Washington, Estados Unidos, 05/03/2012 – A grande maioria de judeus israelenses apoiaria um acordo para um Oriente Médio livre de armas nucleares, mesmo que isto signifique que Israel também tenha que abrir mão de seu arsenal. Este foi o resultado mais surpreendente vindo de duas pesquisas realizadas separadamente entre os cidadãos judeus e palestinos em Israel. As pesquisas, realizadas em novembro pelo professor Shibley Telhami e apresentadas quinta-feira no Instituto Brookings, cobriam uma gama de tópicos, desde a Primavera Ãrabe, até a opinião a respeito dos Estados Unidos, e as esperanças de resolução para o conflito Israel-Palestina.
Enquanto 90% dos judeus israelenses acreditam que o Irã vai desenvolver uma arma nuclear, 63% preferem que nenhum dos dois paÃses possuam armas nucleares, enquanto apenas 19% preferem que ambos as tenham, caso haja somente estas duas escolhas. Por uma estreita margem de 43% a 41%, os judeus israelenses apoiam a ideia de um ataque contra instalações nucleares iranianas. Dos árabes israelenses, 68% se opõem a esse tipo de ataque, com apenas 4% dizendo que o apoiariam.
A pesquisa também revelou que a maioria dos judeus israelenses acredita que a Primavera Ãrabe vai impactar negativamente seu próprio paÃs, em grande parte porque eles creem que ela não trará a democracia para o mundo árabe. Quando questionado sobre como a Primavera Ãrabe afetará Israel, 51% respondem “principalmente para o pior”, com apenas 15% afirmando que haveria mudanças para melhor, e 21% que não faria nenhuma diferença. No entanto, quando se perguntou: “se a Primavera Ãrabe, de fato, levaria a uma maior democracia no mundo árabe …”, 44% pensavam que esta opção seria melhor para Israel, com apenas 22% afirmando o contrário, e 28% que não faria nenhuma diferença. Nahum Barnea, colunista israelense, ao comentar a apresentação das pesquisas de Telhami, observou que “o povo israelense está com mais medo da Primavera Ãrabe”, graças aos alertas do governo e da mÃdia, os quais dizem que a hostilidade contra Israel aumentará. A pesquisa com amostragem entre cidadãos palestinos que vivem em Israel revelou algumas mudanças bruscas sobre questões importantes ocorridas durante o último ano.
Quando perguntados sobre “aceitar a transferência de algumas cidades árabes/palestinas atualmente em Israel para um novo estado palestino”, 78% responderam que não aceitariam tal transferência, com apenas 17% dizendo-se favoráveis. Esta é uma clara mudança em relação a 2010, quando 58% disseram que se oporiam a tal transferência, enquanto 36% a aceitariam. Houve também uma forte mudança em direção ao acordo sobre a questão do direito dos refugiados palestinos de retornar à s terras de onde foram exilados. Em 2010, 57% dos árabes israelenses disseram que o direito de retorno “não poderia ser comprometido de nenhum modo”, enquanto 28% afirmaram que era “importante, mas um compromisso negociável" e 11% disseram não ser “muito importante”. Na pesquisa atual, a pluralidade mudou e agora 57% estão a favor de um comprometimento, enquanto 34% esperam o contrário e apenas 5% dizem que isto não é muito importante. Telhami não tinha certeza sobre as razões para a mudança drástica de opinião sobre esta questão. No entanto, ele afirma que “aqueles que tinham refugiados em suas famÃlias eram muito mais inclinados a não se comprometerem, do que aqueles que não os tinham."
As pesquisas também apontaram um grande contraste entre os cidadãos árabes e judeus com relação à s visões sobre o status dos árabes em Israel. Enquanto a maioria em ambos os grupos (52% dos judeus, 57% dos árabes) acredita que “há igualdade jurÃdica, mas existe a discriminação institucional e social” contra a minoria árabe, 36% acreditam que o relacionamento entre judeus e árabes em Israel “é uma relação de apartheid”. Embora apenas 7% dos judeus corroborem essa opinião, 33% dos judeus acreditam que exista “plena igualdade entre os cidadãos árabes e judeus em Israel”, mas meros 3% dos árabes têm o mesmo ponto de vista.
Judeus israelenses partilham de pouca esperança em relação à resolução do conflito no futuro próximo, com apenas 6% dizendo que ele será solucionado nos próximos cinco anos e 49% acreditando que nunca será resolvido, enquanto 42% afirmam que, eventualmente, será, mas que demorará mais do que cinco anos. Há um consenso generalizado entre os judeus israelenses de que Israel deva ser reconhecido como um Estado judeu, algo que a Autoridade Palestina recusa-se terminantemente a fazer: 39% insistem que tal reconhecimento deva ser uma condição prévia para negociações ou para o um congelamento na manutenção dos assentamentos, enquanto 40% estão dispostos a aceitar o reconhecimento como parte de um acordo de paz final. Apenas 17% não apoiam a demanda de reconhecimento de um Estado judeu. Contudo, quando perguntado se aceitariam definir Israel como “a pátria do povo judeu e todos os seus cidadãos”, 71% dos judeus israelenses apoiariam tal formulação, enquanto apenas 25% se oporiam a ela. Por uma margem de 66% a 31%, os judeus israelenses disseram acreditar que seu governo deveria estar fazendo mais para “promover a paz abrangente com os árabes com base nas fronteiras de 1967, acrescidas das posteriores modificações acordadas”, indicando insatisfação com a forma como o governo de Netanyahu tem tratado desta questão .
Enquanto 47% dos judeus israelenses acreditam que, se a solução de dois Estados falhar “o status quo continuará com pouca mudança”, 34% acreditam que isto levará ao agravamento do conflito a longo prazo. Telhami salientou que “no mundo árabe, a maioria acredita que o colapso da solução de dois Estados levará à intensificação do conflito nos próximos anos”. As pesquisas descobriram que os cidadãos árabes de Israel geralmente estavam alinhados com o resto do mundo árabe em relação à Primavera Ãrabe e que na visão deles, o primeiro-ministro turco Tercep Erdogan poderia ser um novo modelo de liderança.
A única grande diferença entre os árabes em Israel e aqueles dos paÃses árabes pesquisados em uma recente pesquisa realizada anteriormente foi em relação à visão do papel dos Estados Unidos no mundo árabe nos últimos meses. Quando perguntados sobre qual dos paÃses estrangeiros que atuaram de modo mais produtivo no mundo árabe nos últimos meses, os Estados Unidos ficaram em terceiro lugar nos paÃses árabes, sendo nomeados por 24% dos entrevistados, e em primeiro lugar, com 45%, entre os árabes em Israel. Enquanto, nos Estados Unidos, a eleição presidencial se aproxima, Barack Obama pode ter se dado conta que a sua avaliação positiva entre os judeus israelenses é de até 54%, contra 41% no ano passado. Mas a fé em suas polÃticas continua a ser baixa, já que apenas 22% dizem que sua atitude sobre eles é “de esperança”, enquanto 39% descrevem seus sentimentos como "desencorajados”. Envolverde/IPS

