Ativistas acreditam que o candidato democrata é mais sensível às questões ambientais internacionais.
Os ambientalistas também aprovam as posições de Kerry no campo internacional, entre elas o compromisso de priorizar relações com o México que atendam “questões ambientais e sociais de interesse mútuo”, como a preservação de recursos naturais na região de fronteira. O candidato democrata, “busca fazer com que os Estados Unidos encabecem os esforços internacionais para reduzir a poluição, reverter a diminuição da camada de ozônio, proteger as florestas úmidas tropicais, preservar a biodiversidade e pressionar por desenvolvimento sustentável”, disse ao Terramérica Kerry Glover, do não-governamental Sierra Club.
Kerry apóia o uso de motores que utilizem o combustível de modo mais eficiente, para reduzir a emissão de dióxido de carbono e outros gases que causam o efeito estufa, ao reter calor na atmosfera, culpados pelo aquecimento do planeta. Também promete “reinserir” o país em acordos internacionais para proteger o meio ambiente, como o Protocolo de Kyoto, de 1997, que busca reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa por parte do mundo industrializado, e do qual Bush retirou a assinatura norte-americana em março de 2001, por considerá-lo prejudicial para os interesses econômicos do país.
Porém, deve ser assinalado que Kerry, participante da Cúpula da Terra realizada em 1992, no Rio de Janeiro, e da negociação do Protocolo de Kyoto, sustenta que Washington deveria ratificar esse acordo se fossem incluídos nele compromissos para os países em desenvolvimento. Também incentiva a troca de emissões, um mecanismo compensatório para que os países que emitem mais gases que causam efeito estufa do que lhes destina o Protocolo possam comprar parte de sua cota de outros que estejam abaixo dela.
Por outro lado, Kerry defende a destinação de mais recursos à implementação do Protocolo de Montreal, de 1989, assinado por mais de 150 países, para limitar a produção de substâncias que debilitam a camada de ozônio. Bush pediu que os Estados Unidos fossem liberados de várias limitações estabelecidas nesse tratado.
Os eleitores norte-americanos de origem latino-americana preferem, historicamente, os candidatos democratas, e essa tendência se mantém nesta campanha, entre outras coisas pelo apoio de Kerry a dois projetos de lei para legalizar a situação de imigrantes irregulares, um sobre trabalhadores rurais e outro sobre jovens. As questões mais importantes para a comunidade latino-americana são “as leis de imigração e a proteção de seus próprios empregos”, comentou ao Terramérica o diretor de Políticas do Centro Inter-Hemisférico de Recursos, Tom Barry. Porém, as reformas nesse campo “serão viáveis somente se estiverem acompanhadas por um firme apoio a políticas de desenvolvimento nos países de origem, especialmente no México, para que a migração rumo aos Estados Unidos deixe de ser uma válvula de escape”, afirmou Kerry.
Uma incerteza associada a uma eventual vitória do candidato democrata é a de que este vota sistematicamente a favor de acordos de livre comércio com a região, mas seu candidato a vice, John Edwards, é um fervoroso protecionista, que se opôs ao Tratado de Livre Comércio da América do Norte, assinado com Canadá e México, e a projetos semelhantes com países caribenhos, centro-americanos e andinos.
Além disso, Kerry insiste em que não reduzirá a entrada nos Estados Unidos de produtos latino-americanos, mas também deseja renegociar a Área de Livre Comércio das Américas e um tratado de livre comércio com Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua, para que incluam normas mais severas em matéria trabalhista e ambiental. Alguns críticos alegam que essas normas servirão somente para limitar o comércio, se não forem acompanhadas de outras que se contraponham às desigualdades internacionais e impulsionem o desenvolvimento sustentável.
Por outro lado, os comentários hostis de Kerry sobre os presidentes de Cuba e Venezuela, Fidel Castro e Hugo Chávez, respectivamente, podem lhe custar votos entre eleitores progressistas interessados na América Latina, afirmou Larry Birns, diretor do não-governamental Conselho de Assuntos Hemisféricos. Esse grupo de eleitores inclui, entre outros, integrantes de grupos religiosos, sindicalistas, acadêmicos e ativistas pelos direitos dos imigrantes, e soma “vários milhões de pessoas”, que podem votar pelo candidato independente Ralph Nader se as posições de Kerry não os satisfizerem, ressaltou. Nader, que conta com menos de 5% de apoio nas pesquisas de intenção de voto, não expressa com clareza seu programa em relação à região, mas é visto como alternativa à esquerda de Kerry para os desencantados com este.


