Hanói, Vietnã, 10/05/2012 – O Vietnã aparece como um exemplo em matéria de políticas sociais para tirar milhões de pessoas da pobreza e mostrar indicadores que levaram a cumprir outros Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Qualquer redução na produção de arroz no Vietnã poderá ter graves consequências nacionais e globais em matéria de segurança alimentar. - eutrophication&hypoxia/CC-BY-2.0
Este país de 86 milhões de habitantes, localizado na faixa costeira da península da Indochina, divide a vasta bacia do Rio Mekong com Birmânia, China, Camboja, Laos e Tailândia. As consequências cada vez mais graves da mudança climática estão fora do controle das autoridades do Vietnã e dependem da futura redução de gases contaminantes por parte das nações industrializadas, que foi acordada na Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática.
A Estratégia Nacional Contra a Mudança Climática, lançada em março, descreve este país como um dos "mais afetados. O delta do Mekong é um dos três mais vulneráveis do mundo, junto com os do Nilo e do Ganges". Até o final deste século, as temperaturas médias poderão aumentar em dois ou três graus, diz o documento, com grandes mudanças na frequência de chuvas, o que produzirá inundações devastadoras e secas. É possível que o nível do mar cresça entre 75 centímetros e um metro. "Aproximadamente 40% do delta do Mekong, 11% do Rio Vermelho, e 3% de outras regiões ficarão submersas, bem como 2% de Ho Chi Minh (capital comercial onde vivem sete milhões de pessoas) ficarão debaixo d'água", acrescenta o informe.
Qualquer redução na grande produção de arroz no delta do Mekong pode ter graves consequências nacionais e globais em matéria de segurança alimentar, pois o Vietnã é o segundo exportador desse grão, atrás da Tailândia. O informe do Banco Asiático de Desenvolvimento, Enfrentamento da mudança climática e as migrações na Ásia Pacífico, divulgado em março, prevê que 9,5 milhões de vietnamitas estarão vulneráveis à elevação do nível do mar em 2050.
O Ministério de Meio Ambiente e Recursos Naturais dirige a implantação das medidas. "A estratégia se centra na adaptação e mitigação, fixa metas de longo, médio e curto prazos e dez atividades vitais", disse Pham Van Tan, subdiretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional, desse Ministério. "As três etapas de ação objetivam um delicado equilíbrio entre adaptação e mitigação. A última se propõe a enfrentar o rápido crescimento das emissões de gases-estufa, previsto em consequência do ambicioso plano de industrialização do Vietnã. Também perseguiremos enfoques regionais com nossos vizinhos", explicou à IPS.
As atividades incluem o desenvolvimento de ações de amplo espectro em matéria de segurança alimentar e água, aumento do nível do mar e da cobertura florestal, uso de energias renováveis, redução de emissões contaminantes e promoção de capacidades de adaptação, bem como o desenvolvimento científico e tecnológico. As províncias e cidades devem desenvolver seus próprios planos, em coordenação com objetivos nacionais e envolver o setor privado e a sociedade civil.
O apoio de longo prazo de doadores internacionais é considerado fundamental para o sucesso da estratégia. "Como o Vietnã se converteu em um país de renda média, o apoio internacional diminuirá e a cooperação acontecerá em um contexto no qual todos ganham", diz o documento. Com sorte aparecerão "novas formas de financiamento e mecanismos de transferência de tecnologia dos países ricos", acrescenta.
"Um grupo de apoio de doadores (formado por países e instituições multilaterais), criado em 2008 para interagir com o governo e coordenar nossas ações, é dirigido pela Alemanha e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, explicou Juergen Hesse, diretor do Programa de Recursos Naturais, da agência de cooperação alemã GIZ no Vietnã.
"A GIZ coopera com vários doadores, com o Fundo Monetário Internacional e a União Internacional para a Conservação da Natureza na proteção de áreas no delta do Rio Mekong, a fim de restaurar e ampliar o cinturão de mangues e melhorar os diques existentes, além de determinar os principais pontos de erosão, onde será preciso construir novos", disse Hesse à IPS.
Por sua vez, o diretor do Centro de Resiliência à Mudança Climática, Vu Trung Kien, destacou à IPS que "organizações não governamentais, vietnamitas e estrangeiras, trabalham há muito tempo para frear os efeitos da mudança climática em projetos no terreno".
O governo reconheceu que suas medidas para conter o aquecimento global somente terão sucesso no contexto de uma "economia verde", de uma drástica mudança em relação às políticas de crescimento que destroem o meio ambiente, as quais foram posteriores à unificação do país, em meados da década de 1970, depois do fim da guerra contra os Estados Unidos.
A Estratégia Nacional de Crescimento Verde, promovida pelo primeiro-ministro, Nguyen Tan Dung, será lançada, possivelmente, a tempo para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá de 20 a 22 do mês que vem, no Rio de Janeiro.
Como assinala de forma contundente a estratégia contra o aquecimento global, "a conscientização da população em matéria de mudança climática continua baixa e tendenciosa: muita atenção para os efeitos adversos e muito pouca para as mudanças na produção e nos comportamentos de consumo com vistas a um crescimento verde com poucas emissões de dióxido de carbono". Envolverde/IPS

