Indonésia: O terror regressa a Bali

Bali, Indonésia, 04/10/2005 – Enquanto se limpa de vidros e sangue o local dos atentados de sábado na turística ilha indonésia de Bali, que deixaram pelo menos 22 mortos, a polícia avança em suas investigações e a população exige do governo medidas para prevenir novos ataques. Os investigadores suspeitam que dois integrantes da rede terrorista islâmica Jemaah Islamiyah, responsável por outros atentados com bomba em Bali que causaram a morte de 202 pessoas no dia 12 de outubro de 2002, sejam os autores dos ataques de sábado, baseados no "modus operandi". Para muitos, a grande pergunta é quando será o próximo atentado. "Não há dúvida de que a Jemaah Islamiyah (Comunidade Islâmica) está por trás dos ataques", disse à IPS o especialista em segurança Ken Conboy. O problema com Bali é que é impossível protegê-la de tais ataques, afirmou.

Três bombas explodiram no sábado com diferença de poucos minutos em dois populares complexos turísticos de Bali, dias antes do mês do Ramadã, sagrado para os muçulmanos, e do festival hindu de Galungan. Até esta segunda-feira, foram contabilizados 22 mortos e mais de cem feridos, mas as autoridades previam que o número de vítimas aumentaria. Entre as mortes estão as de três australianos e um japonês. As primeiras duas bombas explodiram por vota das 19h40 – hora local – e destruíram o café Nyopman e o Mnega, em Jimbaran, uma popular praia situada 18 quilômetros ao sul de Kuta, o principal destino turístico de Bali. A terceira explodiu 20 minutos depois no restaurante Raja, em Kuta Square. A explosão destruiu toda a planta baixa e grande parte do primeiro andar do estabelecimento. A ausência de um buraco na parte externa sugere que a bomba foi colocada no interior do restaurante. Segundo a polícia, outras nove bombas foram desativadas em outras partes do complexo turístico.

Kuta já havia tido sangue com os atentados de 2002. As vítimas estavam na discoteca Sari Club. Funcionários do governo afirmaram no domingo à imprensa que era quase certo que os ataques de sábado foram cometidos por dois terroristas suicidas, e que um vídeo caseiro mostrava alguém entrando com um grande pacote em um café de Kuta antes da explosão. A polícia informou que os atentados levavam o selo da rede Jemaah Islamiyah, que pretende criar um estado pan-islâmico no sudeste da Ásia e é considerada responsável por uma série de ataques que sacudiram a Indonésia desde 2000.

Jacarta sofreu a maior parte dos ataques. O Hotel Marriott e a embaixada da Austrália foram alvos de carros-bomba no dia 5 de agosto de 2003 e 9 de setembro de 2004, respectivamente. Nos dois atentados morreram um total de 23 pessoas e muitas outras ficaram feridas. Conboy, que em breve lançará um livro sobre o terrorismo no sudeste asiático, disse que o "modus operandi" dos autores dos atentados de sábado é semelhante ao dos ataques com bomba contra 11 igrejas da Indonésia no dia 25 de dezembro de 2000. "Parece que buscavam objetivos pequenos e fáceis para obter o maior número de vítimas, em lugar de um alvo grande simbólico, como fizeram nos últimos dois anos", ressaltou.

Enquanto os balineses limpam o local da tragédia, a atenção se concentra em como prevenir a repetição de tais ataques. "Prevenir esse tipo de atentados é quase impossível. Pode-se registrar quem entra em locais como o Hard Rock Café, mas não dá para fazer isso em pequenos estabelecimentos como os que foram atacados outro dia. Nesse caso, a opção é fechar o local ou conviver com o risco", disse Conboy. Os restaurantes pequenos são a essência da indústria turística de Bali, que por sua vez é o pilar da economia da ilha. O turismo apenas começava a se recuperar dos atentados de 2002.

Depois dos últimos ataques, o ministro do Turismo, Jero Wacik, previu uma abrupta queda no fluxo de turistas nos próximos meses, mas disse que a ilha se recuperará uma vez mais. Jimmy, um vendedor de tatuagens temporárias na praia de Kuta, exige que o governo se esforce mais contra a ameaça terrorista. "Os ataques continuam. Por que o governo não faz nada?", perguntou. O presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, pediu à população que fique alerta e prometeu encontrar os culpados. "Os encontraremos e os entregaremos à justiça", disse, pouco depois dos atentados de sábado.

O governo está ativo na busca de terroristas e conseguiu levar à justiça os autores de vários atentados. Entretanto, Jacarta ainda não conseguiu prender um peixe gordo. Abu Bakar Bashir, considerado o líder espiritual da Jemaah Islamiyah, cumpre atualmente pena de 30 meses de prisão por ter instigado os atentados de Bali em 2002. A brevidade de sua pena é considerada um fracasso da promotoria, que não pôde reunir provas suficientes. Ainda estão livres os malásios Azahari bin Husin e Noordin M. Top, considerados os principais fabricantes de bombas da organização e os cérebros por trás dos últimos atentados. (IPS/Envolverde)

Fabio Scarpello

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