Rumo a um centro de coordenação informativa sobre governança mundial

UN building Rumo a um centro de coordenação informativa sobre governança mundial

A cobertura que a IPS faz sobre a ONU e sua agenda social e econômica é reconhecida como excepcional no cenário internacional da mídia. Foto: CC BY 2.0

Esse é o segundo de uma série de artigos especiais sobre a fundação da agência Inter Press Service (IPS), em 1964, mesmo ano em que nasceram o Grupo dos 77 e a Unctad.

Berlim, Alemanha e Roma, Itália, 1/9/2014 – A agência de notícias Inter Press Service (IPS) sofreu graves ataques políticos e tempestades financeiras desde 1964, quando Roberto Savio e Pablo Piacentini assentaram as bases deste sistema de informação e de comunicação singular e desafiante. Cinquenta anos depois, a IPS continua proporcionando notícias e análises em profundidade, de jornalistas de todo o mundo, sobretudo dos países do Sul, algo que se distingue do que é oferecido pelos meios de comunicação comuns.

As notícias com escassa ou nula atenção da mídia constituem o núcleo da cobertura da IPS. Os artigos de opinião de centros de pesquisa e instituições independentes melhoram o espectro e a qualidade do que esta agência oferece.

Enquanto os meios de comunicação social transformam o entorno das comunicações, a IPS está decidida a consolidar seu singular nicho de mercado e adequar sua oferta para adaptar-se às mudanças em curso, sem deixar de ser fiel à sua vocação inicial: fazer um esforço concertado para corrigir o desequilíbrio sistemático da corrente de informação entre o Sul e o Norte, dar voz ao primeiro e promover o entendimento e a comunicação entre ambos. Em resumo, nada menos do que colocar o mundo de ponta-cabeça.

O 50º aniversário coincide com a decisão da IPS de fortalecer a cobertura a partir de cidades estratégicas da Organização das Nações Unidas (ONU), como Nova York e Viena, mas também de Genebra e Nairóbi, capital do Quênia, único país da África onde se encontra a sede de uma importante agência da ONU, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Estes 50 anos também se associam a uma nova etapa na vida da IPS, representada não apenas pelos desafios que surgem pelo rápido avanço das tecnologias da comunicação e da informação, mas também pela globalização e a crise financeira mundial. Esta última causa profundas desigualdades sociais e maiores desequilíbrios nas relações internacionais. Portanto, estes fatos se converteram em prioridades temáticas da cobertura da IPS.

As consequências do “turbocapitalismo”, que permite que o capital financeiro prevaleça sobre os demais aspectos da vida social e pessoal, e que marginalizou uma grande quantidade de pessoas nos países que constituem o Sul em desenvolvimento, são um importante ponto de enfoque.

A IPS tem uma comprovada experiência na cobertura de assuntos que afetam milhões de seres humanos marginalizados, dando voz a quem não a tem, e em fornecer informação sobre o profundo processo de transição que a maioria dos países do Sul e alguns do Norte experimenta. Esta forma mais recente de capitalismo não só provocou a demissão de trabalhadores e catapultou suas famílias à agonia da miséria, como também devastou o ambiente e agravou o impacto climático, que também faz estragos nos povos autóctones.

A IPS também informa sobre a importância crítica da cultura da paz e assinala os perigos de todas as formas de militarismo. Um Memorando de Entendimento entre a IPS e a Aliança de Civilizações da ONU proporciona um marco importante para os seminários destinados a sensibilizar os meios de comunicação na cobertura dos conflitos interculturais.

As armas nucleares, que provocaram destruição em massa em Hiroxima e Nagasaki há 60 anos, representam uma das piores formas do militarismo. A IPS oferece notícias e análises, bem como opiniões, sobre a continuidade dos esforços internacionais para proibir a bomba atômica. Esta ênfase temática gerou reações positivas de leitores individuais, especialistas e instituições relacionadas com a abolição e o desarmamento nuclear.

Como a globalização impregna até os rincões mais remotos do planeta, a IPS informa sobre a necessidade da educação para a cidadania mundial e o desenvolvimento sustentável, destacando os esforços internacionais nesse sentido, como a Iniciativa Mundial pela Educação Antes de Tudo, da ONU.

A IPS informa sobre as iniciativas destinadas a garantir que a educação para a cidadania mundial se reflita nos processos de formulação de políticas intergovernamentais, tais como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a agenda para o desenvolvimento posterior a 2015.

Os artigos da IPS acentuam a importância do multilateralismo no contexto, frequentemente ignorado, da verdadeira governança mundial. Não é de estranhar, portanto, que a cobertura que esta agência faz da ONU e de sua agenda social e econômica seja reconhecida como excepcional no cenário internacional da mídia.

Isto é particularmente importante porque IPS alcançou uma encruzilhada no caminho, representada pela crise financeira, que, ao que parece, é uma das mais severas que esta agência já experimentou. Mas, graças ao compromisso inquebrantável da “família IPSica”, a organização exibe a resiliência necessária para vencer o desafio e refutar os que a veem encaminhada a um beco sem saída.

A IPS se posiciona claramente como um canal de comunicação e informação de apoio à governança mundial em todos os seus aspectos, privilegiando as vozes e as preocupações dos mais pobres e a criação de um clima de entendimento, prestação de contas e participação em torno do desenvolvimento e da promoção de uma nova ordem internacional para a informação entre o Sul e o Norte.

A IPS possui a infraestrutura e os recursos humanos necessários para facilitar a arquitetura organizacional de um centro de coordenação da informação centrado na “governança mundial”. Seja a cultura da paz, o empoderamento da cidadania, os direitos humanos, a igualdade de gênero, a educação e o aprendizado, o desenvolvimento ou o ambiente, tudo isso contribui para o desenvolvimento da sociedade, que por sua vez conduz a governança mundial.

Para aproveitar todo o potencial das ferramentas de comunicação e informação é indispensável um apoio financeiro suficiente. Do plano local ao mundial, os projetos que se ajustam à missão da IPS, ou seja, fazer com que a comunidade internacional escute os que não têm voz, são uma forma de conseguir fundos.

Mas, já que os projetos por si só não garantem a sustentabilidade de uma organização, a IPS explora novas fontes de financiamento: o patrocínio de leitores individuais e de instituições, governos ilustrados e organismos intergovernamentais, bem como de organizações da sociedade civil e de empresas que cumprem os dez princípios do Pacto Mundial da ONU nas áreas de direitos humanos, trabalho, ambiente e luta contra a corrupção, que gozam do consenso universal. Envolverde/IPS

* Ramesh Jaura é diretor-geral e coordenador editorial da IPS desde abril deste ano.

Ramesh Jaura

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