DESENVOLVIMENTO: Cooperação, não ajuda

Londres, Inglaterra, 24/11/2011 – Para começar, é preciso parar de falar em “ajuda”, afirmou o presidente do Comitê de Assistência para o Desenvolvimento da OCDE, Brian Atwood.

A cooperação Norte-Sul e a cooperação Sul-Sul são complementares, destacou Brian Atwood. - Sanjay Suri/IPS

A cooperação Norte-Sul e a cooperação Sul-Sul são complementares, destacou Brian Atwood. - Sanjay Suri/IPS

O quarto Fórum de Alto Nível sobre a Eficácia da Ajuda, que acontecerá entre 29 deste mês e 1º de dezembro na cidade sul-coreana de Busan, deveria utilizar o conceito de “cooperação para o desenvolvimento”, acrescentou.

Atwood destacou em entrevista à IPS a importância da linguagem para criar uma nova forma de sociedade para o desenvolvimento. Há sinais de que a reunião de Busan poderia impulsionar importantes acordos sobre cooperação, destacou nesta entrevista via correio eletrônico. Para a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que vai liderar o encontro na Coreia do sul, alcançar esses acordos é vital no contexto das atuais dificuldades econômicas mundiais.

IPS: Qual o melhor cenário que poderia surgir de Busan?

BRIAN ATWOOD: Melhoraremos a cooperação global e a coordenação local, reafirmaremos compromissos adotados em Paris e Acra, e faremos com que a comunidade mundial se dedique a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Deixaremos claro que a cooperação Norte-Sul e a Sul-Sul são complementares, e nos comprometeremos a trabalhar juntos, incluindo esforços triangulares.

IPS: Qual poderia ser o pior cenário e quais seriam suas consequências?

BA: Que Busan se converta em um simples exercício de acusações em lugar de ser um esforço para superar os obstáculos políticos e progredir. Até agora, não há indícios de que isso ocorrerá.

IPS: A palavra “ajuda” representa um problema, pois implica a existência de um patrocínio, de um “doador”?

BA: Esperamos que Busan elimine palavras como “ajuda”, “doador” e “receptor”. Contudo, o próprio nome do encontro se refere à “eficácia da ajuda”. A palavra também é usada no texto final como sinônimo da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (ODA), em momentos em que os sócios do Sul em desenvolvimento estão cada vez mais preocupados porque os níveis da ODA estão diminuindo. Assim, “ajuda” permanecerá no momento, embora esperemos que seja substituída por “cooperação para o desenvolvimento”.

IPS: A ideia de que a ajuda não é uma perda mas uma contribuição para um bem maior, incluindo o bem nacional, se faz cada vez mais comum. Há sinais de que os governos estão aceitando estes argumentos?

BA: Nunca antes houve a necessidade de o desenvolvimento ser discutido em níveis tão altos de governo, incluído o G-20 e o G-8. A atenção que se dá a Busan, em comparação com a que foi dada a Paris e Acra, é fenomenal. Estarão presentes o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, 110 ministros, 30 chanceleres e meia dúzia de chefes de Estado.

IPS: A ideia de que a ajuda é benéfica também para quem a proporciona pode ser usada para eliminar a prática de atrelá-la a diversos requisitos?

BA: Cerca de 80% da ajuda condicionada foi eliminada. Os 20% restantes são os mais difíceis, por incluírem programas populares como assistência alimentar e bolsas, e envolve organizações da sociedade civil de países doadores e cooperação técnica. Entretanto, creio que continuaremos fazendo progressos.

IPS: Na atual crise econômica, reduzir a assistência poderia ser uma medida mais populista do que sensata, e, pelo contrário, mantê-la poderia ser impopular. Os eleitores da Europa ocidental ou da América do Norte estão mostrando algum indício de se oporem à ajuda ao desenvolvimento?

BA: Alguns políticos se opõem e defendem as reduções de orçamento, mas creio que são uma minoria. Há pouco para ganhar na redução desses programas, que representam uma pequena parte dos orçamentos, mas pode-se perder muito.

IPS: Se a ajuda deve ser canalizada em harmonia com as prioridades nacionais estabelecidas pelos governos, em que lugar se coloca a sociedade civil?

BA: A sociedade civil é uma parte vital do desenvolvimento, e o desenvolvimento de uma sociedade civil viável é realizado melhor por organizações não governamentais com missões semelhantes.

IPS: Em que muda a ajuda quando o fluxo é Sul-Sul?

BA: Não sabemos o suficiente sobre os detalhes da cooperação Sul-Sul. Há uma importante afinidade entre essas nações, e esta é uma característica importante. Envolverde/IPS

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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