RIO+20: Índios marcham no Rio e protestam contra o BNDES

Rio de Janeiro, Brasil, 20/06/2012 – O alvo foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). É porque financia as hidrelétricas que estão desgraçando a vida dos índios, justificou Renato Nambikwara, do Mato Grosso.

Indígenas marcham no Rio de Janeiro em protesto contra hidrelétricas na Amazônia. - Mário Osava

Indígenas marcham no Rio de Janeiro em protesto contra hidrelétricas na Amazônia. - Mário Osava

Mais de 500 índios marcharam pelas ruas centrais do Rio de Janeiro, na manhã de segunda-feira, partindo do Aterro do Flamengo, onde ocupam uma das tendas da Cúpula dos Povos, e culminando na sede do BNDES. Não foram recebidos pela direção, mas protestaram contra os grandes projetos apoiados pelo banco.

Demarcação das terras indígenas, não ao etnocídio e às hidrelétricas diziam alguns dos cartazes.

As barragens que estão obstruindo os rios Juina e Juruena são a principal ameaça aos índios da região em que se localiza a Terra Indígena Nambikwara, em que vivem 1.250 pessoas, no centro-oeste do Mato Grosso, explicou Renato que veio ao Rio de Janeiro participar da conferencia Rio+20.

Muitas pequenas centrais já foram construídas ou estão planejadas para os rios Juina e Juruena, cujas aguas engrossam o Tapajós, um dos grandes afluentes do Amazonas onde também se prevê construir cinco hidrelétricas, neste caso grandes, dentro de alguns anos.

Além disso, a lavoura de soja, algodão e outras monoculturas apertam o cerco aos índios, fazendo desaparecer a pesca, a anta e outros animais que compõem a alimentação tradicional.

Represas são, também, grandes inimigas para Ivan Bribis, da reserva Apucarana do povo Kaingang, perto de Londrina, no Paraná. O Rio Tibagi, que cruza a região rumo ao Paranapanema, na fronteira entre os estados do Paraná e São Paulo, já tem a Usina Mauá, com capacidade de 361 megawatts. Outra de tamanho similar é o próximo projeto e há propostas de se construir ali uma sequência de sete ou oito barragens.

O Tibagi praticamente deixará de ser um rio, já que sua extensão se limita a 550 quilômetros, temem os índios.

A luta pela terra é outra bandeira de Apucarana. A reserva só tem 5.600 hectares e 80 por cento é de proteção permanente, deixando pouca terra para os 1.700 habitantes. A extensão original, há 60 anos, era dez vezes maior. "Houve um erro de demarcação", segundo Ivan, e a luta é para recuperar a área que consta dos documentos históricos.

O BNDES se tornou inimigo dos índios ao financiar hidrelétricas e também a produção de etanol, através das monoculturas de cana de açúcar que também prejudicam as terras indígenas, completou. c222 Índios marcham no Rio e protestam contra o BNDES

Na manifestação, que percorreu cerca de dois quilômetros, estava também a missionária equatoriana Nancy Oliva, que está no Brasil há seis anos, pela Congregação Laurita, apoiando os índios Xavante, também no Mato Grosso.

É importante a presença na Cúpula dos Povos, o encontro da sociedade civil da conferencia Rio+20 da ONU, para defender os direitos dos índios pela sua própria voz, em diálogo com outros povos, avaliou a religiosa católica. "Brasil é um país rico em natureza, terras", mas isso não se estende aos índios.

"O desenvolvimento acelerado não considera os seres humanos", as hidrelétricas lhes tiram o peixe, vital para a alimentação indígena. Para piorar uma ferrovia cruzará a terra Xavante, onde a falta de atenção médica obriga a levar crianças a cidades distantes. "Elas não regressam ou voltam no caixão", lamentou a missionária. (IPS/TerraViva)

* Publicado originalmente no site TerraViva.

Mario Osava

El premiado Chizuo Osava, más conocido como Mario Osava, es corresponsal de IPS desde 1978 y encargado de la corresponsalía en Brasil desde 1980. Cubrió hechos y procesos en todas partes de ese país y últimamente se dedica a rastrear los efectos de los grandes proyectos de infraestructura que reflejan opciones de desarrollo y de integración en América Latina. Es miembro de consejos o asambleas de socios de varias organizaciones no gubernamentales, como el Instituto Brasileño de Análisis Sociales y Económicos (Ibase), el Instituto Fazer Brasil y la Agencia de Noticias de los Derechos de la Infancia (ANDI). Aunque tomó algunos cursos de periodismo en 1964 y 1965, y de filosofía en 1967, él se considera un autodidacto formado a través de lecturas, militancia política y la experiencia de haber residido en varios países de diferentes continentes. Empezó a trabajar en IPS en 1978, en Lisboa, donde escribió también para la edición portuguesa de Cuadernos del Tercer Mundo. De vuelta en Brasil, estuvo algunos meses en el diario O Globo, de Río de Janeiro, en 1980, antes de asumir la corresponsalía de IPS. También se desempeñó como bancario, promotor de desarrollo comunitario en "favelas" (tugurios) de São Paulo, docente de cursos para el ingreso a la universidad en su país, asistente de producción de filmes en Portugal y asesor partidario en Angola. Síguelo en Twitter.

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