O mundo perdeu a paz nos últimos cinco anos

Washington, Estados Unidos, 13/06/2013 – O mundo está menos pacífico hoje do que há cinco anos, segundo a edição 2013 do Índice de Paz Mundial (GPI).

O Paquistão foi um dos países mais violentos. - Ashfaq Yusufzai/IPS

O Paquistão foi um dos países mais violentos. - Ashfaq Yusufzai/IPS

O estudo feito pelo Instituto para a Economia e a Paz também concluiu que, no ano passado, a situação se deteriorou sobretudo devido à intensificação do conflito na Síria, ao crescente número de homicídios, particularmente no México, na América Central e na África subsaariana, e ao aumento do gasto militar em muitos países.

Liderada por Islândia, Dinamarca e Áustria, a Europa continuou sendo em 2012 a região mais pacífica do mundo, enquanto a Ásia meridional foi a menos pacífica, afetada em particular pelo Afeganistão, país que ficou em último lugar entre os 162 estudados pelo GPI, e pelo Paquistão, em 157º lugar. As nações do Oriente Médio também ficaram no fim da lista, devido ao conflito na Síria (160º lugar), à violência sectária no Iraque (159º), ao contínuo conflito no Iêmen (152º) e à guerra de Israel (150º) contra o Hamás (Movimento de Resistência Islâmica) e seu aumento com o gasto militar.

O GPI deste ano, divulgado no dia 11, também indica que o impacto da violência na economia internacional (em termos de orçamentos de defesa e segurança interna) foi de US$ 9,5 trilhões em 2012. Esse valor equivale a 11% do produto interno bruto ( PIB) mundial, quase o dobro da produção total de alimentos do planeta. "Se o mundo reduzisse seu gasto com violência em aproximadamente 50%, seria possível pagar a dívida do Sul em desenvolvimento, fornecer dinheiro suficiente para a estabilidade europeia e financiar a quantia extra necessária para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio", afirma o estudo.

O informe também descobriu uma correlação entre o impacto da crise financeira mundial de 2008 e a perda de paz. "Os cortes nos serviços públicos e nas proteções sociais, somados a um crescente desemprego, levaram ao aumento das manifestações violentas, dos crimes violentos e da percepção da criminalidade em muitos países", segundo o documento de 101 páginas.

O GPI, baseado em 22 indicadores sobre violência ou medo da violência, é compilado por várias universidades e instituições que mantêm avaliações e estatísticas relevantes, que vão desde a Economist Intelligence Unit (EIU) e o Banco Mundial, até o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo e a Anistia Internacional. São considerados indicadores relevantes à paz interna, o número de homicídios e de oficiais de segurança e policiais para cada cem mil habitantes, bem como o nível de instabilidade política e de atividade terrorista calculado pela EIU.

Também são consideradas variáveis de paz exterior, como o tamanho do orçamento militar do país, o número de militares para cada cem mil habitantes, suas transferências de armas e a quantidade de conflitos externos nos quais esse Estado se envolve. Os dez países mais pacíficos no último ano foram Islândia, Dinamarca, Áustria, Nova Zelândia, Suíça, Japão, Finlândia, Canadá, Suécia e Bélgica. Os menos pacíficos foram Afeganistão, Somália, Síria, Iraque, Sudão, Paquistão, República Democrática do Congo, Rússia, Coreia do Norte e República Centro-Africana. Os Estados Unidos ficaram em 99º lugar, logo à frente da China na 100ª posição.

A grande disparidade entre Estados Unidos e Canadá, os dois vizinhos da América do Norte, se explica pela alta taxa de encarceramentos do primeiro país, suas grandes e ativas forças armadas, seu envolvimento em conflitos externos, sua alta taxa de homicídios e a facilidade de sua população no acesso a armas pequenas. Embora o orçamento norte-americano em defesa tenha baixado significativamente, continua sendo maior do que pelo menos uma dezena das outras principais potências militares do mundo.

Nova Zelândia (3º) e Japão (6º) foram os países da região da Ásia Pacífico melhor situados no GPI, enquanto a Coreia do Norte (154º) foi o pior. Pyongyang tem a maior taxa de encarceramento, e de longe a maior proporção de gasto militar em relação ao seu PIB. Na América Latina e no Caribe, os países com melhor colocação foram Uruguai (24º), Chile (31º) e Costa Rica (40º), enquanto os piores colocados foram Honduras (123º), Venezuela (128º), México (133º) e Colômbia (147º).

Os países mais pacíficos da África subsaariana foram Maurício (21º), Botswana (32º) e Namíbia (46º). As maiores potências econômicas do continente, África do Sul e Nigéria, ficaram nas colocações 121 e 148, respectivamente. Os maiores progressos no último ano foram registrados na Líbia (145º), no Sudão (158º), Chade (138º), Cazaquistão (78º) e na Índia (141º), enquanto os maiores retrocessos aconteceram em Ucrânia (111º), Peru (113º), Burkina Faso (87º), Costa do Marfim (151º) e Síria (160º).

O estudo constatou que, desde 2008, 48 países ficaram mais pacíficos, enquanto 110 foram na direção oposta. Em nível regional, a maior deterioração aconteceu nas antigas repúblicas soviéticas e também no Oriente Médio e norte da África, particularmente nos últimos três anos, com a chegada da Primavera Árabe. Envolverde/IPS

* O blog de Jim Lobe sobre política externa dos Estados Unidos pode ser lido aqui.

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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