Trípoli/Bengasi, Líbia, 24/03/2011 – Os rebeldes na Líbia formaram um governo interino, enquanto as forças leais ao regime de Muammar Gadafi continuam atacando. O primeiro-ministro interino será Mahmoud Jibril, que até agora era representante dos rebeldes junto às potências estrangeiras. É mais conhecido no cenário internacional por ter se reunido com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que reconheceu o conselho rebelde como único representante do povo líbio.
“O conselho nacional provisório é um órgão legislativo, mas precisamos de um órgão executivo que assuma o controle e administre”, disse à rede de televisão árabe Al Jazeera o porta-voz dos rebeldes. Niusan Gouriani. “A postura foi muito clara desde o começo: a Líbia é uma unidade”, destacou. “Nossa capital é Trípoli, e será para sempre Trípoli. Estamos nos esforçando para liberar as partes ocidentais e Trípoli para manter o país unido. Gostaríamos de destacar isto sempre”, ressaltou.
Os rebeldes enfatizaram que sua nascente administração na cidade de Bengasi é interina, por medo de que suas ações sejam interpretadas como uma divisão do país. “Continuam comprometidos com uma só Líbia. Querem que o povo líbio permaneça unido, mas sem Gadafi”, disse o correspondente da Al Jazeera em Bengasi.
Enquanto isso, os intensos combates prosseguiam ontem. Forças leais a Gadafi atacavam posições rebeldes em todo o país. Sem se intimidarem com os bombardeiso da coalizão internacional, que tenta criar uma zona de exclusão aérea, as forças leais ao governo continuaram atacando as cidades d eMisurata, Ajdabiya e Zintan nas últimas 24 horas. Para os rebeldes, a situação ainda é difícil.
A maioria não tem armas e carece de estrutura de comando. Sua única tática é realizar ataques surpresa às forças de Gadafi e fugir em seguida. Mas, um dos líderes rebeldes disse que os integrantes de suas tropas são “verdadeiros heróis. São valentes a ponto de serem suicidas”, disse Mohamed Harir à Al Jazeera.
EM meio aos duros combates, Gadafi insistiu que “está pronto para batalha, seja ela dura ou curta”. “Ganharemos esta luta”, afirmou em discurso durante uma aparição pública em seu complexo Bab Al-Aziziyah em Trípoli, que foi alvo de ataques no domingo com mísseis da coalizão, informou a televisão estatal Líbia. “Este ataque é feito por um grupo de fascistas que terminarão no lixo da história”, acrescentou.
Combates noturnos deixaram 14 mortos e 23 feridos em Misurada, informaram rebeldes ao correspondente James Bays, da Al Jazeera. “As forças de Gadafi agora tomaram o hospital da cidade e colocaram franco-atiradores no teto e nos tanques estacionados do lado de fora do prédio”, disse o correspondente.
“Os rebeldes pedem o envio de um navio-hospital, já que ainda controlam o porto, afirmando que assim poderiam salvar muitas vidas, já que não têm para onde enviar os feridos”, acrescentou Bays. “Mais mortes civis foram reportadas em Ajdabiya e outros lugares, e os rebeldes pedem que as potências internacionais interpretem a resolução da Organização das Nações Unidas de forma mais ampla para apoiá-los e realize mais ataques contra as forças de Gadafi”, acrescentou.
Já a correspondente Anita McNaught, desde Trípoli, informou que fogo antiaéreo foi disparado na capital do país pela quarta noite consecutiva. “Ouvimos fortes ruídos. Não vimos fumaça no horizonte. As pessoas disparam suas armas como forma de resistência. Estamos no coração dos partidários do regime, onde as pessoas desafiam abertamente os esforços internacionais para obrigar Gadafi a se render. Entretanto, o fogo antiaéreo não foi tão intenso” como na noite de segunda-feira, quando duas instalações navais fora da cidade foram atingidas, informou McNaught.
A agência de notícias AFP informou que pelo menos duas explosões foram ouvidas a distância antes que as defesas aéreas da cidade abrissem fogo. IPS/Envolverde
* Publicado em acordo com a Al Jazeera

