Ambiente: Médicos cubanos contra furacões

Havana, 21/09/2005 – O contingente internacional de médicos especializados em situações de desastres naturais e epidemias criado por Cuba poderia fortalecer os sistemas de manejo de riscos na região caribenha, disse Margherita Vitale, diretora da Iniciativa de Manejo de Riscos, (CRMI, sigla em inglês), um mecanismo da Organização das Nações Unidas. "Trata-se da primeira experiência desse tipo no mundo, e sem dúvida vamos promovê-la no Caribe", afirmou a especialista. A brigada sanitária ficou constituída oficialmente na última segunda-feira, em meio aos preparativos para enfrentar a tormenta tropical Rita, que nesta terça-feira já havia se transformado em furacão categoria dois e passava perto da capital e de outras províncias do ocidente de Cuba.

A organização, batizada com o nome de Henry Reeve, um norte-americano que lutou na guerra independentista cubana no final do século XIX, estará integrada por profissionais capacitados para enfrentar emergências epidemiológicas e enfermidades associadas a catástrofes. Este contingente é uma extensão do que foi constituído no último dia 4, com 1.586 médicos para atender vítimas do furacão Katrina, que no dia 29 de agosto açoitou os Estados de Louisiana, Mississippi, Alabama e Flórida, no sul e sudeste dos Estados Unidos. Até agora, a quantidade de mortos identificados é de 970. Washington evitou responder ao presidente Fidel Castro, que reiterou que a oferta, incluindo pessoal e medicamentos, "está de pé, para hoje ou para amanhã", e atribuiu a "um falso orgulho e conceitos errôneos" a decisão de ignorá-la.

"Não podíamos permanecer indiferentes. Ninguém acreditaria que tal ajuda pudesse ser considerada como uma ofensa ou uma humilhação", disse Castro durante a entrega dos diplomas a 1.905 novos médicos cubanos. O contingente Henry Reeve terá a missão de cooperar de imediato com qualquer país que sofra uma catástrofe, especialmente os que forem açoitados por grandes furacões, inundações ou outros desastres naturais. O presidente cubano disse que, além de apoiar a população afetada, a brigada também poderia colaborar no combate a epidemias como da dengue hemorrágica ou do vírus da deficiência imunológica adquirida (HIV), causador da aids.

Nesse corpo médico poderão se alistar também formandos e formandas da Escola Latino-americana de Medicina, onde estudam gratuitamente mais de 12 mil jovens da região e de outros lugares do mundo, inclusive dos Estados Unidos. Nessa instituição se graduaram há dois meses os primeiros 1.610 médicos, comprometidos a regressarem aos seus países para trabalhar em comunidades distantes onde seus serviços sejam necessários. Segundo Vitale, a brigada de saúde se situa "muito na vanguarda" das estratégias para enfrentar desastres. Cuba possui um sistema de prevenção que é ativado com muita antecedência para evitar mortes diante fenômenos habituais na região do mar do Caribe, como os ciclones tropicais. Em julho, o furacão Dennis causou a morte de 16 pessoas, destruiu ou danificou 120 mil casas e provocou perdas estimadas em US$ 1,4 bilhão.

Em prevenção á chegada do Rita, foram evacuadas mais de 109 mil pessoas, entre turistas, estudantes e moradores em zonas costeiras sob risco de inundações. A proteção da população e a economia está a cargo da Defesa Civil, vinculada ao Ministério das Forças Armadas, que ativa o sistema de prevenção ao ser avistada a formação de uma depressão tropical na área. As fases que se estabelecem – informativa, alerta, emergência e de recuperação – permitem colocar em marcha uma série de medidas. Cuba faz parte de uma rede para o manejo desses perigos estabelecida em junho por representantes da Associação de Estados do Caribe (AEC) para fortalecer as capacidades regionais e nacionais de minimizar os ricos diante de cataclismos naturais.

Esse acordo foi adotado no chamado Consenso de Havana, subscrito por representantes da AEC ao fim de um seminário para autoridades nacionais sobre políticas, sistemas e experiências em manejo de riscos no Caribe. A rede é parte da CRMI, cujo propósito é reunir e dar coerências ás diferentes iniciativas e projetos já existentes na região caribenha. (IPS/Envolverde)

Patricia Grogg

Patricia Grogg es chilena y reside en La Habana. Se desempeña como corresponsal permanente de IPS en Cuba desde 1998. Estudió gramática y literatura española en la Universidad de Chile, y periodismo en la Universidad de La Habana. Trabajó como reportera, jefa de redacción y editora en la agencia cubana Prensa Latina. A mediados de la década de 1990 se incorporó por unos meses como jefa de redacción a la agencia Notimex en Santiago de Chile. Desde Cuba también ha colaborado con medios de prensa mexicanos y chilenos. En su labor cotidiana investiga temas sociales, políticos, energéticos, agrícolas y económicos.

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