Tóquio, 18/01/2006 – A aposta do Japão para conseguir um lugar no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, depois de ter fracassado nesse objetivo no ano passado, consiste em apoiar ainda mais a política internacional dos Estados Unidos. A entrada no Conselho é considerada por Tóquio o passo fundamental para desempenhar um papel ainda mais destacado no cenário mundial. Desde a criação da ONU em 1945 apenas cinco dos 15 membros do Conselho são permanentes: China, Estados Unidos, França, Grã Bretanha e Rússia. Estes países têm a faculdade de vetar as resoluções do organismo. Brasil, Japão Alemanha e Índia aspiram ingressar nesse seleto clube.
"Um papel para o Japão no Conselho de Segurança é importante, pois o país procura expandir sua posição na política mundial. A ONU é considerada a plataforma apropriada desde a qual pode exercer uma diplomacia mais ativa", afirmou Takashi Inoguchi, especialista em relações internacionais da Universidade de Chuo. Com a liderança do primeiro-ministro, Junichiro Koizumi, o Japão decidiu adotar um papel mais destacado no cenário internacional, como quando enviou um contingente de suas Forças de Autodefesas para juntar-se às tropas dos Estados Unidos que invadiram o Iraque.
Para isso foi necessária uma emenda à Constituição pacifista, aprovada depois da derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial e elaborada com as diretrizes estabelecidas por Washington, que expressamente proíbe o envio de tropas ao exterior. O Japão também apoiou com entusiasmo muitas missões de paz da ONU, como as do Camboja e das colinas de Golan, para as quais contribuiu com mais de 4.500 soldados. Tóquio também planeja um diálogo com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, para persuadir seu governo a abandonar seu programa nuclear. O Japão é partidário de levar o caso do Irã à ONU, mas acredita de todo modo que ainda existe espaço para a diplomacia na resolução desta crise.
"Nossa meta é conseguir que o Irã interrompa seu desenvolvimento nuclear, e isto requer maiores esforços diplomáticos", disse na semana passada o chanceler, Taro Aso. O ministro das Finanças, Sadakazu Tanigaki, em viagem pelos Estados Unidos, alertou, na semana passada, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, de que o Japão reduzirá as contribuições econômicas para o fórum mundial. O Japão responde hoje nas Nações Unidas por 19,5% do orçamento da organização (US$ 346 milhões). Os Estados Unidos, o principal contribuinte, entra com 22% (US$ 439 milhões). O Japão também fica em segundo lugar na lista de fornecedores de assistência para o desenvolvimento, também atrás dos EUA.
Para os políticos japoneses, as elevadas somas de dinheiro que o país entrega à ONU devem ser correspondidas com um lugar no Conselho de Segurança, e dizem que sua integração ao organismo deveria ter ocorrido há muito tempo. Tanto Japão quanto Estados Unidos se opuseram à provação do orçamento da ONU apresentado em outubro. Tóquio adotará este ano, diante de suas pretensões de integrar o Conselho, uma postura levemente diferente da de 2005, determinada por sua participação no Grupo dos Quatro, que integra juntamente com Brasil, Índia e Alemanha.
De fato, os analistas atribuem o escasso êxito de Tóquio em suas gestões à sua ação em conjunto com o Grupo dos Quatro e ao fato de ter ignorado a posição dos Estados Unidos, favorável ao seu ingresso, mas não na dos outros três. "Limitar-se a seguir a estratégia do Grupo dos Quatro não deu certo. Agora nosso enfoque será nos aproximarmos dos Estados Unidos, que tem um papel-chave na reforma do Conselho", disse Toshihiro Katamura, subdiretor do escritório da chancelaria encarregado da relação com a ONU.
Katamura explicou a importância dessa mudança pela alta prioridade do Japão em obter uma cadeira no conselho, o que garantiria à segunda potência mundial um papel na tomada de decisões globais. "A questão não é ter ou não o poder de veto no Conselho; o Japão entende que isso não se ganha facilmente. O principal objetivo é ampliar a quantidade de membros permanentes" disse Katamura. "Tóquio tem esperanças de que Washington apóie sua nova tentativa de se converter em membro permanente e faça pesar sua influência sobre os membros da ONU" a esse respeito, disse o jornal Asahi no último dia 6. Um dia antes, Brasil, Alemanha e Índia havia apresentado, desta vez sem o Japão, sua própria proposta de expansão do Conselho ao secretariado das Nações Unidas.
A reforma do Conselho vem sendo um dos principais objetivos diplomáticos do Japão por mais de uma década. Em julho, Tóquio e os outros três membros do Grupo dos Quatro careceram do apoio de pelo menos 128 dos 191 Estados-membros da ONU. Isso motivou o crescimento entre os políticos japoneses da proposta de reduzir a contribuição econômica ao fórum mundial. Os críticos de Koizumi e à sua atitude abertamente pró-Estados Unidos, advertiram que o Japão não deu a devida atenção à sensibilidade de países poderosos, como a China, ao visitar repetidas vezes o Memorial de Yasukuni, em Tóquio, para homenagear criminosos de guerra convictos por atrocidades cometidas na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial.
De fato, a China é o principal opositor às gestões do Japão. Mas "enquanto o Japão colabora estreitamente como os Estados Unidos, também começa a conversar com Pequim para obter seu apoio", disse Katamura. A reforma das Nações Unidas, 60 anos depois de sua fundação, é o centro de um acalorado debate no Japão, na medida em que a ONU será alvo de várias transformações ainda este ano. (IPS/Envolverde)

