EUA: Eleitores querem uma nova política externa

Washington, 23/10/2006 – Mais de 70% dos norte-americanos, incluindo quase a metade dos que se identificam como simpatizantes do governante Partido Republicano, preferem para as eleições legislativas do próximo dia 7 de novembro candidatos que tenham um “novo enfoque” na política externa. Está é a conclusão de uma nova pesquisa elaborada pelo Programa sobre Atitudes em Política Internacional (PIPA), divulgada na sexta-feira.

O estudo, que coincide com as conclusões de outros dois realizados sobre a sensação do público norte-americano diante da política externa do presidente George W. Bush, descobriu que os eleitores estão cada vez mais desiludidos com certas atitudes do governo, sobretudo com sua confiança no poder militar e sua ênfase na força militar”, afirmou o diretor do PIPA, Steven Kull, destacando que a política exterior se converteu em um dos temas centrais na corrida para as eleições legislativas do próximo mês.

Na última pesquisa, mais de 68% dos consultados disseram estar “insatisfeitos com a postura dos Estados Unidos no mundo”, um importante aumento em relação aos 30% registrados em um estudo feito nas primeiras semanas da invasão do Iraque, em abril de 2003, e dos 14% de uma pesquisa da consultoria Gallup realizada em fevereiro passado. Outra grande surpresa foi que 44% dos que se declararam republicanos disseram estar contentes com a política externa do país. A pesquisa do PIPA foi feita com mais de mil pessoas escolhidas ao acaso em todo o território entre os dias 6 e 15 deste mês. Quase nove em cada dez entrevistados disseram acreditar que é “um pouco” ou “muito” importante para as pessoas de outros países sentirem um bom tratamento por parte dos Estados Unidos. Oitenta e quatro por cento dos republicanos concordaram.

A pesquisa foi divulgada em meio a um crescente consenso entre os analistas políticos de que o opositor Partido Democrata retomará o controle da Câmara de Representantes pela primeira vez desde 1994 e de que tem grandes chances de também recuperar o Senado. O estudo do PIPA é o último de uma série apresentada nas últimas semanas que demonstram uma propagada e incomum intensa desaprovação da política externa de Bush, em partícula a relacionada com o Iraque e o Oriente Médio, sua ênfase no poder militar e sua indiferença à opinião internacional, sobretudo do mundo islâmico.

Em outra pesquisa divulgada esta semana pelo Public Agenda and Foreign Affairs, uma publicação do influente centro acadêmico Conselho sobre Relações Exteriores, cerca de dois terços dos consultados disseram acreditar que o mundo tem uma imagem negativa dos Estados Unidos, e quase 90% disseram que isso representa uma ameaça para a segurança nacional norte-americana. Além disso, 80% dos entrevistados afirmaram que o planeta está se tornando mais perigoso, 43% que está “muito mais” perigoso e 83% afirmaram que estão “muito”o ou “um pouco” preocupados com a “forma como andam as coisas para os Estados Unidos no mundo”.

Uma segunda pesquisa divulgada há cerca de 15 dias pelo Conselho sobre Assuntos Globais de Chicago mostrou que cerca de dois terços dos consultados afirmaram acreditar que a guerra o Iraque não reduziu a ameaça terrorista nem favoreceu a propagação da democracia no Oriente Médio, e que, por outro lado, piorou as relações entre Washington e o mundo muçulmano. Três em cada quatro entrevistados disseram estar preocupados com o fato de os Estados Unidos desempenharem o papel de “polícia mundial”. A pesquisa do PIPA teve resultados semelhantes. Sessenta e cinco por cento dos entrevistados pensam que o governo Bush age “muito rapidamente para envolver as forças militares” em outros países, e 78% assinalaram que a atitude do governo “diminuiu” a boa apreciação dos Estados Unidos no mundo.

Dois terços dos entrevistados, incluindo 52% dos republicanos, afirmaram que o governo Bush “deveria dar mais ênfase aos métodos diplomáticos e econômicos” para combater o terrorismo. Somente 30% disseram que o governo deveria dar maior ênfase aos métodos militares. A pesquisa mostrou uma clara preferência de candidatos ao Congresso que favoreçam a cooperação multilateral. Quase três em cada quatro consultados, incluindo republicanos, afirmaram que preferem políticos com a convicção de que os “Estados Unidos devem fazer sua parte nos esforços para solucionar os problemas internacionais junto a outros países”, em oposição aos que desejam ser “líderes mundiais”. Kull esclareceu que isto não necessariamente significa um grande aumento no apoio ao multilateralismo, mas que esse apoio está se “solidificando e organizado às vésperas das eleições legislativas”. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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