência da Liga Árabe celebrada na Líbia, em março de 2010. - UN Photo/Evan Schneider

. A Índia está consciente de que tem pouca liberdade de ação tanto na Assembleia Geral como no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), disse à IPS o analista Pushpesh Pant, professor de diplomacia no Centro para Política Internacional, Organização e Desarmamento da Universidade Jawaharlal Nehru.

O governo indiano “é muito sensível a este tipo de ação que os Estados Unidos e seus aliados tomaram no Iraque e no Afeganistão”, acrescentou Pant, mentor dos principais diplomatas indianos.

Os chanceleres do bloco IBSA (Índia, Brasil e África do Sul) divulgaram um comunicado conjunto esta semana, ao fim de uma reunião de dois dias em Nova Délhi, no qual declaram que “uma zona de exclusão aérea sobre o espaço líbio ou qualquer medida coercitiva adicional às previstas na resolução 1970 só podem ser legitimamente contempladas em um pleno cumprimento da Carta da ONU e com o Conselho de Segurança”.

Nova Délhi já deixara clara sua postura antes da reunião, da qual participaram os chanceleres Antonio Patriota, do Brasil; S. M. Krishna, da Índia, e Maite Nkoana-Mashabane, da África do Sul. Antes, a secretária de Relações Exteriores indiana, Nirupama Rao, assinalara que a posição de seu país sobre uma eventual zona de exclusão aérea na Líbia levaria em conta a opinião da Liga Árabe, da União Africana e do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Patriota apoiou Rao. “Pode ser problemático intervir militarmente em uma situação de instabilidade interna, e isto deve ser considerado apenas no contexto e em estreita coordenação com a União Africana e a Liga Árabe”. Segundo Pant, a Índia estava em uma situação peculiar, como sério aspirante a um posto permanente no Conselho de Segurança e, portanto, “precisando mostrar a Washington que está cooperando”.

Em uma visita oficial à Índia, em novembro passado, o presidente Barack Obama afirmou que, ao mesmo tempo em que aspira um “Conselho de Segurança da ONU reformado que incluísse a Índia como membro permanente”, deseja que Nova Délhi seja consciente das “responsabilidades” que acompanham esse poder.

O grupo IBSA foi enfático sobre a necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança que inclua a expansão tanto do número de membros permanentes como dos não permanentes e contemple maior representação da África, América Latina e Ásia. “Essa reforma no Conselho é de vital importância para refletir as realidades e fortalecer sua representatividade, efetividade e legitimidade”, reiteraram no comunicado os chanceleres do IBSA.

Pant destacou a peculiar situação da Índia dentro desse grupo. “Para começar, nem Brasil nem África do Sul têm de tratar com uma grande minoria muçulmana como a Índia. E, acima de tudo, o país está em uma área difícil e volátil, que inclui o Paquistão”. Segundo Pant, “a Índia precisa estar alerta diante da situação regional. Washington já começou a insinuar a possibilidade de uma intervenção militar no Paquistão”, acrescentou. “Nova Délhi também deve se preocupar com o que ocorre no Nepal e em Myanmar (Birmânia), sob a hegemonia da China. E mais, nem mesmo estou certo se, quando chegar a hora da verdade, Brasil ou África do Sul poderão ser capazes de resistir à pressão dos Estados Unidos e de seus aliados europeus”.

Também há considerações econômicas. O ex-chanceler indiano Shyam Saran alertou que a propalada instabilidade no Oriente Médio teria impacto nos 4,5 milhões de indianos que trabalham nessa região, e que Nova Délhi “preferiria evitar o desafio socioeconômico de fornecer-lhes emprego”. Saran acrescentou que, no longo prazo, a Índia gostaria de ver um avanço da democracia no Oriente Médio porque isso aumentaria as oportunidades de negócios.

Pant, que atualmente colabora em um projeto para estudar as possibilidades de cooperação tecnológica entre os países do IBSA, destacou a importância dos pactos comerciais alcançados na reunião desta semana. Brasil e Índia acordaram aumentar seu intercâmbio bilateral dos atuais US$ 7,8 bilhões para US$ 10 bilhões no curto prazo, e começar a identificar possibilidades de negócios adicionais em energia, petróleo, turismo, farmacêutica, mineração e agroindústria.

Também assinaram um acordo para aumentar os serviços aéreos, levantando restrições ao número de empresas que podem operar entre os dois países. “O acordo de aviação, se for aproveitado pelas companhias, pode fazer uma grande diferença no progresso do IBSA”, destacou Pant, que viaja frequentemente ao Brasil e à África do Sul. O especialista também disse estar ansioso para assistir ao “Índia Show”, que acontecerá em São Paulo no final deste mês. Espera-se que a exposição promova uma plataforma de investimentos para os empresários indianos e latino-americanos. Envolverde/IPS

Ranjit Devraj

Regional editor Ranjit Devraj, based in Delhi, takes care of the journalistic production from the Asia and Pacific region. He handles a group of influential writers based in places like Bangkok, Rangoon, Tehran, Dubai, Karachi, Colombo, Melbourne, Beijing and Tokyo, among many others. He coordinates with the editor in chief and forms part of the IPS editorial team. Ranjit Devraj has been an IPS correspondent in India since 1997. Prior to that he was a special correspondent with the United News of India news agency. Assignments for UNI included development of the agency’s overseas operations, particularly in the Gulf region. Devraj counts two years in the trenches (1989-1990) covering the violent Gorkha autonomy movement in the Darjeeling Hills as most valuable in a career of varied journalistic experience.

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