Edição nº 23 – Os Objetivos do Milênio – Semana 1-7 junho

ENERGÍA-BRASIL: Mudança climática debilitará fontes renováveis

Rio de Janeiro, (IPS) – O Brasil se orgulha de ter uma matriz energética com 45% de fontes renováveis, o triplo dos países industrializados, mas, exatamente por isso, será mais vulnerável à mudança climática, segundo uma pesquisada Universidade Federal do Rio de Janeiro divulgada ontem.

As condições climáticas previstas para as três últimas décadas deste século reduzirão a produção energética das fontes renováveis em todo o País, com exceção da cana-de-açúcar, destacou Roberto Schaeffer, um dos coordenadores do estudo feito pelo Instituto de Pós-graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) da UFRJ.

O potencial brasileiro de geração de energia eólica poderá sofrer uma queda de 60%, devido à menor freqüência de ventos velozes no interior do País. O biodiesel também seria gravemente afetado porque o clima mais quente diminuiria, ou tornaria impossível, a produção de algumas oleaginosas no nordeste e norte do território brasileiro. Também as centrais hidrelétricas, que respondem por 85% da eletricidade gerada no Brasil, terão sua capacidade afetada pela redução e irregularidade das chuvas.
BIODIVERSIDADE: Contaminação benéfica para debate

Bonn, (IPS) – A “fertilização oceânica”, lançamento de resíduos químicos no mar com supostos efeitos benéficos, concentrou a atenção da IX Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP9), encerrada sexta-feira (30) nesta cidade da Alemanha.

“Fertilização oceânica significa apenas lançar partículas de ferro, nitrogênio ou uréia, que supostamente transformam o equilíbrio ecológico dos habitat marinhos especiais, fomentam o aumento de fitoplâncton e a absorção de dióxido de carbono”, explicou à IPS Saskia Rocharz, especialista em oceanos da organização ambientalista Greenpeace.

O dióxido de carbono, o metano e óxido nitroso são alguns dos gases causadores do efeito estufa, aos quais a maioria dos cientistas atribui o aquecimento do planeta. Quase todas as nações em desenvolvimento querem que a Conferência da Organização das Nações Unidas aprove a moratória mundial da fertilização oceânica até que seja cientificamente demonstrado que não contamina. Porém, algumas nações industrializadas, encabeçadas pela Austrália, querem evitar a proibição.
POBREZA: Mal que cresce em abudância

Hiroxima, (IPS) – A pobreza mundial aumenta, paradoxalmente, em um dos momentos mais prósperos da história da humanidade.

Kul Chandra Gautam, ex-assistente do secretário-geral da Organização das Nações Unidas e vice-diretor-executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse que a produção mundial nunca foi tão extraordinária: no ano passado chegou à marca dos US$ 50 bilhões. Neste tempo de prosperidade global sem precedentes, na qual alguém se converte em milionário a cada dois dais, “temos uma situação contrastante em que quase um bilhão de pessoas vivem com menos de um dólar por dia, e 800 milhões vão para a cama todas as noites com fome”, acrescentou.

Segundo a revista de negócios norte-americana Forbes, o número de multimilionários no mundo chegou a 1.125 este ano, um espetacular salto em relação a 2007, quando havia 179. Estes não vivem apenas em países ricos como Alemanha, Estados Unidos e Japão, mas também em nações do Sul em desenvolvimento, como Brasil, Belize, China, Egito, Índia, Indonésia, Malásia, México, Nigéria e Venezuela.
ALIMENTAÇÃO: América Latina e os 13 vilões

Caracas, (IPS) – Os vilões da história do encarecimento dos alimentos são 13 e passam por razões estruturais e conjunturais, associadas à oferta e à demanda, segundo o Sistema Econômico Latino-americano e do Caribe.

Para enfrentá-los, a cooperação regional é imprescindível. “É preciso atuar em diferentes frentes, a partir de uma coordenação política que defenda os interesses regionais”, disse à IPS o secretário permanente do Sela, o mexicano José Rivera, às portas de uma reunião regional que diagnosticou o problema durante o final de semana.

A reunião buscou subsídios para adotar uma posição concertada da América Latina e Caribe enquanto acontece em Roma a Conferência de ato Nível sobre Segurança Alimentar Mundial. “As reuniões se multiplicam porque existe a conscientização de que a crise alimentar afeta com mais força os que têm uma vida mais precária”, disse à IPS o francês Gerard Gómez, chefe do escritório para a região da Organização das Nações Unidas. Dez milhões de pessoas na região poderão somar-se aos 80 milhões que já não podem procurar os alimentos mínimos que necessitam, disse Gómez lembrando um estudo da Comissão Européia para a América Latina e o Caribe (Cepal).

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Correspondentes da IPS

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