DESTAQUES: Corais mesoamericanos rumo a se converterem em deserto marinho

CIDADE DA GUATEMALA, Guatemala, 06/03/2012 – (Tierramérica).- Os quatro países do arrecife mesoamericano, Belize, Honduras, Guatemala e México, não aparecem bem em uma análise sobre as medidas que poderiam adotar para protegê-lo da mudança climática e de outros impactos humanos.

Coral embranquecido na região mesoamericana - Cortesia Christine Loew

Coral embranquecido na região mesoamericana - Cortesia Christine Loew

Estudos científicos constatam que o aquecimento está fazendo estragos no Sistema de Arrecife Mesoamericano, o segundo maior do mundo e de grande valor biológico e econômico. Os esforços para protegê-lo ainda são débeis. Os arrecifes de coram sofrem o aumento da temperatura superficial do mar, que provoca seu embranquecimento ou perda de pigmentação.

"Isto não é nada mais do que a morte dos corais devido ao desaparecimento das algas zooxantelas, que se encontram em simbiose com estes ecossistemas", explicou ao Terramérica o especialista da The Nature Conservancy na Guatemala, Juan Carlos Villagrán. As algas cobrem os pólipos, animais muito pequenos aos quais também entregam alimento "“ açúcares e aminoácidos "“ e dos quais obtêm um lugar seguro para viver e com a luz que necessitam para a fotossíntese.

Um pedaço de coral é um ecossistema simbiótico, uma colônia de milhares de pólipos que produzem esqueletos de pedra calcária em forma de taça, utilizando o cálcio da água marinha. Com os anos, os pólipos vão formando curiosas estruturas e depois arrecifes que são habitat próprio, das zooxantelas e de muitas outras espécies de flora e fauna. "Está ocorrendo uma perda acelerada destes ecossistemas com consequências econômicas, pois são sustento de muitas espécies pesqueiras de importância comercial, como lagostas, caracóis, garoupas e pargos", acrescentou Juan Carlos.

O Sistema de Arrecife Mesoamericano é o mais longo da América e o segundo do mundo, depois da Grande Barreira de Coral da Austrália. Se estende por mais de mil quilômetros, do extremo norte da península de Yucatán, no México, passando pelo litoral de Belize e Guatemala, chegando até as Ilhas da Baía em Honduras. Os arrecifes guatemaltecos de Punta de Manabique e Sarstún, na costa do Mar do Caribe, perto da fronteira com Honduras, não fogem dos efeitos da mudança climática.

No entanto, "na Guatemala, como em muitos países da América Central, a questão marinho-costeira é historicamente relegada, apesar de sua enorme importância econômica, social e ecológica", ponderou Juan Carlos. O informe 2010 Report Card fo the Mesoamerican Reef afirma que 6% do arrecife estava em condições críticas em 2008, e dois anos depois esta porcentagem era de 31%. As principais ameaças são o desenvolvimento costeiro, o turismo, a pesca em excesso, o aquecimento dos mares e os furacões, segundo o estudo da organização não governamental Healthy Reefs/Iniciativa de Arrecifes Saudáveis (HRI).

O arrecife mesoamericano experimentou eventos de embranquecimento em 1995, 1998, 2003, 2005, 2008, 2009 e 2010, segundo o informe. O efeito da mudança climática "escapa de nossa região e não é algo que possamos remediar", disse ao Terramérica o funcionário do Ministério de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Guatemala, Mario Díaz. A América Central contribui com menos de 0,5% do total mundial de emissões de gases-estufa, causadores do aquecimento, diz o estudo A economia da mudança climática na América Latina e no Caribe 2009, preparado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe. Porém, é uma das regiões mais vulneráveis a eventos meteorológicos graves.

Entretanto, os países do arrecife mesoamericano tampouco aparecem em boa situação, em uma análise sobre as medidas que poderiam tomar por si mesmos para proteger esta riqueza da mudança climática e de outras atividades humanas. Os esforços dos quatro países receberam 2,7 pontos, "regular", em um total de cinco, no Informe de avanços dos países do Arrecife Mesomaericano 2011, realizado pela HRI em colaboração com o Instituto de Recursos Mundiais (WRI).

No ponto sobre mapeamento dos arrecifes com mais probabilidades de serem resilientes ao aquecimento dos mares, México, Belize, Honduras e Guatemala obtiveram média de dois pontos, equivalente a "mal". Quanto à sua participação em tratados internacionais ou regionais que apoiem a conservação, não alcançaram mais que três pontos, novamente "regular". Nos corais de Honduras, as consequências do aquecimento ficaram evidentes nos últimos 15 anos, afirmou ao Terramérica o ativista Andrés Alegría, da não governamental Friends of Roatan Marine Park. "O desafio é garantir que os arrecifes se mantenham sãos para que, quando estas mudanças em grande escala ocorrerem, tenham força suficiente para se recuperarem", alertou. Neste país, os corais são uma fonte importante de renda de dois setores: a pesca industrial e a artesanal, "que fornecem alimentação a milhares de pessoas", e o turismo, disse Adrián Oviedo, da não governamental Honduras Coral Reef Fund.

No entanto, não é apenas a mudança climática que está matando o arrecife mesoamericano. O estudo da HRI qualificou como "mal" a sustentabilidade do setor privado e o saneamento dos quatro países. Os governos devem "adotar padrões de manejo de águas residuais do tipo I, isto é, menos contaminantes permitidos nas descargas e infraestrutura adequada para tratar essas águas", esclareceu ao Terramérica a coordenadora da HRI no México, Marisol Rueda. Quanto ao setor privado, Marisol disse que é necessária maior participação do setor hoteleiro e de lazer na adoção de padrões voluntários e programas de certificação ecológica.

* O autor é correspondente da IPS.

Danilo Valladares

Danilo Valladares, valladaresgt@gmail.com. Comunicador social con 10 años de experiencia en Guatemala, escribe para IPS sobre desarrollo y derechos humanos en su país y el resto de América Central. Ha trabajado en las secciones nacionales de los diarios guatemaltecos Prensa Libre y elPeriódico. Fue asesor de medios de comunicación de los ministerios de Educación y Comunicaciones del país y tiene experiencia en el campo de la comunicación estratégica en campañas sociales y en la elaboración de estrategias de comunicación municipales.

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