Comunicações: Brasil, China e Índia querem padrão

Genebra, 05/01/2007 – Os países do Sul em desenvolvimento, liderados por Brasil, China e Índia, encabeçam os esforços para estabelecer padrões mundiais no extremamente mutante setor das comunicações, destacou o novo secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Hamadoun Toure. “O setor costuma ser dominado por um clube de ricos, porque somente os países industrializados fixavam os padrões. As boas notícias são que as nações em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia estão na vanguarda no estabelecimento dos padrões da UIT, o que é bom para todo mundo”, disse Toure.

Países africanos como Quênia, Malí e Nigéria, entre outros, também participam no estabelecimento de padrões num momento em que a indústria sofre mudanças importantes, acrescentou. Toure, que é o primeiro candidato da África subsaariana a liderar a UIT, disse que não está preocupado pela profusão de novas tecnologias ou pelas sacudidas em algumas empresas do setor. Analistas não estão seguros se a UIT será capaz de desempenhar seu tradicional papel regulador em um ambiente cada vez mais turbulento.

Graças aos Protocolos da Internet, as empresas que costumavam fornecer diferentes serviços – operadoras de telefone, de Internet e canais a cabo – agora estão autorizadas a cobrir todas estas atividades. A UIT foi criada em 1865 diante do surgimento de novos sistemas de comunicação como o telégrafo e o telefone. As empresas telefônicas públicas governaram o setor por anos em muitos países. Mas diante da emergência de companhias privadas como AT&T, Vodafone, France Telecom, BT e Hutchison Whampoa, a UIT foi encarregada de fixar as regras de funcionamento.

A organizações atravessou momentos difíceis, em particular diante da quebra de várias companhias em 2001. Desde então, seu mandato de fixar os padrões mundiais e distribuir as faixas de frequência de rádio foi alvo de intensa pressão. A Suíça, onde fica a sede da UIT, decidiu reduzir sua contribuição para a organização, pois considera que esta não terá um papel muito importante no futuro. O novo secretário-geral disse estar disposto a demonstrar que a agência pode “ajudar a fortalecer a convergência” e destacou que sua tarefa é “garantir que haja um bom casamento nessas tecnologias e um bom nível de jogo para todos os membros e todos os jogadores”.

Toure disse que, em um mundo inundado com novas tecnologias, como o sistema de telefonia através da Internet VOIP, há uma grande necessidade de fixar padrões. Como o secretário-geral procede do setor privado, vê com bons olhos as últimas aquisições e fusões na indústria das telecomunicações. Na semana passada, a aT&T causou surpresa nos Estados Unidos ao adquirir a BellSouth Corp., a maior compra na história do setor. Além disso, a Vodafone se prepara para adquirir a Hutchison Essar, quarta operadora de celulares na Índia. “É bom para as telecomunicações, porque o consumidor final de contas se beneficiará de todas essas fusões e compras”, afirmou Toure.

Porém, historiadores prevêem que os telefones fixos, a principal razão de ser da UIT todos esses anos, logo desaparecerão. No entanto, Toure defende a organização. “Devo enfatizar que a UIT está se adaptando às mudanças, desde os telegramas até o telefone, e agora à convergência entre as tecnologias digitais e de telecomunicações”, acrescentou. Além disso, “demorou cem anos para a telefonia chegar a um bilhão de pessoas, e agora são 25 anos para alcançar outro bilhão”, disse Toure, natural de Malí, um dos países africanos mais pobres.

O secretário-geral disse que o setor de telecomunicações na África, continente que agora experimenta uma brecha digital, crescerá rapidamente nos próximos cinco ou 10 anos graças às novas tecnologias. A Nigéria experimenta um crescimento de 400% em telefones celulares, seguida da África do Sul e do Gabão. (IPS/Envolverde)

D. Ravi Kanth

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