ONU declara guerra a piratas

Nações Unidas, 13/08/2012 – A Organização das Nações Unidas (ONU) defende a proteção dos oceanos, e sua agenda política agora vai além da luta contra a contaminação, a mudança climática, a sobrepesca e o aumento do nível do mar. "Também estamos falando sobre a pirataria em mares abertos e sobre os crescentes conflitos nas fronteiras marítimas", disse um funcionário da ONU. Como a pirataria continua aumentando, as Nações Unidas agora promovem uma cúpula de líderes da África ocidental destinada a analisar os crimes marítimos cometidos no Golfo da Guiné. Com apoio da Comunidade Econômica da África Ocidental (Ecowas), formada por 15 países, a reunião acontecerá no final deste mês.

Uma missão especial da ONU para estudar o fenômeno da pirataria, cujos membros visitaram Angola, Benim, Gabão e Nigéria no ano passado, recomendou que a cúpula sobre segurança marítima fosse realizada "o mais rápido possível para desenvolver uma estratégia completa". Segundo a Organização Marítima Internacional (OMI), os incidentes de pirataria aumentaram de 45 em 2010 para 64 no ano passado. A preocupação sobre a segurança marítima aumenta em meio a uma crescente disputa entre China e seus vizinhos sobre as ilhas Paracel e Spratly, no Mar da China Meridional.

O diretor de Assuntos Políticos da Ecowas, Abdel Fatau Musah, disse que a redução da pirataria em Benim, o país mais afetado do grupo, não significa necessariamente que tenham diminuído os crimes em alto mar no geral. O fenômeno se propagou rapidamente em outros países da região, alertou. Só no ano passado aconteceram 18 ataques na Costa do Marfim, Gana, Guiné e Nigéria. Musah afirmou em recente reunião do Conselho de Segurança da ONU que a pirataria está se mesclando com outras formas de crime organizado, como apropriação de petróleo, roubos no mar, terrorismo, tomada de reféns, tráfico de drogas e de pessoas.

A pirataria constou da agenda da conferência que a ONU realizou ontem para celebrar o 30º aniversário da Convenção sobre o Direito do Mar. Os debates foram presididos pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. O encontro coincidiu com o encerramento da mostra internacional Expo 2012, na cidade costeira sul-coreana de Yeosu. O tema da exposição foi a proteção dos oceanos e dos recursos marítimos.

O representante permanente da Índia na ONU, Singh Puri, disse à IPS que seu país esteve na vanguarda, alertando sempre sobre a "ameaça diante da costa da Somália", e afirmou estar preocupado com a pirataria no Golfo da Guiné. "Embora as duas situações sejam bastante diferentes em proporções, a falta de uma ação decisiva da comunidade internacional contra a pirataria diante da costa da Somália pode ter permitido o surgimento da pirataria no Golfo da Guiné", acrescentou. Ao falar na reunião do Conselho de Segurança, o enviado indiano enfatizou que "chegou o momento de o Conselho voltar sua atenção para traduzir isto em um plano concreto de ação".

Segundo Puri, a pirataria diante da costa africana reflete a instabilidade dominante na região e o alcance que tem o terrorismo organizado e os grupos criminosos. E observou que os piratas atacam barcos transportando substâncias químicas, bem como plataformas petroleiras no Golfo da Guiné, e cometendo uma forte violência contra suas vítimas. A região, pontuou, produzia mais de cinco milhões de barris diários de petróleo e três quartos da oferta mundial de cacau. Assim, os ataques piratas afetam a emergente indústria petroleira regional, bem como o comércio e o tráfego marítimo em geral.

Em uma resolução adotada em dezembro passado, a Assembleia Geral reconhece o papel crucial da cooperação internacional para combater as ameaças à segurança marítima, como a pirataria. A resolução também reconhece a necessidade de mecanismos bilaterais e multilaterais para vigiar, prevenir e responder a essas ameaças, e ainda destaca a importância de julgar os responsáveis de acordo com as leis nacionais correspondentes.

Lynn Pascoe, secretário-geral para Assuntos Políticos, disse em uma reunião do Conselho de Segurança em fevereiro: "Devemos dar passos concretos para erradicar a pirataria no Golfo da Guiné, pois constitui uma clara ameaça à segurança e ao desenvolvimento econômico dos Estados da região". Atualmente, ao menos três organizações (OMI, Escritório Marítimo Internacional, Escritório para Supervisionar o Acordo de Cooperação Regional sobre o Combate à Pirataria e aos Roubos Armados Contra Embarcações na Ásia) coordenam esforços para reunir e compartilhar informação. Envolverde/IPS

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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