Combate à pobreza rural

Mulheres trabalham a terra no Estado de Telangana, sul da Índia. Foto: Stella Paul/IPS

Mulheres trabalham a terra no Estado de Telangana, sul da Índia. Foto: Stella Paul/IPS

Por Thalif Deen, da IPS – 

Nações Unidas, 27/11/2015 – Os 48 países menos adiantados (PMA) – que, com seus 932 milhões de habitantes, são considerados os mais pobres entre os pobres – travam uma batalha sem quartel contra o aumento da pobreza rural. Mais de dois terços de sua população vive no meio rural, e 60% trabalha na agricultura.

Por essa razão é necessário introduzir mudanças estruturais centradas na luta contra a pobreza, segundo um informe da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), com sede em Genebra, na Suíça, divulgado no dia 25. “Isso significa desenvolver as sinergias entre a modernização da agricultura e a diversificação da economia rural”, afirma a publicação.

O Informe Sobre os Países Menos Adiantados 2015 da Unctad, que tem o subtítulo Como Transformar as Economias Rurais, apresenta um mapa do caminho para abordar a pobreza rural, a falta de progresso na transformação do meio e as causas fundamentais da migração interna e externa dos PMA. A migração dos pobres do meio rural para o urbano fomenta a urbanização excessiva em muitos dos 48 PMA, enquanto muitos dos imigrantes internacionais procedem de zonas rurais, de acordo com a Unctad.

O tema do Dia Mundial da Alimentação, celebrado em outubro, foi a “proteção social e a agricultura: romper o ciclo da pobreza rural”, em linha com o informe anual da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Estado da Alimentação e da Agricultura, que defende “investimentos privados e públicos e proteções sociais para a população pobre rural”.

As mulheres rurais, que em sua maioria depende dos recursos naturais e da agricultura para sua subsistência, são mais de 25% da população mundial, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Nos países em desenvolvimento, elas representam cerca de 43% da força de trabalho agrícola, e produzem, processam e preparam grande parte dos alimentos disponíveis, o que as converte nas principais responsáveis pela segurança alimentar.

Considerando que 76% dos habitantes em situação de pobreza extrema vivem em zonas rurais, as mulheres desse meio são fundamentais para o cumprimento da nova agenda de desenvolvimento sustentável até 2030, segundo a ONU. A erradicação da pobreza até essa data é uma das principais metas dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) adotados por governantes de todo o mundo em setembro deste ano.

Gauri Pradhan, coordenador internacional da LDC Watch, uma aliança de organizações não governamentais focadas nos PMA, afirmou à IPS que a forma como os ODS forem aplicados é fundamental para a transformação da economia rural e a melhora da capacidade produtiva nos países pobres. O ODS número 2 – que busca “pôr fim à fome, conseguir a segurança alimentar e a melhora da nutrição e promover a agricultura sustentável” – reconhece esse fator e, por isso, “é imperativo termos cooperação internacional e medidas nacionais eficazes que se centrem” nos PMA, destacou.

Dos 48 PMA, 34 estão na África, entre eles Benin, Burkina Faso, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Etiópia, Gâmbia, Sudão e Uganda. Desde que a Assembleia Geral da ONU adotou a categoria dos PMA, em 1971, apenas quatro conseguiram deixá-la e passar a serem considerados países em desenvolvimento com base em seu desempenho econômico: Botsuana, em 1994, Cabo Verde, em 2007, Maldivas, em 2011, e Samoa, em 2014. Para os próximos anos espera-se que ao menos mais dois países, Guiné Equatorial e Vanuatu, deixem a lista dos PMA devido a um melhor desenvolvimento econômico.

A Unctad recomenda dar mais importância às atividades rurais não agrícolas, em lugar de se concentrar em aumentar a produtividade agrícola, bem como no aumento da produtividade dos produtos agrícolas de maior valor. Desde 2012, o crescimento econômico dos PMA seguiu em desaceleração e chegou a 5,5% em 2014, contra 6,1% no ano anterior.

Demba Dembele, presidente da LDC Watch, radicado no Senegal, pontuou à IPS que o informe da Unctad é divulgado em um momento em que as políticas agrícolas e os assuntos migratórios são uma prioridade na agenda africana. Nesse sentido, lembrou que recentemente aconteceu uma conferência do Banco de Desenvolvimento Africano sobre políticas agrícolas, e uma cúpula da África e União Europeia sobre migração. “Dessa forma, espera-se que este informe dê orientação sobre como tratar com maior eficácia essas questões, em particular na África”, enfatizou. Envolverde/IPS

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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