Rio de Janeiro, Brasil, 21/06/2012 – O conjunto dos oito maiores bancos de desenvolvimento do mundo anunciaram, nessa quarta-feira, dia 20 de junho, um investimento inédito de U$S 175 bilhões em projetos de sistemas de transportes sustentáveis.
"Pela primeira vez, organismos multilaterais oferecem ajuda para investir na área de mobilidade em países em desenvolvimento. É uma iniciativa pioneira que substitui a visão de desenvolvimento tradicional que investia em rodovias em prol de um desenvolvimento social e equitativo. A comunidade internacional nunca tinha se comprometido em investir recursos deste porte", disse à IPS Ramon Cruz, gerente executivo do programa de sustentabilidade do Instituto para Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP, na sigla em inglês).
Os compromissos voluntários são resultado da campanha 'Parceria sobre Transportes Sustentável de Baixo Carbono' (SloCaT, em inglês), através de uma pareceria internacional que reúne o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT), organizações não governamentais como o ITDP, empresas e bancos de desenvolvimento multilateral (MDBs).
A campanha SLoCaT foi criada em 2009 para defender o transporte sustentável de baixo carbono. No total, foram assumidos 16 compromissos voluntários sobre o transporte sustentável por 13 organizações. Na lista das instituições financeiras estão o Banco Asiático de Desenvolvimento, o Banco Africano, assim como o Banco Interamericano, o Banco Mundial e o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento.
"Só o Banco Asiático, na última década, realizou 80% de seus investimentos em rodovias e apenas 2% para transporte sustentável. A grande novidade é que estes bancos estão enfocando no transporte público e de massa ", argumentou Ramon Cruz.
Segundo o gerente do ITDP, um dos grandes desafios para a economia verde é promover uma mobilidade integrada com sistemas de transporte intermodal com corredores de ônibus (BRT – Bus Rapid Transit) e sistemas intermodais de transporte interligando trens, metrô e ciclovias, especialmente nas economias emergentes.
"Esta é uma forma eficiente se um país quer reduzir as suas emissões de carbono e contribuir para evitar as mudanças climáticas. Pensar num mundo mais sustentável é preciso pensar nos centros urbanos", destacou Cruz.
Nas cidades, a maior parte das viagens diárias de seus moradores é de 2 km e podem ser perfeitamente feitas em bicicleta. "As cidades devem incluir o pedestre. A gente quer uma cidade que o pedestre possa desfrutar", salientou.
Ramon Cruz defende ainda que os centros urbanos tracem estratégias de mobilidade a partir de suas demandas e carências.
O rápido ritmo de urbanização do mundo inteiro está transformando o setor de transportes. Enquanto a América Latina é uma região altamente urbanizada, as cidades da África e especialmente da Ásia continuam a explodir em tamanho e em adensamento urbano.
A previsão, segundo a SloCaT, é de que somente China e Índia incluirão 500 milhões de pessoas à sua população urbana nos próximos 20 anos. Essa expansão exigirá sistemas de transportes que possam prevenir ou controlar os padrões de expansão desordenada e o congestionamento e garantir um acesso adequado a bens e serviços.
"Este enorme compromisso com relação aos transportes é uma importante contribuição para colocar em funcionamento esforços colaborativos de financiamento de longo prazo e podem ajudar a uma implementação eficaz e mensurável das metas de desenvolvimento sustentável", afirmou Brice Lalonde, um dos dois coordenadores executivos da Conferência Rio+20. (TerraViva)
* Publicado originalmente no site TerraViva. (IPS)


