MBABANE, 07/07/2011 – Depois da folha de jornal que Prudence* (16 anos) usava como penso higiénico ter caido quando brincava com as amigas na escola, abandonou a escola e nunca mais regressou. Esta aluna pobre que tinha notas elevadas não conseguiu superar a vergonha e a troça de que foi alvo. Não era a primeira vez que a aluna do Liceu Nkonyeni se sentira envergonhada devido ao período. Mas este incidente foi a gota de água que fez transbordar o copo.
“Esta aluna também foi apanhada na posição desagradável de ter sangue a escorrer pelas pernas abaixo porque o período era bastante forte,” disse Todvwa Mnisi, professora da escola.
A Prudence estava demasiado envergonhada para regressar à escola e acabou por casar-se – acabando com os seus estudos.
“Ficámos muito tristes por perdê-la porque era uma aluna muito inteligente e a sua vida poderia ter outro rumo se tivesse permanecido na escola,” disse Mnisi.
A existência deste problema obrigou a Associação Nacional dos Professores da Suazilândia (SNAT) a ponderar a possibilidade de abordar o governo sobre esta questão. De acordo com Bongiwe Khumalo, funcionária da SNAT responsável pelo género, muitos professores identificaram a existência deste problema nas suas escolas. Muito poucos conseguiram ajudar as jovens devido à falta de recursos. A organização não tem estatísticas disponíveis sobre quantas raparigas abandonam a escola por causa desta questão.
“O governo fornece agora refeições escolares e cadernos de exercícios,” disse Khumalo. “Depois de chegar à conclusão que muitas crianças estavam a abandonar a escola porque tinham fome ou porque não podiam comprar os cadernos de exercícios, o governo resolveu intervir, o que muito tem ajudado a educação.”
Acrescentou que, ao fornecer pensos higiénicos, o governo podia ajudar a garantir que não haja mais raparigas a abandonar a escola. “Mas, devido à crise económica que o país enfrenta, é pouco provável que o governo esteja aberto a tais ideias,” afirmou Khumalo.
Mnisi, professora de oritentação profissional, decidiu ajudar as raparigas a comprar pensos higiénicos com o seu próprio dinheiro. Instou todas as alunas sem pensos higiénicos a falarem com ela, mas a procura agora é muito superior àquilo que pode gastar.
Explicou que havia uma média de dez alunas por mês que precisavam desesperadamente de pensos higiénicos na escola, localizada na Região de Hhohho, com cerca de 200 estudantes.
“Além da directora, sou a única professora na escola, motivo pelo qual as raparigas se sentem à vontade para virem falar comigo.” disse Mnisi.
A falta de pensos higiénicos entre as raparigas suazis pobres obrigou um grupo de jovens a entrar em acção e oferecer ajuda. A Rede das Jovens da Suazilândia (SYWN), que inclui mulheres que vivem com VIH, mulheres profissionais e mulheres nos sectores terciário e comunitário, tenta convencer as pessoas a contribuírem para a aquisição de pensos higiénicos para as raparigas mais pobres.
“Através da nossa organização, tentamos mobilizar outras jovens para oferecerem pelo menos um pacote de pensos higiénicos cada vez que compram esse tipo de produtos todos os meses,” disse Hleli Luhlanga, coordenadora da SYWN.
A campanha começou em Dezembro mas, até agora, não tem tido muito sucesso. Alegam que isso se deve ao facto de muitas pessoas pensarem que a falta de pensos higiénicos não é um problema. A Rede está a intensificar a sensibilização da situação através de campanhas nos meios de comunicação social.
“O desafio é que estas raparigas são muito pobres e, mesmo se conseguirmos dar-lhes dinheiro para os pensos higiénnicos, isso não seria uma prioridade porque vivem em meios onde existe insegurança alimentar,” disse Luhlanga.
Cerca de 63 por cento da população da Suazilândia vive abaixo do nível da pobreza, estimado em dois dólares por dia. No país também há cerca de 130.000 orfãos e crianças vulneráveis, a maioria das quais são raparigas. A maior parte destes orfãos não tem acesso a pensos higiénicos adequados. A maioria das jovens substitui pensos higiénicos apropriados por lã de tapetes, jornais e papel higiénico, segundo Luhlanga. Estes materiais não só são inadequados como alguns também afectam os seus sistemas reprodutivos.
Segundo o director de comunicações e marketing da Associação da Vida Familiar na Suazilândia (FLAS), Mancoba Mabuza, os jornais e lã de tapetes devem ser desencorajados porque o material usado pode causar infecções vaginais.
“Estes materiais não têm capacidade para absorver sangue,” disse Mabuza. A FLAS não coloca objecções ao uso de tecidos de algodão pelas mulheres, sendo essa a prática há muitos anos, mas deve privilegiar-se a limpeza e suavidade do material.
“Quer uma pessoa use pensos higiénicos ou tampões, saliientamos que as raparigas precisam de mudá-los de quatro em quatro horas para evitar infecções que podem advir da acumulação de sangue,” disse Mabuza.
Com a escalada de custos dos pensos higiénicos, a SYWN tem tentado entrar em contacto com os fornecedores – como supermercados – para os convencer a reduzir os seus preços. Mas as sedes da maioria dos supermercados na Suazilândia estão localizadas na África do Sul e os gerentes locais não têm autoridade para tomar estas decisões.
“Não desistimos da ideia e também estamos a falar com o governo para dispensar os fornecedores de pagarem impostos sobre os pensos higiénicos de forma a reduzir os preços,” disse Luhlanga.
As escolas também estão a assumir a responsabilidade de resolver o problema angariando fundos nas instituições de ensino.
Minisi afirma que a sua escola está a recolher fundos com os chamados dias ‘civis’, quando os alunos não vestem a farda escolar e pagam 40 cêntimos. Os professores também vestem o que querem e pagam um dólar e 50 cêntimos. Até agora a escola angariou 18 dólares.
*Nome não divulgado para proteger a identidade da menor.

