MULHERES-ÍNDIA: Levando a luz

Bangalore, Índia, 22/09/2011 – O empresário indiano Harish Hande está convencido de que contar com a participação de mulheres no processo de criação, fabricação e venda é bom para qualquer negócio, mas especialmente quando se trata de produtos que elas mesmas utilizarão.

Uma vendedora de verduras em Bangalore usa uma lâmpada carregada com luz solar. - Selco/IPS

Uma vendedora de verduras em Bangalore usa uma lâmpada carregada com luz solar. - Selco/IPS

A Companhia de Luz Elétrica e Solar (Selco), de Hande, que começou, em 1995, na cidade indiana de Bangalore, inovando com aparelhos de iluminação sustentáveis e acessíveis à população rural, tem uma mulher no posto de vice-presidente e chefe financeiro.

“Por que o setor de negócios deveria ver as mulheres apenas como consumidoras finais?”, perguntou Hande, que recebeu o prêmio Ramon Magsaysay 2011, também conhecido como prêmio Nobel da Ásia. O reconhecimento foi por seus “apaixonados e pragmáticos esforços para pôr a tecnologia solar nas mãos dos pobres, por meio de uma empresa social que leva eletricidade personalizada, acessível e sustentável à vasta população rural indiana”.

Hande afirmou que há muitas mulheres profissionais em sua empresa, algo que a vice-presidente K. Revathi, confirma. “Me dão total liberdade aqui para fazer mudanças no processo convencional de financiamento”, disse Revathi, que tem diploma de contadora. Ela explicou que sua participação na parte financeira da Selco, componente fundamental do êxito da empresa, é satisfatória.

Quase um quarto dos um bilhão de habitantes da Índia não tem acesso à rede de energia nacional e, apesar dos esforços para alcançar os 23,4 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza, apenas 6,9 milhões destas possuíam ligação elétrica em 2009. Em muitas áreas rurais eletrificadas, as ligações são instáveis, causando dificuldades inclusive para quem pode pagar por elas.

Hande convenceu os bancos rurais a oferecerem empréstimos a muitas famílias pobres que estavam excluídas por sua falta de solvência. A Selco propôs pagar 15% dos empréstimos, e os bancos responderam com créditos entre U$ 300 e US$ 500 por família, que assim teriam acesso a diversos pacotes de necessidades energéticas oferecidos pela companhia. Menos de 10% dos que fizeram empréstimo deixaram de pagar as prestações, entre os atuais clientes da Selco, com mais de 125 mil famílias nos Estados de Karnataka, Andhra Pradesh e Gujarat.

Uma família rural típica utiliza cerca de 120 litros de querosene por ano para iluminação, sendo que os sistemas da Selco não só economizam esse produto como também reduzem em cerca de 20 mil toneladas as emissões de dióxido de carbono ao ano. “Até agora, a Selco alcançou mais de meio milhão de pessoas instalando luz solar para 120 mil famílias, microempresas e instalações comunitárias”, destaca o prêmio Ramon Magsaysay.

As famílias se beneficiam de iluminação livre de gases-estufa, as crianças podem estudar à noite e as tarefas domésticas ficam mais fáceis, aumentando o tempo e as oportunidades para geração de renda, especialmente para as mulheres. “É um erro pensar que os pobres não podem pagar. O que precisam é de um produto que esteja de acordo com suas necessidades e sua capacidade de pagamento”, afirmou Hande à IPS.

Os grupos de mulheres aproveitam melhor os equipamentos e a experiência da Selco, especialmente em pequenos negócios com energia solar e fornos de cozinha. Em Madanapalle, pequena localidade rural no interior de Andhra Pradesh, o grupo de mulheres Shree Ganga Bhavani, motivado pela experiência da Selco, criou uma microempresa de energia solar capaz de carregar 30 baterias simultaneamente, que à noite são enviadas para vendedores ambulantes – na maioria mulheres – que as usam para iluminar os pontos onde trabalham.

Em Gujara, Pavanben Jadeja, inspirada pela colaboração da Selco com a Associação de Mulheres Autônomas, se converteu em um “agente de luz solar” para famílias de tribos nômades na isolada área de Kutch. “Não temos margens de dois dígitos, mas somos sustentáveis. Simplesmente funcionamos em uma escala mais baixa”, disse Revathi. Envolverde/IPS

Keya Acharya

A journalist with over 20 years of experience in in-depth writing and researching environment and development issues in Asia, Africa, Europe and Latin America. Keya has travelled widely, covering assignments in various areas of the world. Her research has included climate change, urban solid waste management, rural alternative energy systems, implementation of laws on industrial hazardous wastes, human rights, ecotourism, wildlife issues, transgenic cotton, corruption and environment, population and gender, e-governance, agribiotech and forests and encroachments, among other topics. Keya is vice chair of the Forum of Environmental Journalists of India, and has organised several media-training workshops, convened international media meetings and undertaken media study tours. Keya has won several research and media fellowships and is the recipient of the Press Institute’s award for Excellence in Human Development Reporting; the Prem Bhatia Award for Environmental Reporting, and the Green Globe Foundation award for Outstanding Media Contribution by a Media Individual. Keya has also conducted development journalism studies as visiting faculty, chaired media and international conference panels, and edited ‘The Green Pen’, an anthology of essays on environmental journalism, the first of its kind in South Asia, featuring the region's most prominent and respected environmental journalists.

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