Doha, Catar, 15/03/2011 – A oposição no Bahrein criticou a presença de militares sauditas enviados em resposta ao pedido de ajuda feito pelo governo aos seus aliados do Golfo. Cerca de mil soldados sauditas chegaram ao país para proteger instalações estatais, segundo disseram ontem testemunhas e outras fontes sauditas. O fato ocorre após várias semanas de protestos populares contra o regime do rei Hamad bin Isa Al Khalifa. A maioria da população xiita, uma das correntes do Islã, reclama reformas políticas por parte do governo sunita.
Os soldados percorreram os 26 quilômetros da estrada elevada que une Arábia Saudita ao reino insular nas primeiras horas e entraram no Bahrein, informou a agência de notícias Reuters citando fontes sauditas. “Fazem parte da força do Conselho de Cooperação do Golfo que preservarão os prédios estatais”, disse a Reuters. “Não posso garantir isso”, disse Abdel al Mowada, vice-presidente do parlamento do Bahrein, à rede de TV árabe Al Jazeera. “Ouvimos rumores de que viriam, mas não é certeza”, afirmou.
O governo pediu ajuda aos seus aliados do Golfo após o confronto, no dia 13, entre policiais e manifestantes em um dos episódios mais violentos desde o início dos distúrbios no mês passado, quando as forças de segurança do Bahrein mataram sete pessoas. O jornal The Gulf Daily News informou que o objetivo da força do bloco de seis países é “proteger instalações importantes”. Contudo, a presença de soldados sauditas não é bem vista pelos manifestantes, que temem que sejam enviados para Pearl, palco da maioria dos protestos.
Centenas de manifestantes se concentraram ontem em postos de controle provisórios dispostos a enfrentar a repressão. Organizações opositoras, incluído o Wefaq, maior movimento xiita do país, também se opõem ao uso de militares estrangeiros. “Consideramos a entrada de qualquer soldado ou veículo militar no espaço aéreo, nas águas jurisdicionais ou no território do reino do Bahrein uma flagrante ocupação”, diz um documento divulgado pelo Wefaq. “A entrada de forças sauditas, ou de outros países do Golfo, no Bahrein para enfrentar a população indefesa representa um perigo real para os habitantes desse país e significa uma guerra não declarada”, acrescenta a nota.
Até mesmo partidários do governo temem as consequências econômicas da intervenção saudita. “Quem vai querer fazer negócios aqui se há tanques sauditas na estrada”, perguntou o banqueiro Abdullah Salaheddin. Alguns políticos da oposição se reuniram com o príncipe herdeiro, Salman bin Hamad al Khalifa, para tentar criar uma instância de diálogo nacional, o que indica que ainda pode surgir uma solução. O príncipe deu garantias de que serão atendidas as principais reclamações da oposição, como dar mais poder ao parlamento, reformar os distritos eleitorais e criar uma verdadeira monarquia constitucional. Envolverde/IPS
*Publicado sob acordo com a Al Jazeera.

