Harare, 08/2013 – Na aldeia de Sasa, na Província Central de Masholand, mulheres como Esnath Mashaire, de 45 anos, tornaram-se empresárias, cultivando produtos agrícolas que são vendidos no mercado comunitário local.
Nas terras comunais, plantam uma grande variedade de legumes, desde tomates, cebolas, feijões e repolhos, que depois vendem para suplementar o seu rendimento formal.
Anos de declínio económico afectaram gravemente a vida de muitos cidadãos zimbabweanos. Com uma elevada taxa de desemprego, estimada em mais de 80 por cento, o comércio informal demonstrou ser a principal fonte de subsistência após o colapso da economia formal. Muitas pessoas dizem que o governo ainda não apresentou medidas para apoiar as pequenas e médias empresas (PMEs).
A maioria das mulheres zimbabweanas contribui para a economia através das PMEs mas os seus esforços parecem ser insignificantes visto que são ignorados pelas instituições que lhes podiam prestar apoio.
“Muitas mulheres nesta aldeia dedicam-se à cultura de vegetais a nível individual ou familiar porque não temos espaço suficiente de cultivo para expandir as nossas hortas,” disse Mashaire à IPS.
“O capital também se tornou um dos principais obstáculos que nos impedem de plantarmos o suficiente. Assim, as nossas empresas não se desenvolvem de modo a atingirem os padrões internacionais de exportação. No entanto, conseguimos fornecer legumes frescos aos mercados locais,” acrescentou.
O Banco Central do Zimbabwe (BCZ) exigiu aos bancos que aplicassem 30 por cento dos seus empréstimos na promoção do crescimento das PMEs.
Segundo o BCZ, as empresas classificadas como PMEs devem ter uma base de activos compreendida entre 10.000 e dois milhões de dólares e um volume anual de negócios comprendido entre 30.000 e cinco milhões de dólares. Contudo, a maior parte das pequenas empresas do país não tem esta elevada base de activos ou um volume anual de negócios.
De acordo com um relatório compilado pela Ernest and Young referente a 2011-2012, “70 por cento da população economicamente activa ficou excluída do acesso a serviços financeiros formais.”
O Ministro para o Desenvolvimento das Pequenas e Médias Empresas e Desenvolvimento Cooperativo, Sithembiso Nyoni, admitiu que as PMEs não estavam a expandir devido às elevadas taxas de juro e rigorosas condições de concessão de empréstimos.
Os analistas económicos insistem que as contribuições das empresárias continuam a passar despercebidas, apesar de contribuírem para a economia de forma eficaz.
“Se um milhão de mulheres que estão envolvidas em pequenas empresas como vendas consegue ganhar dois dólares em média de por dia, o país ganha dois milhões de dólares por dia e 728 milhões por ano. Apesar da sua pequena dimensão a título individual, colectivamente constituem um importante grupo de pessoas que contribui de forma eficaz para a economia e que necessita de forte apoio,” disse à IPS Paidamoyo Makoti, economista do trabalho.
O assessor de economia do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Udo Etukudo, sublinhou que era importante que os países em desenvolvimento promovessem a inclusão financeira das PMEs.
“Os bancos necessitam de encontrar uma forma mais progressista de apoiar os operadores mais pequenos. As PMEs desempenham um importante papel nas economias em desenvolvimento. Os bancos são o combustível e sem eles não existe desenvolvimento no sector,” disse Etukudo à IPS.

