Nações Unidas, 21/12/2006 – Quando Kofi Annan deixar na próxima semana a secretaria geral da Organização das Nações Unidas após 10 anos no cargo, levará consigo o Prêmio ao Sucesso Internacional 2006 da agência de notícias Inter Press Service (IPS).
“Sinto-me honrado por este prêmio, especialmente porque é concedido por membros da imprensa mundial. É bom para me despedir de vocês, meus amigos e sparrings da imprensa: mantiveram-me alerta e, às vezes, me castigaram nestes anos”, acrescentou. A ONU e Annan ganharam o prêmio Nobel da Paz em 2001. Annan, funcionário de carreira das Nações Unidas, ao longo de 44 anos progrediu desde cargos médios dentro do sistema internacional até assumir a secretaria geral, tendo sido antes secretário-geral assistente e subsecretário-geral.
“Estou convencido de que não teria alcançado metade do que me atribui o Prêmio ao Sucesso Internacional da IPS não fosse pelo poder da imprensa, e de organizações como a IPS, em particular, para transmitir não apenas as exaustivas documentadas deficiências da ONU, mas também sua inestimável e transformadora tarefa”, afirmou Annan. Dirigindo-se ao diretor-geral da IPS, Mario Lubetkin, Annan acrescentou: “Como secretário-geral da ONU, como ganês e como africano, sempre apreciei seu trabalho jornalístico”.
Annan prosseguiu dizendo que “Sua cobertura da ONU e minha carreira começaram quase ao mesmo tempo. Desde então, vocês têm informado sobre as Nações Unidas com uma perspectiva sem par, desde o mundo em desenvolvimento, a para que atendesse boa parte das pessoas com as quais a ONU mais se preocupa”. “Naturalmente, nem toda imprensa é igual. Não é uma simples coincidência que eu esteja recebendo o Prêmio ao Sucesso Internacional da IPS e não, por exemplo, o Prêmio da Fox e seus amigos”, disse Annan, entre risadas e aplausos do auditório. O secretário-geral se referia a alguns meios de comunicação, particularmente a rede norte-americana Fox News, que travaram uma verdadeira guerra contra ele.
Lubetkin disse que a Junta de Diretores da IPS decidiu em julho conceder o prêmio a Annan por perdurável contribuição à paz, à segurança, ao desenvolvimento, à questão de gênero e aos direitos humanos. A IPS, com 42 anos de existência, que promoveu a causa das nações em desenvolvimento, também reconhece o compromisso de Annan com as nações mais pobres do mundo na luta para reduzir a extrema pobreza e a fome e deter a epidemia de HIV/aids e a degradação ambiental, tal como consta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, disse o jornalista.
A IPS acompanhou atentamente os êxitos tanto de Kofi Annan quando da ONU e informou sobre eles através de sua rede de mais de 350 jornalistas em 150 países e em 22 idiomas, afirmou Lubetkin. “Hoje, homenageamos o senhor Annan por sua destacada liderança no cumprimento da missão para a qual foi criada a ONU em 1945: a busca da paz mundial, da estabilidade política, do reconhecimento da dignidade humana e do êxito do desenvolvimento humano”, acrescentou. A IPS considerou sua obrigação reconhecer o compromisso pessoal de Kofi Annan quanto a uma preocupação maior com os países mais pobres do mundo em sua luta contra a pobreza, a fome e o HIV/aids, ressaltou Lubetkin.
“Também o aplaudimos por seu firme compromisso com a sustentabilidade ambiental. Homenageamos o secretário-geral por sua defesa consistente e forte dos direitos humanos, incluída a proteção e o respeito do direito humanitário”, disse o diretor da IPS. A promoção do empoderamento de gênero é uma questão-chave de desenvolvimento social para a ampliação das liberdades, acrescentou. Lubetikin recordou que Annan consagrou mais de dois terços de sua vida ao serviço da ONU, que continua encarnando as esperanças e aspirações dos mais de seis bilhões de habitantes do mundo.
“Em seus 42 anos de vida, a IPS ganhou amplo reconhecimento como agência mundial de notícias com uma contribuição valiosa para a compreensão da ONU e de sua missão global, e também “confiamos que os serviços do senhor Annan à humanidade não acabarão no dia 31 de dezembro. Esperamos ter a oportunidade de dar-lhe a informação e os elementos de comunicação que necessitará para projetar sua visão de futuro aos povos do mundo”, acrescentou Lubetikin.
O embaixador da África do Sul na ONU, Dumisani Kumalo, principal orador na cerimônia, disse: “Nos últimos 20 anos, a IPS encontrou muitas pessoas merecedoras de seu Prêmio ao Sucesso Internacional, as quais não se calaram diante das condições de vida dos pobres e marginalizados”. Essa tarefa contrasta com o fato de que “os que ainda trabalham na ONU com freqüência nos limitamos a buscar as manchetes dos jornais matutinos, a rádio ou a televisão para encontrar os temas aos quais se supõe devemos apoiar ou nos opor”, acrescentou.
“Inclusive nossos próprios governos se limitam a se inteirar do debate na ONU desde a perspectiva das companhias internacionais de comunicação do mundo industrializado, que com freqüência são usadas para estabelecer a agenda das Nações Unidas”, disse Kumalo. “Portanto, foi útil e regenerador que Kofi Annan estivesse disponível para contar o lado escuro da história global que freqüentemente não está de acordo com o consenso internacional cultivado cuidadosamente pelas grandes potências usando suas grandes empresas de comunicações”, destacou o diplomata sul-africano e presidente do Grupo dos 77. “Acredito que essa é uma das razões pelas quais a IPS concluiu que o secretário-geral Kofi Annan merece este prêmio. Estamos alegres por estarmos presentes a está ocasião”, acrescentou Kumalo.
Entre os que já ganharam o prêmio da IPS, criado em 1985, estão a ex-primeira-dama da África do Sul, Graça Machel; a ex-primeira-dama da França, Danielle Mitterrand; o ex-secretário-geral da ONU Boutros Boutros-Ghali; o ex-presidente da Finlândia, Martti Ahtisaari, e o Chamado Mundial de Ação contra a Pobreza. (IPS/Envolverde)


