NAIROBI, 26/01/2007 – “Disseram-nos a vir a esta celebração por que celebra o fim da pobreza,” disse o Edward Njeru, motorista de um tuktuk (um veículo de três rodas servindo de taxi nas zonas urbanas), falando do Foro Social Mundial que foi lançado aqui Sábado. ”Espero que essa pobreza realmente vai acabar,” ele disse a IPS. Njeru, que leva entre 14 e 43 dólares por mês a casa, que nem chegar a satisfazer as necessidades dele, estava com 30 dos seus colegas desfilando nos tuktuks vívidos no Parque Uhuru, onde se realizou o lançamento oficial do FSM.
Para além dos tuktuks, houve motoristas dos taxis bicicletas exibindo os “boda bodas”, que se tornaram num meio popular de transport em muitas partes do país.
A exibição de tuktuks e boda bodas refletava o tema do sétimo foro anual do FSM, “Luta do Povo, as Alternativa do Povo”, noqual as pessoas podem abordar a pobreza, cada uma desempenhando o seu papel.
Realizado do 20-25 deste mês, o encontro atraiu milhares de delegados de toda a parte do mundo, que se reuniuram a denunciar as injustiças sociais que têm continuado a tocar os países em vias de desenvolvimento, particularmente na África.
Um mar de pessoas engolfou o parque de Nairobi. O sol quentíssimo nem importava.
Usando t-shirts e lenços de muitas cores, as pessoas agitaram cartazes, bandeiras e insígnias com mensagens contra a pobreza, entre outras, e dançavam ás músicas Africanas e Caraíbas. O suor corria das caras delas.
As atividades do parque Uhuru seguiram uma marcha dos bairros de Kibera, a cerca de sete kilómetros da parte sudoeuste de Nairobi. O bairro é o maior na Quênia e na África Ocidental, com uma população de mais de 700,000 pessoas. Aqui, os delegados viram na sua cara a realidade da pobreza: cabanas de lama, ausência de um sistema de esgotos, um cheiro sufocante dos rios de esgotos abertos, sem quaisqueres serviços e ruas.
No parque, muitos oradores acusaram os países ricos de instituir políticas adversos aos países em vias de desenvolvimento, e que sustem a pobreza nestas nações.
“Sabemos o mundo que queremos, um noqual não há dominação pelo Ocidente, más há sim respeito; um mundo noqual não há dívidas acumulando por causa desta dominação,” disseChico Whitaker, um membro do Conselho Internacional do FSM.
Segundo as organizações globais anti-dívida, os países africanos gastam cerca de 15 bilhões de dólares pagando as dívidas, isto num continente perseguido pelas taxas mais altas do VIH/SIDA e do analfabetismo.
Os analistas propõem que a situação poderia ser o inverso se o governo quissesse dedicar mais dinheiro á saúde, educação e aos outros sectores de serviços públicos em vez de dedicá-lo ao pagamento da dívida
A questão do VIH/SIDA dominou os discursos no Parque Uhuru, como os oradores reiteraram o fato dela continuar a ser o maior desafio aos países africanos. Os oradores também apresentaram sugestões sobre como lidar com este desafio.
“A coisa chave na aboradagem deste problema é a prevenção, pois é melhor prevenir de que curar. Também temos que lembrar a verificação e testing,” disse o ex-presidente de Zâmbia, Kenneth Kaunda.
Ele acrescentou que, “verificar o seu estatuto e fala abertamente sobre ele reduzirá o estigma. Eu não estou a dizer lhes coisas que eu não faço,” disse o Kaunda que foi verificar o estatuto dele em 2002, e que fala abertamente sobre o VIH/SIDA desde a morte do seu filho que sucumbiu a doênça.
Como o mundo está a lutar com o desafio do VIH/SIDA, vê se a emergência de muitas iniciativas liderando com ele nas partes diferentes do mundo.
No Brazil, escreveu se poemas nos preservativos para informar as pessoas sobre os perigos dp VIH/SIDA. O conceito do condom poético veio do Ramos Filho, um poeta e professor da lei do distrito Itajai de Santa Catarina, no Brazil. Ele foi estimulado pelas taxas altas do VIH/SIDA na região.
“Os casos foram um aviso de que algo teria que ser feito urgentemente. Eu comecei a distribuir preservativos poéticos com mensagens ao Brazil com o objetivo de informar as pessoas,” disse Filho a IPS no parque onde estava a distribuir estes preservativos.
Este projeto resultou numa maior sensibilização e mudança de comportamento na população brazileira. A iniciativa Filho cabe muito bem no lema do FSM, “um outro mundo é possível”, tanto como no tema deste ano: “Luta do Povo, as Alternativa do Povo”. Os organizadores do FSM 2007 esperam a emergência de mais iniciativas deste foro. “Esperamos que as pessoas hão de interogar o mundo atual e criar outras alternativas para que o mundo seja um lugar melhor,” disse a IPS o Oduor Ong'wen, um dos organizadores.
Espera se que mais de 150,000 pessoas de toda a parte do mundo participarão no FSM, noqual se discutirá sobre a habitação, o comércio, o desemprego, a corrupção, a governance e os direitos humanos.
O FSM é um encontro anual de ativistas sociais que pretendem encontrar maneiras de lutar contra a dominação das nações ricas ocidentais. Esta reunião de milhares de ativistas normalemente realiza se em Janeiro, em contrapartida ao Foro Económico Mundial, uma reunião anual da flor e nata poderosa económica e política na estância alpina suiça de Davos.

