NAIROBI, 26/01/2007 – A questão da exacerbação da propogação do VIH/SIDA pela violência, particularmente nas mulheres, continua a ser a mais polémica do Fóro Social Mundial, realizado esta semana. Da África á Ásia, ativistas reiteraram que a violência contra a mulher continua a ameaçar a luta contra o VIH/SIDA, e que se os governos não abordem o problema, ganhar a luta contra a doênça vai ser muito penoso.
“A violência é a causa principal da infeção entre as mulheres; a violência nas casas e nas ruas, violência em toda a parte”, disse Ludfine Anyango, o coordenador nacional do VIH/SIDA da organização Action Kenya-International.
Outros participantes do Foro estavam de acordo de que a mulher corre o maior risco de ser infetada pela doênça por facto de não ter a vantagem na negociação de relações sexuais.
“Muitas mlheres nem podem decider quando vão ter sexo. Muitas não podem exigir que o marido use um preservativo, por que seriam consideradas infideis. Também receiam ser batidas. A mulher então não tem opção senão de continuar a ter sexo sem proteção com o seu esposo, “ acrescentou Anyango.
Da mesma maneira, a violência nas ruas sujeita os trabalhadores sexuais femininos ao risco da infeção pelo VIH, segundo Ros Sokunthy de Women's Agenda for Change, uma organização que luta para o direito da mulher, particularmente do trabalhador sexual, na Campucheia.
“Um trabalhador sexual negocia com um homem más quando chega ao lugar de reunião há mais de que um homem e todos querem relações sexuais com ela. Quando ela recusa, é batida ou violada,” disse Sokunthy a IPS.
“Normalemente um trabalhador sexual tem dois preservativos más se ela encontra três homens no lugar de reunião, estes preservativos não chegarão. Se ela nega-os as relações sexuais, ou se insiste que usam sacos de plástico de açúcar fracos e que se rasgam facilemente assim expondo a infeção, os homens baterão-na,” disse Sokunthy.
Segundo os expertos, estas cenas explicam por que há mais mulheres infetadas de que homens. Segundo um relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (Onusida) do ano passado na África subsahariana – onde vive cerca de 64 percento da população mundial dos que vivem com o VIH/SIDA – há mais mulheres infetadas de que homens.
Os participantes do FSM também ouviram dizer que as mulheres estavam a ser batidas pelos esposos delas se foi descoberto que tinham ido aos centros de diagnóstico voluntario e assessoramento.
“Tivemos casos nosquais mulheres vêm ter connosco dizendo ‘ faz favor de não dizer ao meu marido que estive aqui por que se ele souber, vai me matar quando volto a casa.’ Quando seguimos estes casos descobrimos que o marido era de facto seropositivo”, disse a Mary Watiti, uma conselheira num centros de diagnóstico voluntario e assessoramento em Kibera, o maior bairro de Quênia.
“Este medo desencoraja muitas mulheres de procurar saber o estatuto VIH delas e por isso continuam a ter sexo como os esposos delas sem proteção,” acrescentou ela.
Este fenômeno resuscitou chamadas para as novas leis que lidam com toda a forma de violência contra mulher, e a aplicação rigorosa desta lei nos paises onde estas leis já foram publicadas. A modificação de leis é considerada como uma das maneiras mais eficazes de controlar a propagação do VIH/SIDA..
Quênia foi o centro da atenção por que já tem uma lei que aborda a questão da violência sexual, más que tem lacunas que permitam a mulher a continuar a ser abusada sexualmente, com poucos recursos a justiça.
“Apesar de nos termos a Lei de Delitos Sexuais, ela não reconhece o estupro marital mesmo se o VIH/SIDA se propaga através de relações sexuais,” disse a Inviolata Mbwavi, a coordenadora nacional da Rede de Pessoas Vivendo com o VIH/SIDA na Quênia.
Um projeto lei sobre a violência doméstica, que estipula as penalidades para os ofensores no país da África Oriental, tornou se antiquado e agora está a ser reapresenado no parlamento. O projeto lei foi introduzido no ano 2000.
Contudo, precisa se de muito mais de que a modificação de leis para lidar com o problema do VIH/SIDA. Segundo grupos diferentes, incluindo onusida, a participação masculina na luta contra o pandêmico é crítico dado que de maioria geral dos homens não é proativo a buscar os serviços dos centros de diagnóstico voluntario e assessoramento. As vezes, estes homens arriscam a direcõa e o cuidado dos infetados.
Expertos do VIH/SIDA dizem que os homens raramente vão aos centros por que parecem ter medo da estigmatização mais de que as mulheres.
Um estudo feito na Indonesia no mês passado mostra que nove de dez homens ficaram ofendidos quando forem pedidos a ir ao VCT e ecusaram ir verificar o estatuto deles, enquanto oito de dez mulheres aceitam verificar o estuto delas.
“Tudo isto é por que os homens acham que são apenas os grupos de alto risco que vão aos VCTs e que apanham o VIH/SIDA”, disse Suksma Ratri de Rumah Cemara, uma organização que faz investigações sobre o VIH/SIDA.
O fato de não ir ao diagnóstico voluntario e assessoramento fecha as portas para os homens ter acesso aos programas de tratamento. Assim os homens infetados tomam os medicamentos das esposas deles, que participam nos programas de tratamento. Segundo o James Kamau, o coordenador da Coalição da Sociedade Civil para o VIH/SIDA esta prática é muito comum nas zonas de rendimentos baixos em toda a África. “As experiências nos bairros de Kibera e nas partes mais pobres do Quênia central e occidental indicam que as mulheres compartilham drogas,” ele disse.
Más os expertos dizem que uma maneira certa de desenvolver a resistência ás drogas mais baratas e acessíveis é de interferir com os antiretrovirais (o principal tratamento do VIH/SIDA). Neste caso, a pessoa infetada será obrigada a pagar mais dez vezes para comprar os antiretrovirais que podem resistir as cepas do vírus.
“Se os nossos homens não fazem parte da guerra, podemos então esquecer acabar com a infeção do VIH/SIDA e da violência que a acompanhe,” disse a Lilian Musang'u, um participante malauiana ao FSM.
O FSM é um encontro anual de ativistas sociais que pretendem encontrar maneiras de lutar contra a dominação das nações ricas ocidentais. Esta reunião de milhares de ativistas normalemente realiza se em Janeiro, em contrapartida ao Foro Económico Mundial, uma reunião anual da flor e nata poderosa económica e política na estância alpina suiça de Davos.
Desde 2001, os encontros se realizavam no Brazil e na India. No ano passado, realizou se um foro policéntrico que tomaou lugar em três cidades, Bamako, Mali; Caracas, Venezuela; e Karachi, Paquistão. Ao menos 50,000 de toda a parte do mundo participaram neste encontro en Nairobi.

