DESTAQUES: Oásis mexicanos golpeados pela modernidade

CIDADE DO MÉXICO, México, 03/04/2012 – (Tierramérica).- Os oásis, ecossistemas associados à tradição desértica do Oriente Médio e norte da África, existem às dezenas no noroeste do México.

Oásis de Comondú, um dos mais ameaçados na Baixa Califórnia Sul, México - Cortesia Micheline Cariño

Oásis de Comondú, um dos mais ameaçados na Baixa Califórnia Sul, México - Cortesia Micheline Cariño

Os oásis do México abrigam uma importante riqueza ambiental, cultural, social e econômica, que se deve medir e conservar, alertam especialistas. De aproximadamente 200 oásis que o México possui, 184 estão na Baixa Califórnia Sul e o restante na Baixa Califórnia Norte e em Sonora, Estados do extremo nordeste deste país, segundo o Ministério de Meio Ambiente e Recursos Naturais.

"Sua condição é de alta vulnerabilidade diante da modernidade. Todos estão ameaçados, não são cuidados porque por muito tempo não foi reconhecido seu valor patrimonial e suas práticas agrícolas", explicou ao Terramérica a pesquisadora Micheline Cariño, da estatal Universidade Autônoma Califórnia Sul (UABCS). "São diversos entre si e seus problemas são diferentes, por isso devem ser tratados com muito cuidado", acrescentou.

É que os oásis são sistemas complexos. Afloramentos de água em zonas desérticas, com uma variedade própria de flora e fauna, o fator que o distingue é a presença hídrica natural. Os oásis proporcionam abrigo a espécies animais de zonas do norte e temperadas tropicais, e são estações de abastecimento de aves migratórias e pontos de atração para toda a fauna próxima. Não costumam ter mais do que dois quilômetros quadrados e neles são desenvolvidos cultivos de frutas e hortaliças "“ tâmara, uvas, cítricos, tomate e alface "“ e criação de vacas e cabras. Também contribuem para a captura de dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo aumento da temperatura do planeta.

O oásis e seus serviços econômicos e de sobrevivência em zonas áridas estão historicamente vinculados às culturas árabe e amazigh (bereber). Como locais físicos povoados, os oásis mexicanos foram estabelecidos por missionários jesuítas e "rancheiros" (fazendeiros), que trouxeram da Espanha essa tradição a partir do Século 17.

Micheline é fundadora da Rede Interdisciplinar para o Desenvolvimento Integral e Sustentável dos Oásis Sul-Californianos (Ridisos), formada em 2006 por cientistas da UABCS, do Centro de Pesquisas Biológicas do Noroeste, da norte-americana University of San Diego e das espanholas Universidade Miguel Hernández de Elche e Universidade de Granada, para estudar os pontos ambientais, culturais e sociais desses lugares.

Um artigo publicado em 2003 na revista Anais do Instituto de Biologia, da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), destaca a importância dos oásis "para as aves, tanto residentes, pois representam locais favoráveis para a permanência de espécies locais, como migratórias". O texto Observações recentes de aves no oásis de La Puríssima, Baixa Califórnia Sul, México, de pesquisadores da UABCS, informa sobre a observação de 60 espécies.

Na Baixa Califórnia Sul, o governo federal investe, desde 2011, US$ 45 milhões na proteção dessa riqueza natural. Contudo, são ecossistemas "pouco identificados. São reservatórios de muitas espécies e fornecem água de qualidade às comunidades", disse ao Terramérica o pesquisador Gerardo Rodríguez, do Instituto de Ecologia da UAM. Quando chove nessas zonas, as áreas baixas inundam. A água, ao se retirar, proporciona o surgimento de oásis que criam comunidades vegetais chamadas reténs, permitindo o surgimento de peixes, crustáceos e invertebrados.

"Acabam sendo o único lugar onde se mantêm certas espécies até a próxima época de chuvas", explicou Rodríguez, dedicado ao estudo dos ecossistemas que se formam nas terras baixas da Península de Yucatán, no sudeste da Cidade do México. Os oásis sofrem diversas ameaças. A população humana caminha para a falta de oportunidades produtivas. Chegam os investimentos turísticos e imobiliários. A água doce é superexplorada, corta-se as espécies florestais e se introduz espécies invasoras de peixes e plantas que acabam com as endêmicas.

Segundo Rodríguez, "a principal ameaça é o pouco planejamento do uso da água. Existe um consumo exagerado e não há nenhuma iniciativa para recargas ou tratamento". A Ridisos está concluindo uma pesquisa sobre o conhecimento, a valorização e o desenvolvimento sustentável dos oásis, centrada no município de Comondú, um dos mangues mais ameaçados da Baixa Califórnia Sul. É um dos 55 mangues inscritos na Convenção sobre Mangues de Importância Internacional, conhecida como Convenção de Ramsar, e conta com sete espécies de aves e 18 de répteis sob algum tipo de proteção nacional.

A estratégia governamental de "intervir aceleradamente não teve o efeito mais desejável para resolver a problemática concisa e precisa dos oásis. Não foi dado tempo para ser feito um diagnóstico sobre a situação de cada oásis e então definir a forma apropriada de intervir em cada um", afirmou Micheline. Os especialistas propõem definir e tipificar os oásis e elaborar um inventário. Além disso, também querem catalogar como patrimônio cultural e natural do México as regiões serranas da Baixa Califórnia Sul.

Emilio Godoy

Emilio Godoy es corresponsal de IPS en México, desde donde escribe sobre ambiente, derechos humanos y desarrollo sustentable. En el oficio desde 1996 y radicado en Ciudad de México, ha escrito para medios mexicanos, de América Central y de España.

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