Perguntas e Respostas: Aumentar as Oportunidades de Investimento em África

CIDADE DO CABO, África do Sul, 08/05/2012 – Três anos depois do início da crise económica mundial, que tem tido um impacto considerável no comércio, investimentos e produto interno bruto africanos, multiplicam-se as perspectivas de investimento. Segundo Nicky Newton-King, a primeira directora executiva da Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE), previamente dominada por homens, hoje em dia há amplas oportunidade de investimento em África.

"Existem muitas oportunidades interessantes. Não só na mineração mas também a nível das telecomunicações, banca, serviços de comunicações móveis, e TIC (Tecnologias de Informção e Comunicação). Isto deve-se ao facto desses investimentos poderem atravessar um enorme espaço sem necessidade de infraestruturas," afirmou Newton-King.

Quatro meses depois de ter sido nomeada directora da Bolsa de Valores, que existe há 123 anos, esta advogada de 44 anos, formada em Cambridge e na África do Sul, especialista em serviços financeiros, avança a sua opinião sobre as mais recentes oportunidades de investimento e riscos em África.

Seguem-se diversos excertos da entrevista:

P: Há oportunidades para que os países africanos, especialmente as nações que dependem de produtos de base, beneficiem da crise financeira?

R: Os mercados emergentes sentiram um impacto em dois sentidos. Depois de se terem inicialmente retirado dos mercados emergentes, os investidores chegaram à conclusão que, em última análise, os lucros que obtinham dos mercados emergentes eram mais elevados que os que obtinham nos seus respectivos mercados nacionais. Isso tornou o reinvestimento mais atraente.

P: Qual é o nível de estabilidade política que é necessário para atrair investimento estrangeiro?

R: Encontramo-nos numa situação de eleições contestadas. Isso quer dizer que as orientações políticas estão abertas ao diálogo. Da perspectiva do investidor, isso cria um enorme grau de incerteza. As pessoas não têm a certeza se querem fazer investimentos a longo prazo até estarem esclarecidas sobre o grau de fiabilidade do ambiente político específico.

Esta é uma questão relevante para nós na África do Sul, em África, e para nós como Bolsa de Valores. Por isso passamos muito tempo a falar com o governo e com os decisores políticos relevantes de modo a poderem tomar decisões sobre os princípios fundamentais da nossa orientação política, para que toda a gente possa relaxar e entrar na onda da certeza.

Por outro lado, há investidores que são bastante tolerantes quanto aos ambientes políticos. As pessoas investem no Zimbabué e no Cazaquistão porque, em última análise, o dinheiro tem importância.

P: Em Dezembro de 2010 a África do Sul foi convidada a juntar-se ao Brasil, Rússia, India e China (BRIC), o grupo de economias emergentes. Será que isso trouxe comércio adicional ao continente?

R: Certamente que vemos uma mudança a favor de relações Sul-Sul e Oriente-Sul, que se afasta do Ocidente. Os BRICS e oportunidades semelhantes vão desempenhar um papel mais importante nas nossas vidas em comparação ao passado. Esperamos ver maiores fluxos de investimento provenientes do Oriente e do Brasil. Alguns grandes bancos previram que em 2020, 40 por cento da riqueza mundial estará localizada nos países BRIC.

P: A Bolsa de Valores de Joanesburgo colabora com outras Bolsas de Valores africanas?

R: Existem 24 Bolsas de Valores no continente africano, mas só algumas têm 10 transações por dia (enquanto que a Bolsa de Valores de Joanesburgo tem pelo menos 120.000 transações diárias no seu mercado de valores). Somos o elefante no continente. Apesar disso, gostaria de ver um maior nível de cooperação.

Há boa comunicação entre as diferentes equipas de gestão de outras bolsas de valores africanas, por exemplo com a Nigéria e o Quénia. Estamos a trabalhar nalguns assuntos em termos da melhoria da cooperação, como a interligação de produtos e a partilha de tecnologia. Mas isso ainda não se traduziu em novos negócios.

P: Faz sentido criar uma única Bolsa de Valores africana?

R: Não é o nosso objectivo. Já assistimos a demasiadas outras tentativas, grandes fusões mundiais, que depois tiveram de enfrentar problemas de regulamentação transfronteiriça. Pensamos que podemos atingir os mesmos benefícios se estabelecermos rotinas cruzadas e mais oportunidades de diversificação de produtos. É para aí que os nossos esforços se dirigem.

P: Em 2009, a Bolsa de Valores de Joanesburgo lançou um Mercado Africano onde as grandes companhias africanas podem ser transaccionadas, como forma de promover o crescimento do mercado de capitais africano. Isso tem sido uma estratégia bem sucedida?

R: O Mercado Africano não atingiu o objectivo que queríamos obter. O que nós queríamos era criar um segmento de comercialização simplificado para exibirmos as companhias africanas, mas hoje em dia só temos 14 companhias africanas nesta lista. Esperamos obter mais mas vai demorar mais tempo.

P: Como se sente sendo a primeira mulher a dirigir a Bolsa de Valores de Joanesburgo?

R: É interessante. Há dezasseis anos, quando entrei para a Bolsa de Valores de Joanesburgo, tinha receio de entrar na sala de transacções porque era um local que metia medo a alguém que usava saias. Hoje, temos 500 pessoas a trabalhar na Bolsa e o rácio entre homens e mulheres é quase 50-50, e o meu gabinete é composto por sete mulheres e seis homens. Uma organização diversificada atrai maior diversidade. Há um enorme poder nisso.

Kristin Palitza

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