AMBIENTE: "Não há futuro sem oceanos"

Nações Unidas, 09/07/2012 – Quando a Coreia do Sul, uma das potências emergentes da Ásia, decidiu organizar a mostra internacional Expo 2012, na cidade costeira de Yeosu, escolheu um tema que esteve no topo da agenda na recém-concluída Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20): os oceanos.

A vida marinha é tema central da Expo 2012. - Living Oceans Foundation

A vida marinha é tema central da Expo 2012. - Living Oceans Foundation

Toda a mostra, que acontece até 21 de agosto, se concentra na proteção dos recursos marítimos do mundo e em problemas como sobrepesca, contaminação química e aquecimento dos oceanos. Por acidente ou deliberadamente, este foi um dos poucos temas onde houve certo avanço na Rio+20.

Nathalie Rey, assessora política sobre oceanos da organização Greenpeace Internacional, disse à IPS que um dos poucos resultados dessa conferência foi um consenso para elaborar um plano de resgate dos mares abertos. "Diante dos sinais de alarme dados por cientistas sobre a necessidade de proteger os oceanos, a Rio+20 os apagou, ao aceitar uma iniciativa para trabalhar por um acordo no contexto da Organização das Nações Unidas (ONU) destinado a proteger a vida marinha em alto mar", explicou.

O maciço apoio da maioria de países – incluindo Brasil, África do Sul, Argentina, as ilhas do Pacífico e alguns membros da União Europeia – a esta iniciativa não foi suficiente para enfrentar a oposição de um punhado de nações, acrescentou Rey à IPS. Essa oposição esteve liderada pelos Estados Unidos, com apoio de Canadá, Rússia, Japão e Venezuela. Estes países conseguiram bloquear o acordo no Rio de Janeiro, afirmou. Em lugar de adotar um acordo na própria conferência, os governos adiaram a decisão para dentro de dois anos e meio, deixando-a nas mãos da Assembleia Geral da ONU.

"Cada dia atrasamos um acordo para resgatar os oceanos, e os levamos a pontos críticos, prejudicando a saúde e o futuro de milhões de pessoas que dependem deles para comer e trabalhar", afirmou Rey. Essas nações que colocaram obstáculo ao acordo no Rio de Janeiro deveriam deixar de defender interesses econômicos de curto prazo e unir-se ao resto do mundo nos esforços para proteger os mares abertos e dessa forma beneficiar as futuras gerações, destacou Rey.

No pavilhão da ONU em Yeosu, cerca de 20 de suas agências e organizações internacionais expõem seu trabalho coletivo para ajudar a proteger os oceanos e os recursos marítimos do planeta. Sob o tema Oceanos e Costas: Conectando nossas Vidas, Assegurando nosso Futuro, as Nações Unidas destacam as várias contribuições feitas pela vida marinha aos seres humanos, incluindo a biodiversidade, a segurança alimentar e a energia renovável. "O que sabemos é que os oceanos são frágeis e que há muitos sinais de que os ecossistemas marinhos estão sofrendo uma mudança ambiental sem precedentes devido às atividades humanas e à mudança climática", alerta a ONU.

O percurso pelo pavilhão do fórum mundial termina com o Muro das Promessas, onde os visitantes podem deixar concretamente seu compromisso de proteger os oceanos e as costas da Terra. Enquanto isso, em uma declaração emitida ao fim da Rio+20, a Aliança para Alto Mar destacou que os oceanos receberam "um nível de atenção sem precedentes durante a conferência no Rio de Janeiro, convertendo-se em um dos temas de maior visibilidade e a última parte do texto a ser resolvida".

Em contraste com a Cúpula da Terra, realizada também no Rio de Janeiro em 1992, a atenção no mês passado foi significativamente maior e motivou um acalorado debate nas negociações. "Alguns dos resultados sobre oceanos foram positivos, enquanto outros ficaram curtos com relação ao que os cientistas marinhos e ativistas esperavam. Entretanto, foi um ano de avanços para a conservação de 70% de nosso planeta", enfatizou a Aliança.

Embora grande parte do texto seja uma reafirmação de compromissos já existentes, Susanna Fuller, coordenadora da Aliança pontuou que, "se a Rio+20 não conseguir mais nada, ao menos marcará o fim das promessas vazias e o começo de uma ação forte em matéria de oceanos". A Aliança identificou seis ações cruciais em níveis nacional e internacional. Estas são: cumprir uma resolução da ONU contra a pesca de arrasto, acabar com a sobrepesca, suspender as capturas em algumas zonas até que sejam renovadas as existências, obrigar os órgãos regionais de pesca a prestarem contas perante a ONU, eliminar em nível nacional os subsídios à pesca industrial, fechar portos onde são feitas capturas ilegais e criar áreas protegidas.

O professor Alex Rogers, do Programa Internacional sobre o Estado dos Oceanos, afirmou que "nunca teremos o futuro que queremos sem os oceanos que necessitamos. Temos que usar a Rio+20 para traçar uma ponte entre o discurso e a ação. Todas essas decisões são urgentes e importantes, e são medidas que mudam o jogo e devem ser implantadas de imediato pelos governos". Envolverde/IPS

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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